18 abril, 2009

CIDADES AMURALHADAS – Problemas de Gestão

I.
Almeida é sem dúvida uma das mais importantes vilas amuralhadas. Ao contrário de muitas outras cidades que têm apenas algumas portas ou parte da muralha original, Almeida é uma vila que se pode vangloriar de ter as muralhas completas e intactas. Isso torna-a perfeita para o estudo dos problemas das cidades amuralhadas e do desenvolvimento da arquitectura das fortificações. Almeida, assim com Elvas, são dois dos melhores exemplos de preservação de cidades amuralhadas. Almeida, em particular, deve estar muito orgulhosa do que faz para conseguir a sua preservação
(…)

As cidades amuralhadas são especiais. O simples facto de que os nossos antepassados decidiram fortificar essas cidades significa que lhes deram muita importância. As cidades fortificadas são, por isso, muito especiais. Já são muito poucas as cidades que ainda têm um sistema fortificado apesar de terem existido centenas delas.
(…)

Isto leva-me a outro ponto importante. Hoje em dia já não se olha para um projecto de conservação como sendo uma lista de projectos de restauro de edifícios individuais. Não faz sentido conservar um edifício único sem referir à área circundante.
(…)

Nenhuma construção pode ser considerada apenas por seu próprio mérito mesmo que desenhada pelo arquitecto mais importante. Tem de ter um contexto. Deve ser compatível com o tecido urbano da cidade. Quando se pensa numa intervenção dentro de cidades históricas, deve pensar-se na cidade como um todo.
(…)

Repito. Uma cidade histórica não é uma colecção de edifícios importantes mas um conjunto, uma enorme intervenção humana numa área em particular, que deve ser respeitada, reflectindo os diferentes períodos de desenvolvimento. Nenhuma cidade pode estagnar num período num período em particular porque cidades desta natureza estão sempre em desenvolvimento. Tenho a certeza que os arquitectos, deste modo, concluirão que temos o direito de intervir. A minha resposta é afirmativa, temos a obrigação de preservar o que os nossos antepassados construíram mas isso não significa que não permitiremos novas construções, mas em perfeita compatibilidade com as existentes.
(…)

O património é um activo, muitas vezes o único activo económico das cidades históricas. Temos que, doravante, olhar para a sua protecção deste ângulo. O património pode e deve ser um importante activo económico para as nossas cidades e temos de pensar na sua conservação e desenvolvimento com este facto em mente. Portanto ao discutirmos a administração das cidades históricas temos de dar importância a dois elementos, isto é, modelos económicos e, tanto quanto possível, o envolvimento da população local.
(…)

O turismo pode e deve ser visto como um elemento positivo na preservação do património. O turismo cria problemas especialmente em cidades pequenas mas também traz benefícios económicos. Os problemas de turismo podem ser resolvidos com um sistema de gestão.
(…)

Como já disse anteriormente, dou muita importância a um bom sistema de administração, especialmente quando esses sistemas são baseados numa vasta participação. Os Presidentes de Câmara devem tentar a maior participação possível. Nas sete cidades em que fui responsável durante vinte anos criei três Comissões de Aconselhamento nas quais havia uma grande representação da sociedade, incluindo Municipalidade, sector comercial, historiadores, projectistas, sector cultural, entre outros. Nas reuniões mensais eles discutiam formas de tirar o maior proveito dos fundos de apoio às cidades e, em particular, preparar projectos integrados que tanto no curto como no longo prazo, ajudassem as cidades a desenvolver e a preservar melhor o seu património. Este sistema não é perfeito, mas permite aos representantes uma melhor gestão das cidades. Estas comissões não olhavam só aos projectos de conservação mas também a projectos de melhoramentos do ambiente.

Ao preservar as nossas cidades, o objectivo principal é, acima de tudo, melhorar a qualidade de vida dos cidadãos, conseguir um desenvolvimento económico, alcançar melhores padrões de vida. Isto só pode ser conseguido através da preservação do coração urbano histórico das nossas cidades.

Autor: Ray Bondin, membro do ICOMOS (Conselho Internacional dos Monumentos e Sítios), do ICCROM (Centro Internacional para o Estudo da Preservação e Restauro da Propriedade Cultural) e do CIVVIH (Comité Internacional para as Aldeias e Cidades Históricas do ICOMOS), in Revista CEAMA nº 1, extractos de comunicação apresentada em Agosto de 2007, em Almeida.


II.
(…) O caminho vai sendo percorrido, mas é o que falta fazer que sempre constitui o desafio mais interessante. É nessa parte do que nos espera, como meta para a nossa actividade, que está a motivação maior do empenho de todos os que contribuem para construir o Presente, preservando o Património para que melhor possa cumprir as funções que o Futuro reclama.
De todos esperando participação, a todos tendo em consideração, a todos outorgando e de todos requerendo o respeito que nos merece o engrandecimento da nossa Terra, vamos brevemente colocar à disposição de todos mais dois equipamentos de qualidade que nos orgulham e ampliam o percurso que encetámos: refiro-me, concretamente, à abertura ao público da Biblioteca Municipal e do Museu de História Militar, este a instalar nas Casamatas.
Este caminho também é a aventura e a responsabilidade de ser indiferente à crítica paralisadora, assumindo a responsabilidade de quem, como poder político, é mandatado para decidir e fazer as opções que contribuirão – tenho a certeza! – para a abertura do nosso Concelho ao Universo Cultural, e que deixarão marca para os vindouros. (…)

Autor: António Baptista Ribeiro, Presidente da Câmara Municipal, in Editorial da Revista CEAMA nº 3, 2009.




NOTA: Este ano, neste dia 18 de Abril, Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, que se comemora não apenas internacionalmente mas também em Portugal, um pouco por todo o lado em vários municípios, incluindo no Distrito da Guarda, o tópico escolhido pelo ICOMOS é: ‘Património e Ciência’.
A escolha prende-se com o objectivo de proporcionar uma oportunidade de reflexão e de reconhecimento do papel da Ciência na criação do património cultural e, ainda, de incentivar a discussão sobre o potencial contributo que a Ciência (e Tecnologia) oferece ao estudo e preservação do património.

Em jeito de contributo para essa reflexão, à falta de melhores meios de debate que o Prof. Doutor Ray refere acima, num texto publicamente acessível, que recomendamos vivamente e que por excessiva extensão não reproduzimos na íntegra, apenas no essencial e omitindo algum louvor à pessoa que lhe dirigira o convite, uma vez que essa comunicação foi feita por ocasião da sua primeira visita a Almeida sem conhecimento directo do que veio encontrar, propõe-se uma análise dessa experiência e considerações com a realidade sintetizada apresentada pelo Presidente da CMA, no Editorial de uma publicação subsequente da mesma colecção de estudos, este integralmente disponível também em imagem abaixo.

Para não condicionar o debate em qualquer direcção, abstemo-nos de destaques ou sublinhados, deixando a cada um o interesse de uma leitura bastante atenta e o arbítrio de uma reflexão que a cada um é possível.

Maria Clarinda Moreira


04 abril, 2009

O Futuro dos nossos....

A fase da vida que neste momento estamos a atravessar é demasiado complicada para todos nós, para os nossos filhos, netos e vindouros perante as mudanças estruturais de novas descobertas ou redescobertas.
Nos dias de hoje, tanto a sociedade em que vivemos como a economia, conhecem uma evolução sem precedentes. Os órgãos de comunicação social invadem diariamente a nossa privacidade trazendo-nos informação sobre a flutuação dos mercados e consequentemente a grande preocupação em função das fortes exigências necessárias como forma de sucesso.

Quando falamos em mercados, falamos naturalmente da sua essência que são as empresas. Estas por sua vez, também procuram nestes tempos de turbulência, marcar a diferenciação de forma a manterem os seus índices de competitividade.
Há muito pouco tempo olhávamos para a economia de uma forma diferente da de hoje. Analisávamo-la em espaços muito curtos. Hoje procuramos fazer um investimento em valores sólidos do ponto de vista económico e social, que por sua vez os transforma sob uma visão de longo prazo.
No mundo de hoje, onde a modernidade e o avanço forte nas novas tecnologias são cada vez mais uma realidade, estes vectores, tornam-se sinónimos de persecução de objectivos estratégicos finais de rendibilidade das empresas.
Estas definições, levam-nos a acreditar que empresas que visem em curto prazo uma consciencialização de políticas de transparência e solidez, melhorem a sua estratégia num médio e/ou longo prazo. No entanto sabemos que também existem algumas que só se preocupam com questões de curto prazo. Para estas, as dificuldades serão certamente acrescidas e o futuro não é nada prometedor.

A experiência ultimamente vivida pelo aspecto negativo de investimentos, leva-nos cada vez mais a estarmos atentos às mudanças nos diversos sectores. Todos aqueles que nos preocupamos com investimentos, cada vez mais temos que analisar o que é responsável do que não passa de uma miragem, que é como quem diz, de uma imagem de marketing.
Por sua vez, também as empresas cada vez mais devem melhorar a sua avaliação aos consumidores, considerando que estes, pelas experiências negativas vividas, cada vez mais estão conscientemente esclarecidos para poderem optar pela segurança.
Para nós investidores e ao fim ao cabo consumidores, devemos entender que a melhor forma de analisarmos uma empresa, é pela sua actividade económica.
Deve ser uma empresa cuja actividade tem que ser lucrativa, baseando-se primordialmente nos produtos ou serviços que desenvolve e na forma como relaciona a sua actividade económica.

Se todos nós tivermos em linha de conta estas situações, certamente o Mundo melhorará em todas as vertentes e a condição de vida para nós, para os nossos filhos, netos e vindouros, surpreender-nos-á pela positiva e acabaremos cada dia mais feliz.
Este deve ser o nosso objectivo prioritário.

02 abril, 2009

DIA DAS MENTIRAS?

Quem falou em tal? Falou-se em “Surpreendente descoberta”. Realmente o que surpreende todos os dias é a REALIDADE que está na frente dos olhos. Tão verdade… que até parece mentira!

Para os comentaristas que descobriram logo a montagem sobre uma imagem de “Almeida antiga” isso não é novidade nenhuma! Parabéns pelo discernimento e pelo humor! Sobretudo do “Zé da atalaia”…

Os outros… estão perdoados! Pela sofreguidão de recriminações aos “indivíduos(a)s da nossa praça” já receberam a sua compensação: atrás do isco, engoliram o anzol, chumbeira, linha, cana e tudo!

Que mais os podia satisfazer além daqueles cinco minutos de teclar triunfante sobre o “logro” de não se conseguir ver a mais-valia destes brilhantes técnicos para a nossa Almeida? Quantas mais pessoas não estariam visadas (na sua mente) nesse barrete?

Todas aquelas que também possivelmente serviram de alvo no discurso inaugural do autor das ditas “pirâmides”: “A ideia surgiu-me a partir de tanta matemática e tanta geometria na construção da fortaleza” (…) “um pai a passear nas muralhas podia explicar a um filho o que eram pirâmides!” (…) “E foi por isso que tive essa ideia. E não para fazer aumentar as críticas ESTÚPIDAS!” (isto dito em crescente ênfase até à última palavra, pronunciada em tom quase violento).

Realmente! Atirado aos almeidenses, na sua própria cara. Em plena inauguração! E acreditam que não era dia de enganos? FOI APLAUDIDO!

Mas de quem a verdadeira responsabilidade de tanto desaforo apajoado por dinheiros públicos?

- Nossa!
…Por (e tanto mais) SE o continuarmos a permitir.

Ou não cabe a todos nós defender o que é nosso?

Rui Brito Fonseca

01 abril, 2009

ALMEIDA ANTIGA - Surpreendente descoberta!






Encontrada no Arquivo Nacional de Vincennes (França), composto por documentos que constituem o grande espólio levado de Portugal pelas tropas napoleónicas em 1810, esta gravura deixa todos os estudiosos de Almeida e particularmente os investigadores da arquitectura abaluartada boquiabertos. Trata-se de uma estampa única das Portas de Santo António vistas do lado da Praça, mas o que a todos os historiadores surpreende pela inegável existência de pirâmides, ao que parece envidraçadas, no exterior, sobre as Portas.
Diz-se agora que os estudiosos da matéria em todo o mundo terão que reformular novas teorias sobre a tipificação dos elementos característicos da arquitectura abaluartada, já que nunca fora conhecida tal tipo de clarabóia em forma de pirâmide coexistindo com uma construção em cantaria à prova de bomba.
Almeida, assim, uma vez mais se torna uma referência internacional. Parabéns à equipa dos qualificados técnicos que recuperaram essa mais-valia, que não temos dúvida em classificar como autêntica jóia na disciplina de arquitectura militar abaluartada!

28 março, 2009

NEM TUDO O QUE RELUZ É OURO…


Faz hoje precisamente um ano que saiu neste blogue um artigo sobre a Comemoração do Dia dos Municípios com Centro Histórico. Na altura, foi comentada a estranheza de Almeida não assinalar a efeméride, partindo-se para uma reflexão sobre o abandono ou desvario de intervenção sobre o património histórico, afectando a memória e o carácter identitário local.
(O mesmo continua acessível neste blogue, bastando clicar na Etiqueta abaixo – “Dia dos Municípios com Centro Histórico”, no final deste artigo).

Decorrido este período de tempo, as questões de fundo são as mesmas. No entanto, a propósito deste mesmo Dia, verificaram-se duas mudanças dignas de menção: a primeira, é que, muito possivelmente estimuladas pelos reparos, ou quem sabe porque cada vez mais todos os momentos são importantes para se mostrar dinamismo, as autoridades concelhias, este ano, não se esqueceram de assinalar a data. Sobre isso, Almeida pode regozijar-se: os reparos, ainda que transmitidos pela única via aberta, como um simples blogue, que restou aos almeidenses para comunicar com as autoridades locais, parecem afinal ir surtindo algum efeito, apesar também de alguma natural crispação, por variados motivos que sempre envolvem estas situações.

A segunda mudança, relacionada com a primeira, é que desta vez é apresentado um programa de Jornadas do Instituto de História de Arte de Coimbra, recheado de iniciativas:

Dia 27, 12.00 horas - Percurso guiado (não diz por quem, mas se o Instituto de História de Arte é o convidado, presumivelmente será conduzido nessa visita…);
14.30 – Visita de Estudo (Instituto de História de Arte) “Arte Mudéjar e Fortificação na Raia Seca da Meseta”. Também não diz que tipo de visita de estudo, se é virtual, se é uma excursão na meseta… não se sabe.

Dia 28, 9.00 horas – O Baluarte de S. João de Deus - Visita ao estaleiro.
Bem a propósito: o estaleiro das casamatas. A polémica intervenção que tanta tinta fez correr e originou um debate acesso, inclusive em sessão pública, por sua vez muito agitada já em 2006, esta com a presença do Executivo, do Coronel Eng. Sousa Lobo (defendendo a necessidade de um estudo mais aprofundado antes de qualquer intervenção radical), dos Arq. João Campos e Arq. João Marujo (defendendo o contrário), bem como do Arq. José Afonso, então Director Regional do IPPAR, (o qual viria a assumir uma forte oposição ao projecto das casamatas), além de outros. De toda aquela estrondosa diatribe, a que também concorreu o protesto da oposição política, resultaria uma obra da autoria do Arq. João Campos, publicada pela CMA nesse mesmo ano, com a sua proposta para intervenção nas casamatas, posteriormente alterada. Recordo o destaque: “com prefácio do Prof. Doutor Pedro Dias”.

E recordo-o, porque nessa altura, mesmo a colaborar com a CMA, fui surpreendida pela decisão de inclusão dessa informação relativa a um prefácio para um cartaz, facto que transmiti tanto ao Executivo como a quem o concebeu (imagem abaixo), o qual foi ainda exactamente transposto para os outdoors de divulgação do Programa da 2ª Recriação Histórica de Almeida: parecera-me, excessivo, descabido, e até pretensioso, tanto mais que no mesmo programa constava igualmente a apresentação da reedição do livro “O Castelo de Almeida” do Dr. José Vilhena de Carvalho, o qual estava previsto ser justamente homenageado nesse ano, bem como das “restantes Edições da CMA”, onde vários e também conceituados autores tinham colaborado de forma muito generosa, mas sem qualquer destaque individualizado nessa divulgação, conforme as indicações por mim enviadas.


Voltando, no entanto, a estas Jornadas de 2009, a propósito do Dia dos Municípios com Centro Histórico, vou saltar alguns pormenores que podem ser consultados no sítio da CMA em http://www.cm-almeida.pt/municipio/agendadomunicipio/Paginas/Comemoracaoceama.aspx
referindo apenas uma inauguração de uma exposição do Instituto Geográfico Português, que promete e ainda bem que permanece mais uns tempos, para chegar ao programa previsto para as
11.30 horas - Sessão Comemorativa do Dia com Centro Histórico: Um documento para o Acervo do CEAMA pelo Prof. Doutor Pedro Dias.

Note-se, o Prof. Doutor Pedro Dias é uma respeitável figura académica, certamente vem a Almeida, a convite, e com a melhor das boas intenções. Mas tanto destaque fez-me lembrar uma qualquer outra notícia que pressenti relacionada. E de facto: um dos parágrafos relativos aos elementos do júri do recente doutoramento do Arq. João Campos, precisamente em História da Arte, tão pressurosamente alardeado no sítio oficial da CMA, e logo depois retirado perante as críticas, para ser publicado no jornal Praça Alta, reza o seguinte:


- O Senhor Doutor António Pedro Machado Gonçalves Dias, Professor Catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, Orientador;


Bom. Com isso se pode melhor explicar o objectivo da Comemoração do Dia dos Municípios com Centro Histórico este ano em Almeida. Senti pena. Afinal, não parece verificar-se uma maior sensibilização por parte do Município relativamente ao seu Centro Histórico. Todo este fio condutor de coincidências e de factos configura mais uma necessidade de patentear aos almeidenses a ideia de que o que tem vindo a ser feito em Almeida ao nível do património recebe bênçãos académicas lançadas do alto, num jogo de imagem que tacitamente promove o doutoramento de um técnico contratado pelo município, onde o “mestre”, é convidado a visitar a obra do “discípulo”. Mas neste jogo de espelhos, há um estilhaço brutal que fende a imagem quase idílica de alto a baixo: que o técnico, discípulo, consultor, por muito qualificado que seja, repetidamente demonstrou, tanto em público como em privado, a sua incapacidade de diálogo e a sua atitude impositiva para com o património de Almeida – com o que profundamente ofende e repele os almeidenses.

E é assim que esta Comemoração de um Dia dos Municípios com Centro Histórico, se revela afinal mais uma vez ditado de cima para baixo, ineficaz, deparando-se com o mesmo vazio de adesão, porque é destinado a encher o olho, quando os almeidenses já estão fartos de que tanto lhes atirem areia para os olhos!

Maria Clarinda Moreira

19 março, 2009

Almeida Moderna

Já nos tinha constado que os sentidos de observação e de humor dos almeidenses estavam bastante refinados.

A evidência disso chegou-nos por um anónimo que registou uma iniciativa bem-humorada, de que alguns falavam, mas poucos tinham conseguido observar, possivelmente devido à celeridade de quem se sentiu visado…

Aqui está: Almeida moderna!




12 março, 2009

HOTEL 4 ESTRELAS

Hotel das Termas da Fonte Santa.

Pergunto se alguém terá dúvidas em definir esta acção como um acto eleitoralista?

O senhor Presidente da Câmara Municipal de Almeida na última Assembleia Municipal de 26 de Fevereiro de 2009, informou os presentes que está a ser efectuado um novo furo para extracção de água, actualmente com uma profundidade de cerca de 250 metros.


“…há um novo furo que já vai com cerca de 250 metros de profundidade…”.

Informou ainda que durante o corrente ano este furo vai ter necessidade de uma fase de experimentação, supostamente digo eu, para se saber se a água extraída é adequada ao seu uso terapêutico. Não obstante a afirmação, deixou pairar no ar a incerteza na capacidade do caudal do furo para abastecer a piscina das termas.

“…O actual furo precisa de período de experimentação que vai ocorrer já este ano. O furo vai ter capacidade, mas talvez não seja possível alimentar a piscina…”.

Deixou ainda a informação de que na eventualidade do furo não satisfazer o exigível, só resta a alternativa de procurar um segundo furo.

“…Os trabalhos estão a correr bem, apareceu um primeiro aquífero, está-se à procura de um segundo talvez à temperatura de 45 graus centigrados…e se este furo falhar só resta uma alternativa: um segundo furo!...”

Poderemos concluir da declaração do senhor Presidente da Câmara de Almeida à Assembleia Municipal, que nada está seguro no que diz respeito à principal exigência numas termas, como é a qualidade terapêutica da água.
Como diz e muito bem o nosso Povo, neste caso concreto a Câmara andou com o carro à frente dos bois.

Vou colocar a hipótese muito subjectivamente, de imaginar que nenhum dos furos consegue produzir água em quantidade ou em qualidade.
Perante uma situação destas qual vai ser o fim dos balneários, do hotel a construir, das infra-estruturas ali já construídas? Qual será a finalidade da parceria entre a entidade privada e a empresa municipalista? E se houver custos, porque vai haver, e não houver receita? Quem arca com as despesas? E se a entidade privada perante uma situação de fracasso puro da extracção de água, decidir falir, quem assumirá responsabilidades dos investimentos? Qual o motivo porque a empresa municipalista fica como sócio minoritário? Numa reunião do conselho de administração o que é que pode exigir? De quem são os terrenos onde estão a ser efectuadas as construções? Porque razão.....
Poderia deixar aqui mais perguntas para as quais as respostas serão certamente discutíveis. No entanto, como cidadão deste concelho, tenho o direito de saber as respostas para estas e outras que possam surgir, porque é aqui que eu pago os meus impostos.

Respondendo eu próprio à pergunta que fiz quando comecei este comentário, direi que qualquer acto que qualquer presidente de Câmara faça ou decida, é sempre de cariz político. A razão do mesmo é precisamente angariar mais votos.
No entanto e pelas declarações do senhor presidente da Câmara Municipal de Almeida à Assembleia Municipal última, é que me surgiram as perguntas que deixei ficar e que mais pessoas as partilham.
Mas a minha maior preocupação é pela questão da água.
Não sou técnico nem especialista da matéria. Mas o meu pai já falecido, ensinou-me que quando num local semelhante ao da Fonte Santa onde sempre existiram linhas de água e de qualidade como todos sabemos, o facto de se fazerem rebentamentos com dinamite a alguma profundidade, provocam quase sempre desvios dessas linhas de água. Será por isso que o senhor presidente já levantou um pouco do véu, para que amanhã não apanhemos uma surpresa maior?
Este executivo deveria ser mais respeitador por todo um trabalho desenvolvido pela anterior Vereadora e Vice-Presidente da Câmara, essa sim de qualidade para Almeida, que foi a Dra. Natércia Ruivo Gouveia.

Voltarei mais tarde a este tema.


João Neves

10 março, 2009

ONDE SERÁ QUE EU JÁ VI ISTO...?



Ou pondo a questão de outra forma.
Quem disse que a marca “Almeida” não vende?

Pode estar aqui o “ovo de Colombo” dos Comerciantes da Vila de Almeida…

Este candeeiro urbano esteve em “exposição” na Vila de Almeida com o intuito de ser instalado pelas suas ruas e demais espaços urbanos mas, não chegou a ser utilizado.
Perante o desagrado da população desistiram de os aplicar.

Para meu espanto, eis que constato agora que está a ser comercializado pela Empresa





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A questão que se poderá aqui pôr, será qual a mais valia que a Autarquia de Almeida usufruirá deste processo?
Sim, porque o candeeiro foi arquitectado para ser aplicado em Almeida.

Não foram utilizados porque a população não gostou e não os queria, agora aparecem à venda com a designação de Candeeiros Tipo Almeida.


A Câmara de Almeida tem todo o direito de usufruir dividendos deste processo, uma vez que está a ser utilizado o nome e a imagem da nossa Vila.



ou será algum Franchising…


Será que a Câmara de Almeida está ao corrente deste processo?

Quem disse que a marca ALMEIDA não vende?



João Neves

05 março, 2009

Consciência....

Gostaria de trazer até aqui um pensamento sobre a palavra consciência.

Falar de consciência é falar de algo muito importante na nossa vida no dia-a-dia.
Falar de consciência é falar de valor ou valores, que nos devem ter sido incutidos pelos nossos pais aquando da formação de crianças para jovens e posteriormente adultos.
Falar de consciência é falar no comportamento que nos deve orientar não só hoje, como no amanhã, no depois, e no depois.
Existem outras palavras que de uma ou outra forma, também podem substituir a expressão consciência sem alteração do sentido.

Consciência pode ser igual a, verdade.
Consciência pode ser igual a, honestidade.
Consciência pode ser igual a, rectidão.
Consciência pode ser igual a, honradez.
Consciência pode ser igual a, conhecimento.
Consciência pode ser igual a, remorso.
Consciência pode ser igual a, humildade.
Consciência pode ser igual a, cuidado extremo com que se executa qualquer trabalho.

Mas também podemos utilizar a palavra noutras expressões de cariz popular, e se tivermos um pouco de tempo para as analisar em pormenor, certamente levar-nos-ão a dar muitas voltas na nossa consciência à medida que fazemos uma introspecção.
Chamar-lhe-ei, a consciência do eu por si mesmo.

Exemplos.
Consciência moral, é no meu entender a função da consciência que consiste na distinção entre o bem e o mal.
Meter a mão na consciência, é no meu entender a forma de examinar com atenção os próprios actos ou sentimentos.
Voz da consciência, é no meu entender um sentimento íntimo que nos avisa do que se passa em nós, dando-nos o conhecimento das nossas acções, aprovando-as ou reprovando-as.
Objecção de consciência, é no meu entender um acto de recusar servir como soldado.

Poderia deambular por vários pensamentos relacionados com as expressões aqui deixadas, ou mesmo pelos vários significados expressos da palavra consciência, relativamente a atitudes assumidas pelas mais diversas pessoas no desempenho das suas funções profissionais.
O objectivo deste pensamento, não é este.
O objectivo deste pensamento, é despertar as consciências em todos quantos lerem este texto, e fazerem uma análise química, para depuração de ideias.
O objectivo deste pensamento, é que cada um de nós meta a mão na consciência, faça uma introspecção da sua capacidade de execução profissional e compreenda definitivamente se deve ou não assumir desafios para os quais está ou não preparado.
É aqui que observamos a objecção de consciência. Devemos recusar-nos servir como soldado num posto de general, uma vez que as decisões carecem de conhecimentos estratégicos mais profundos. Mas não nos devemos importar de servir num posto de soldado apesar de sermos coronéis, ou generais.
É aqui que a consciência se converte em humildade.
Estas atitudes são raras, mas existem.
E não é menos verdade que só são assumidas por HOMENS.

11 fevereiro, 2009

Seremos implacáveis....

Seremos implacáveis…..

O Mundo de dia para dia vai-nos trazendo notícias que só servem para aumentar a nossa preocupação.
Vivemos hoje uma vida tão intranquila, que o sonho que fomos mantendo durante tantos e tantos anos na previsão do nosso futuro como Homens, está a desmoronar-se com a rapidez de um castelo de cartas em cima de uma mesa, num dia de terramoto.
Encontrar culpados para justificar esta situação é talvez a tarefa mais fácil.
O mais difícil é encontrar soluções para corrigir os erros.
Goste-se ou não dos Estados Unidos, goste-se ou não do seu actual Presidente, Barack Obama, a questão é que este jovem, assim que tomou posse não perdeu tempo a decidir que todos os gestores de empresas que recorrem a fundos estatais, não podem auferir mais do que 390.000 euros ano.
E em Portugal? Será que tudo se vai manter como até aqui? Será que vamos continuar a ver gestores de grandes empresas a “abotoar-se” com vencimentos chorudos e prémios quase idênticos sendo que nalguns casos até superiores aos dos americanos?
Será que empresas vão continuar a despedir funcionários por dificuldades de consumo de mercado e por dificuldades económicas, enquanto os patrões/gestores continuam a viver uma tranquila vida em festas e festinhas de arromba e a gastar grandes fortunas ao longo de todo um ano?
Não sou dos que pensam que não deve haver patrões. Não sou dos que pensam que não deve haver ricos. Toda a vida houve gente assim, e tem que continuar a haver.
Mas também é certo que sempre houve ricos que souberam respeitar e ajudar os pobres, e ricos houve que só não os exploraram mais porque eles não deixaram.
Toda a vida houve gente que mandou e gente mandada. Mas também é verdade que houve gente que mandou sem saber mandar e gente que obedeceu sem questionar o que quer que fosse, porque essa é a sua cultura.
Talvez por tudo isso, hoje estamos a viver e a conviver lado a lado com pessoas que por força das circunstâncias e com as responsabilidades que lhes atribuíram, só nos trouxeram problemas, dificuldades, incompreensões, incompetências e arrogância.
O momento é muito crítico e as dificuldades da vida ainda se irão degradar mais ao longo do ano que estamos a viver. Talvez o meu pessimismo seja em demasia, mas a questão é que acredito que nem 2010 vai ser um ano positivo. Talvez pelo contrário.
A questão neste momento reside em conseguirmos obter um conjunto de vantagens que nos permita a curto prazo diminuir os danos colaterais. A forma mais fácil é levando a cabo o lema do nosso Povo: A união faz a força.
Este ano teremos nada mais do que três actos eleitorais.
Eleições para o Parlamento Europeu, para a Assembleia da República, donde sairá o próximo Governo para mais quatro anos de grandes decisões, e eleições Autárquicas, aquelas que mais directamente e de mais perto nos tocam a todos nós.
Este, ainda não será certamente o momento para trazer a discussão decisões ou ideias. Deixemos passar mais algum tempo, pois certamente virão aí posturas publicitadas como excelentes e inovadoras e de cariz social, procurando assim desta forma tentar recolher simpatias e adeptos, que é como quem diz votos.
Aqui, estaremos atentos a tudo isso para aplaudir o que for positivo e criticar o que entendermos ser negativo. Seremos implacáveis nas críticas a incompetentes e esbanjadores.
Mas uma coisa é certa, nada nos moverá de emitirmos a nossa opinião.






02 fevereiro, 2009

ATENTADOS…OU NÃO…


NOTA: Este post pretendia ser apenas um comentário a colocar n’ O BLOGUE DO CASTELO, a propósito da pergunta colocada no passado Domingo, 1 de Fevereiro “Os atentados são relativos… ou não?” na sequência de outro post quase imediatamente antes, “Almeida antiga”. Como o número de caracteres excedia o permitido por aquele blogue, publica-se aqui, com o pedido de desculpas ao autor desse blogue.

A recuperação ou reconstrução do passado histórico envolve sempre alguma subjectividade, seja numa perspectiva escrita dos factos (a História), seja na preservação e reconstituição do património arquitectónico. Só para ilustrar este último, lembremo-nos que no dealbar da 1ª República, todos os castelos bem como a maior parte dos grandes monumentos se encontravam muito degradados. Com a necessidade da solidificação do Novo Regime, houve um autêntica febre de reconstruções a todos os níveis, sendo exemplo muitas das igrejas antigas e todos, mas todos os castelos que hoje em dia conhecemos relativamente “bem conservados”. Almeida também foi alvo dessas reconstruções nos anos 30/40 do Séc. XX.
Basta olhar para os postais do início desse século e comparar com o que nos ficou e que foi finalizado nos anos 60. O caso das guaritas da fortaleza foi uma das últimas reconstruções, tendo muitas delas sido construídas de raiz, excepto a sua base que se encontrava “encaixada” na cantaria da muralhas, no seus vértices ou no seu pano rectilíneo. A alteração efectuada na zona da muralha sob o fosso da “Horta do Governador”, em frente do Revelim dos Amores, ocorreu nessa época. E qual a razão de derrubarem os “portelos” que ali existiam e construírem a guarita que ora lá se encontra? Essa alteração pode não ser consensual, mas quem o fez teve em conta que lá teria existido eventualmente uma guarita, pelo menos, se a memória não me falha, ali havia a sua base granítica e, em época remota, ou foi abandonada a sua construção, ou posteriormente foi derrubada para a construção dos ditos “portelos” que deveriam dar acesso ou a umas latrinas ou um palanque sobre o fosso. Portanto, ambas as opções reconstrutivas poderiam ser admissíveis…
As marcas deixadas em várias épocas numa determinada construção ou conjunto monumental, não são de rejeitar liminarmente. Ao fim e ao cabo, não deixam de ser testemunhos da sociedade humana que ali habitou, fazendo parte da História e que convém preservar para a sua apreensão.
Questiona-se, por exemplo, em Almeida a construção do depósito da água que constrasta com toda a construção do monumento e que hoje, não obstante interferir no recorte do céu, ou “skyline”, faz parte da memória colectiva dos almeidenses. Há, contudo, que ter em conta vários factores, nomeadamente a contingência técnica, na época em que foi construído, de o abastecimento de um bem tão precioso como é água ter que forçosamente ser feito a partir de um ponto mais alto; hoje em dia há soluções técnicas que evitam construir depósitos em locais elevados sobre o casario. Contudo, e se analisarmos bem, verificamos que houve alguma preocupação estética na integração mínima com o ambiente envolvente, nomeadamente, a torre do relógio, as muralhas e a memória de ali perto ter existido um castelo com sua torre de menagem. O depósito não foi construído nem em betão armado, nem com uns inestéticos, mas funcionais pilares, de construção simplificada e mais baratos, com as encanações à vista, como em muitos outros lados. Houve mesmo o cuidado de serem edificadas a meia altura umas varandas, numa aproximação estética aos balcões da arquitectura acastelada medieval…
Saltando para a actualidade e as construções que ora se têm feito e se pretendem efectuar, e que tanta controvérsia têm levantado, convém recordar que a vila intramuros não é um núcleo histórico em espaço aberto, como em muitos locais, mas constitui só por si todo um centro histórico, muito bem definido e que VALE POR ISSO MESMO, sendo a sua manutenção, conservação e restauro, um factor essencial de potencial desenvolvimento económico local, mas sobretudo de preservação da sua importância histórica. Chamem-lhe vila-museu, ou o que se quiser, mas se não houver uma arquitectura integrada com o todo envolvente, a sua identidade como praça-forte e local histórico que marca a diferença em relação a outros sítios, e orgulho dos seus habitantes, inevitavelmente se vai perder. E é com alguma razão que se podem chamar de mamarrachos as obras que muitos contestam.
Construir moderno, não tem que ser desintegrado. Repare-se no novo edifício da futura biblioteca municipal. Alguém contesta a sua arquitectura, alguém diz que o edificado choca com o envolvente? Haja algum bom-senso e compare-se com o edifício da Praça da Liberdade, das pirâmides sobre as Portas de Santo António, o buraco e a decoração azulejada da chamada “Porta nova”, ou o que se está a construir nas Casamatas e no que se pretende fazer um pouco por toda aérea da Praça de Guerra. Não há comparações possíveis! Se houver persistência nesses modelos construtivos e não se alterar os já finalizados, Almeida vai ficar sempre a perder . E, mesmo que as pessoas se venham a habituar a essas desfasadas construções, infelizmente se cumpre o ditado popular : ”quem feio ama, bonito lhe parece”.

Rui Brito da Fonseca

28 janeiro, 2009

AINDA SOBRE OS "TRANSTORNOS" DA HISTÓRIA...


A propósito da febre interventiva no património histórico em Almeida, vale a pena ler e reflectir bem no teor desta notícia publicada no” Jornal de Notícias” de 13 de Janeiro corrente. (Clicar sobre o artigo, para ampliar a imagem e ler. Para regressar ao blog, clicar de novo em cima da seta, no canto superior esquerdo) Daqui poderemos tirar algumas ilações, nomeadamente da positiva dinâmica por parte da Câmara Municipal de Elvas. Inevitavelmente, transportando-nos para a nossa Almeida não deixamos de nos entristecer com a diferença de métodos e acções…

Também dá para pensar a notícia de 20 Janeiro no “Global Notícias” onde se refere a criação para Março da associação nacional do movimento "Slow Cities", no Algarve. O movimento, que se iniciou em 1999, em Itália, pretende a defesa dos valores tradicionais que englobam não só o património como a gastronomia. A responsável pelo movimento em Portugal, sintetiza : "não estamos de modo algum contra a evolução, mas queremos combater a globalização no seu pior sentido, porque conduz à uniformização e por consequência à mediocridade".

É a tal onda de modernidade globalizante que se está a abater sobre Almeida, que a está a descaracterizar, a roubar-lhe aos poucos a sua identidade. Como tal, é necessário e urgente todos termos consciência desse perigo e das consequências da degradação ou apressada intervenção sobre o património – seja a pretexto de prazos para fundos perdidos… ou outros! E, por isso mesmo, devem os Almeidenses ter uma palavra a dizer sobre o rumo que pretendem para a sua terra!

Rui Brito Fonseca

21 janeiro, 2009

A MAGIA E OS “TRANSTORNOS” DA HISTÓRIA

A magia do tempo de Natal que nas grandes cidades é mais visível em actos de consumismo exacerbado, nas pequenas localidades da nossa Beira tem outro sabor e se for em Almeida… outra alma.Todos os almeidenses, residentes ou na diáspora pelo país ou pelos quatro cantos no mundo, sabem bem isso, e falar nesse tema é para eles um exercício de nostalgia com mistura de felicidade que fugazmente se dilui na realidade do tempo actual.Pensei em vir exactamente relembrar os tempos já idos da nossa infância ou juventude, mas a revoltante sensação do que fui encontrar em Almeida neste Natal fez-me arredar desse propósito.

O desespero que senti ao ver as Casamatas esventradas, lajeados de original cantaria granítica removidos, dilacerados por martelo pneumático, próteses nas coberturas em granito rectilíneo e aparelhado, contrastando com o tosco e forte antigo; asnas, vigas,estruturas metálicas prontas a ser colocadas sobre um inventado chão na parte das coberturas…não pode deixar de me causar uma grande indignação e repulsa por tamanha adulteração do nosso património histórico original.






Já polémica tinha sido a opção de desaterrar e assim deixar todas as estruturas das coberturas à mostra, como se nunca devessem ser tapadas, tendo havido diversos especialistas que afirmaram não ser essa a melhor opção. Depois, ao climatizar parte das salas subterrâneas (que agora deixaram de o ser) para ali se montar um museu com outras valências, esquecendo que o sítio é histórico e tem uma história de tragédia a contar, retirando todo o ambiente soturno, frio e húmido, que lhe é próprio, estão a alterar toda a ambiência essencial para fazer sentir ao visitante o que no local existiu, relembrando os homens, militares ou civis, mulheres e crianças que ali sofreram atribulações de toda a espécie, adulterando essas mesmas possibilidades de musealização genuína.

Para finalizar, a cereja em cima do bolo: a construção de uma cafetaria em vidro e aço bem destacada no Baluarte de S.João de Deus! Nem dá para acreditar em tanto e tanto disparate junto! E o que mais impressiona é o IGESPAR ter aceitado tudo isso, apesar da oposição, reiterada da Delegação de Castelo Branco e do seu director, pelo que se torna responsável máximo por essa obra parola, de uma atroz ostentação e, mais que tudo, destruidora das características arquitectónicas e da autêntica função militar para que as Casamatas foram construídas. É inqualificável o que se está fazer e o mais que se pretende fazer em Almeida !


Pode ser a minha voz tida apenas como um pregar no deserto, mas penso que transmite também o sentir de muitos dos almeidenses. E, se a opinião dos almeidenses não conta nada junto aos senhores que têm proposto estes desarranjos continuados com a argumentação de que são valorativos, e que há que encravar o moderno no antigo, tudo desfeando e adulterando, a solução terá que ser pôr essa gente fora dos lugares de decisão e apoiar quem efectivamente dê mostras de respeitar a cultura local, as suas tradições, memórias e anseios de uma população que quer o desenvolvimento efectivo, mas não um engodo dele para turista ver.

Rui Brito Fonseca

17 janeiro, 2009

ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE ALMEIDA


Sempre foi vontade dos Autores do Almeida Fórum publicarem as actas das reuniões da Assembleia Municipal e do Executivo.
Por falta de disponibilidade não o conseguimos fazer, apesar dos nossos pedidos constantes a diversos Deputados da Assembleia Municipal para nos cederem um resumo das mesmas.
Lamentamos também que o site da Câmara só sirva para publicar os eventos que ela própria realiza.
O anterior site,ainda nos mandatos do Dr. Costa Reis, publicava as reuniões do Executivo da Câmara. Infelizmente este executivo, alterou-o para quê? Se foi só para publicar ou publicitar os tais eventos e não informar os munícipes de tudo o que acontece dentro daquelas paredes, respeitando a transparência politica em todas as suas vertentes, então não valeu a pena a alteração do site. Outros desenhos porventura mais engraçados, outra estrutura, outra imagem, para quê? Nós queremos é ser devidamente informados. Temos esse direito também.
Por gentileza do Prof. Vítor Almeida publicamos a seguir um resumo de uma reunião da Assembleia Municipal, deixando aqui um apelo ao mesmo, para que nos elabore os resumos das próximas. Ficaremos gratos, nós e todos os Almeidenses que habitam aqui no nosso Concelho e espalhados por esse Mundo também.



Vitor Almeida a 2 de Janeiro de 2009.

…Na última Assembleia Municipal, entre outras coisas de grande interesse para o Concelho, o membro Dr. Matias lançou uma ideia/proposta que, no meu entendimento, é muito feliz e poderia muito bem dar uma resposta estratégica a este problema bem como a outros! Ideia que o Presidente da Câmara não entendeu, sempre receoso de que as intervenções são ataques, desenvolvendo assim um constante sentimento de perseguição pessoal, enfim… que pena! A ideia é brilhante por ser eficaz e simples. A Câmara Municipal adquiriria alguns dos edifícios que se encontram ou em ruínas ou desabitados e, aproveitando os serviços técnicos e mão-de-obra, construiria casas sociais e casas para turismo rural. Por um lado daria uma resposta social condigna sem necessidade de construir “caixotes” para albergar os mais desfavorecidos, ao mesmo tempo recuperava grande parte das ruínas dos imóveis do interior /muralhas, criando condições para existir mais “Vida” no seu interior. Por último poderia arrecadar algumas receitas que tão escassas andam!

Já agora aproveito para informar, desta forma, outras intervenções na referida Assembleia:

• Sobre o principal ponto da ordem de trabalhos, Orçamento para 2009, ocorre-me dizer que o documento apresentado ao executivo não foi o mesmo apresentado aos membros da Assembleia!
O curioso é que esta situação não mereceu uma explicação do Presidente.
Foi graças aos representantes do PS no executivo e às suas orientações e criticas sobre gralhas graves que o documento final do Orçamento, pôde chegar à Assembleia. Por outro lado, podia referir aqui muitas críticas/observações apresentadas ao Orçamento, brilhantemente apresentadas nas intervenções dos membros: Frias, Escaleira, Ricardo, Patrício, entre outros, mas, no seu conjunto , podem concluir-se na seguinte ideia: muitas rubricas abertas, pouco dinheiro… muito dinheiro canalizado para a “Municipia” (Empresa Municipalista)!
Se não houver apoio do Estado nenhuma obra de vulto!!!!!!!!!!

• Um outro momento que registo, foi aquele em que após uma clara e pertinente intervenção sobre documentos técnicos, por parte do membro Frias, o Presidente novamente fez estalar o verniz exaltou-se e chamou pessoal técnico por não saber dar uma resposta… Concluindo-se que o Sr.Frias tinha razão sobre a situação do empréstimo anterior, não fazer parte do actual orçamento… (mais uma!).

• Sobre a minha intervenção relativamente ao “arame farpado e lixo de toda a espécie” nas muralhas bem como a situação dos arrendatários dos fossos, novamente o Presidente mostrou um comportamento de sentimento de perseguição e passou ao ataque não percebendo que a minha intervenção era construtiva. Apenas estava a lembrar que do total de 10 arrendatários apenas existe um com vida!
Em resposta referiu que o Vice-Presidente estava a contactar as pessoas (espero que não ande a contactar os mortos!!!!!!). E que como não era jurista não podia dar resposta à situação!
No mínimo ridículo, o que vos parece?!
Sobre o bar do Picadeiro, nada… conclusão, ainda não vai abrir!

O Sr. Eng. Patrício esteve brilhante também quando saiu em defesa do Ministro da Agricultura. Lembrou a todos os presentes que o último grupo de Sapadores se ficou a dever à colaboração de quase todos e em particular dele e do Ministro.
Colocou assim a ridículo a presunção do feito ser só deles…Câmara Municipal.


• Da parte da bancada da CDU.
O Presidente de Freguesia, muito morno, foi colocando algumas questões de interesse mas sem se chatear muito, num ponto importante nem obteve resposta! Mas tudo bem!
O colega Zé Vaz, esse sim, foi altivo mas para quê? Para criticar o Governo da nação!
No mínimo ridículo, mas é mais do mesmo!

• Já a finalizar a sessão o amigo de Castelo Bom, membro da bancada PSD fez uma intervenção que de tão bizarra não a consigo adjectivar. Referiu que os membros do PS manipulam todas as intervenções gastando por isso muito tempo????


O bizarro disto é que os membros da bancada PSD entram mudos e saem calados… também mais do mesmo!

Vítor Almeida

13 janeiro, 2009

46664 - Parte II

Em Agosto de 1962 Nelson Mandela foi preso após informações da CIA à polícia sul-africana, tendo sido sentenciado a 5 anos de prisão por viajar ilegalmente ao exterior e incentivar greves. Em 12 de Junho de 1964 foi sentenciado novamente, desta vez a prisão perpétua (apesar de ter escapado de uma pena de enforcamento), por planear acções armadas, em particular sabotagem (o que Mandela admite) e conspiração para ajudar outros países a invadir a África do Sul (o que Mandela nega). No decorrer dos vinte e seis anos seguintes, Mandela tornou-se de tal modo associado à oposição ao apartheid, que o clamor "Libertem Nelson Mandela" se tornou bandeira de todas as campanhas e grupos anti apartheid ao redor do mundo.
Nelson Mandela recebeu em 1989 o Prémio Internacional Al-Gaddafi de Direitos Humanos.
Ele e Frederik de Klerk dividiram o Prémio Nobel da paz em 1993.

Em Portugal felizmente podemos afirmar que em 25 de Abril de 1974 houve uma mudança de regime, terminando um regime autoritário e ditatorial e implantando-se o regime democrático, aliás como todos nós sabemos. No entanto, podemos afirmar que este é ainda muito jovem, que a nossa vivência em termos de respeito pela liberdade da pessoa humana, de respeito pelos direitos humanos até, enfim, pela opinião divergente desta ou daquela pessoa, ainda não está implantada de uma forma natural na nossa vivência. Quero acreditar que só nas novas gerações, talvez dos nossos filhos e netos, é que se irá respirar democracia e liberdade com naturalidade, e se aceitarão as opiniões e críticas contrárias sem qualquer tipo de preconceitos.
Hoje, ainda não.
Hoje ainda existem tiques ditatoriais, aqui e ali, ainda se verificam atitudes contrárias à livre expressão de opiniões e críticas, ainda se observam actos, cada vez mais raros. É verdade. Retaliações por atitudes e expressões contrárias às nossas ideias ou ideais. Sejamos claros neste raciocínio e reconheçamos que é verdade.
Quando recebo missivas, de certa forma ameaçadoras, por parte de quem detém o poder no nosso Concelho, só pelo facto de divergir e criticar a forma de estar e actuar de organismos públicos, leia-se Partido Politico; quando eu próprio sofro na pele represálias que são do domínio público, pelo menos foram publicadas neste blog, por ter uma opinião contrária ou divergente do poder autárquico instituído; quando essas represálias não se limitaram ao afastamento do partido no qual militava e defendia os seus ideais, de uma forma quase caciquista, ao ponto de ter sofrido uma tentativa de agressão pelo líder da estrutura partidária do mesmo; quando essas represálias chegam ao ponto de tentar atingir pessoas inocentes e que são estranhas e alheias a uma qualquer discussão ou ao debate de ideias, eu tenho que chegar à conclusão que muito mal vai o nosso conceito de democracia, de liberdade, de direito de livre expressão, eu tenho que afirmar em alto e bom som que não me considero um homem livre.
Não sinto que seja um homem livre no meu País, no meu Concelho, mas não deixarei de lutar por essa liberdade. Isso nunca irá acontecer.
Depois de algum tempo de “recolhimento” e de afastamento da discussão politica pública, do debate de ideias, precisamente pela desilusão que sentia com o já anteriormente referido sistema politico-partidário, cheguei à conclusão que não estaria a ser coerente com o meu DEVER de simples cidadão deste País.
Depois de meditar maduramente sobre tudo que se passou na nossa Sociedade e na nossa Região nos últimos anos, penso que a intenção de me afastar da vida política activa, de “aparecer de vez em quando a dar uns bitaites” (como tem por hábito dizer um amigo meu), de não me meter em candidaturas, em campanhas eleitorais e afins, de me afastar da luta política em si, não era a posição mais correcta, a mais coerente em relação a mim próprio, como Homem, como Almeidense e como Cidadão deste País.

Assim, é com toda a serenidade, que posso afirmar que vou estar outra vez na luta política activa, que vou estar no “terreno” em defesa dos meus ideais e pela minha linha de pensamento, respeitando e defendendo a democracia e a liberdade de todos.
É minha obrigação, pelo respeito que me merecem os meus familiares, os meus amigos e os meus conterrâneos.
Volto com outra vontade, quiçá mais maduro, mais experiente e mais forte.

Penso que seria uma atitude que todos nós habitantes deste Concelho deveríamos assumir, sem receios de qualquer espécie, pois ainda acredito na liberdade e na democracia no meu País.
Assim, e sublinhando a minha actual predisposição, afirmo desde já que quero, e vou estar presente, na próxima luta politica principalmente no que se refere às próximas eleições autárquicas, com todo o entusiasmo, alegria e vontade de servir.


Para Descartes, “age com mais liberdade quem melhor compreende as alternativas em escolha”.

Quanto mais claramente uma alternativa apareça como a verdadeira, mais facilmente se escolhe essa alternativa.

Pessoas que não buscam informações, têm mais dificuldades para identificar as inúmeras alternativas que existem, pois alternativas são frutos da aquisição dessas informações.

Até breve.

João Neves

08 janeiro, 2009

Comentário Livre

Por e-mail, por telefone ou pessoalmente, têm chegado até nós diversos pedidos para que o Almeida Fórum leve determinados temas a debate.

Alguns dos sugeridos são oportunos e interessantes.
Outros há, que é preferível aguardar oportunidade ideal para serem debatidos.

No entanto, procurando não privar aqueles que por um ou outro motivo queiram manifestar a sua opinião sobre um qualquer tema, foi decidido criar este espaço com o nome de “Comentário Livre” , para que cada um possa escrever o que muito bem entender, sem ter que estar sujeito a um tema específico.

Reiteramos mais uma vez a exigência da respeitabilidade de todos, em todos os artigos, para com todos.
Divergências de opinião são importantes para discussão e apuramento de conclusões.
Ofensas pessoais, nem pensar. Não serão publicadas.

31 dezembro, 2008

FELIZ ANO NOVO


Recados e Imagens - Feliz Ano Novo - Orkut

Recados, Gifs e Imagens no Glimboo.com




Feliz Ano de 2009

São os votos dos Autores do

Almeida Forum

05 dezembro, 2008

ENSAIO CONTRA A CEGUEIRA

NOTA PRÉVIA: Ao escrever este artigo, presto homenagem a José Saramago pela inspiração para o título, ao mesmo tempo que rendo tributo à obra deste grande escritor, muitas vezes incompreendido, quando a sua escrita se esforça por transmitir uma profunda preocupação com os desequilíbrios da sociedade humana, na esperança obstinada de que a mesma sociedade identifique e consciencialize a origem dos problemas - para depois fazer algo para os corrigir.

Recordo ainda o impacto negativo que o filme “Blindeness” (inspirado na obra “Ensaio sobre a Cegueira” deste autor) teve nos Estados Unidos, provocando intensa polémica por parte da Federação Nacional de Cegos que, sem o entender, acusou Saramago de retratar os cegos como incapazes e criminosos, bem como a resposta lúcida do escritor ao retorguir calmamente que “a estupidez não escolhe entre cegos e não-cegos”, associando-a a outra bem mais conhecida de todos nós, que “o pior cego é aquele que não quer ver!”


Aviso ainda que o artigo é relativamente extenso. Por isso, quem não gosta de ler ou reflectir com calma, e apenas vem ao blogue à procura de espreitar novidades de Almeida, é preferível desligar já!


***

Por uma questão de lisura com quem nos lê, fiz questão nas primeiras participações de explicar as razões de ruptura com a equipa que actualmente dirige os destinos de Almeida. Podia não o ter feito, mas achei que devia, mesmo sabendo que, de seguida, essa intenção de clareza poderia ser subvertida para explicação de actuação por ressabiamento, problemas não resolvidos e outros desvirtuamentos relacionados. (O que veio a acontecer, embora apenas diminutamente, fazendo jus à perspicácia dos almeidenses!)

Esse é um risco perfeitamente normal para quem se exprime publicamente, mas entendo que o respeito devido às pessoas que procurei empenhadamente motivar e envolver por Almeida, sobretudo as mais cépticas ou as mais renitentes, fosse por prudência ou antigos dissabores, e até as pessoas que testemunharam os sinais desse esforço… mereciam essa explicação. Ainda assim, confesso que a preocupação ficou perfeitamente secundarizada perante a enormidade do ambiente que se vive em Almeida, tristemente lembrando outros tempos de sujeição, perseguição e retaliação que todos agora julgaríamos improváveis.

O favorecimento de apajoadores ou apaniguados tornou-se uma coisa tão comum na sociedade portuguesa que quase ninguém estranha e até acha “legítima”. Já a perseguição às críticas e seus autores, ou mesmo a simples familiares desses, ainda que tenham tentado e esgotado previamente todas as vias do diálogo, deveria merecer de todos os cidadãos livres e esclarecidos a maior repulsa e indignação, no entanto, lamentavelmente, por acomodamento, conivência ou simples cegueira, nem sempre alcançam a gravidade desse atentado à dignidade humana e à democracia!

Bem sei que o aproximar de eleições é propício a esse clima. Sobretudo quando tantas forças são postas em jogo e em que não vencer, pelo menos para alguns, parece hipótese fora de questão. Quanto aos cidadãos comuns, não é tanto por motivos de vitórias partidárias, mas talvez por pacatez, indiferença, sobrevivência e cumplicidade de interesses, que parecem ficar imunes a uma visão e vontade próprias. (E que conveniente que isso é para os que se sentem detentores do poder!...)

No entanto, foi precisamente esse clima de intimidação e cobardia que veio reforçar a anterior convicção de que quem não aceita as prepotências como legítimas… NÃO deve vergar-se!

Por isso, ao contrário do que chega a ser insinuado, aqueles que dão a cara neste blogue pelo seu descontentamento com o rumo que Almeida tomou não são pessoas ressabiadas. Magoadas, sim. Desiludidas, certamente. Porque
apesar de se terem afastado, preferiam ter podido colaborar em acções positivas por Almeida! No entanto, foram forçadas a escolher entre a falta de dignidade ou a voz da sua consciência com cara levantada – e, obviamente, só podiam rejeitar a primeira.

O que não significa é que as razões das críticas assim desapareçam ou que o afastamento passe a significar desinteresse! Daí a manutenção das suas críticas, por coerência com as suas convicções e falta de alternativa perante o autismo e a arrogância instalados!

Nunca me motivou a luta partidária como tal: observo-a, atenta, como forma de discernimento relativamente ao mundo que me rodeia. Tal como muitos portugueses, desilude-me ver os sucessivos governos a culpar o anterior pelas dificuldades e fracassos. Tantas vezes esse filme passou que era tempo de termos aprendido alguma coisa com ele - e exigirmos políticos diferentes, mais competentes e com obrigação de respeitar efectivamente quem os elege e lhes paga o salário.

Em Almeida, terra onde sempre nos interessamos pelos problemas e potencial, emprestando colaboração sempre que possível, nunca me viram ou ouviram a criticar abertamente este ou aquele executivo, ainda que reconhecendo algumas falhas que todos têm e tiveram. Mesmo assistindo, diversas vezes, ao passar de oportunidades, optei por fazer as observações ou reparos directamente junto dos interlocutores responsáveis, sem que nunca fosse molestada ou marginalizada por isso, conseguindo manter sempre os níveis de cordialidade e transparência com todos, sem trair as minhas próprias opiniões ou precisar de fingir-me alheada com o que se passava.

Porque haveria agora de ser de outro modo? Perante os sinais, não estava nas nossas mãos a possibilidade de ocultar as opiniões e alinhar de fachada ou de bandeja como tantas vezes vejo fazer? Decerto que sim.

Então, antes de alguém volte a usar o termo de “bota-abaixo” para este blogue, gostaria de lembrar que ele está aberto a todos os elogios que os participantes queiram fazer também sobre a forma como os destinos de Almeida estão a ser tratados. Se bem que talvez haja pouco que se possa acrescentar aqui à informação que sobeja no Boletim Municipal… ou que o objectivo deste espaço seja mais um espaço de reflexão e de debate do que de informação, cuja função compete a um jornal, muitas vezes com publicidade paga. Aqui, publicam-se opiniões, trocam-se preocupações, partilham-se ideias. E cada um, dentro das restrições de uma comunicação pública, deve ser livre de expressar as suas.

Pela parte que me toca, estou tranquila: fiz os reconhecimentos em tempo e local próprios, quando acreditei na sua justeza; e se agora não os faço, é porque vi desaparecer o chão de credibilidade e prazo de validade para os mesmos.

Quando descobri este blogue, tocou-me a coragem de um homem só e determinado, contra ventos e marés. Antes de decidir intervir, mantive-me atenta ao seu esforço, procurando o despertar de consciências, atitudes cívicas e empenho pela sua terra, aqui e ali apoiado das participações de cidadãos isolados, em crescendo. Decorridos tantos meses de existência deste espaço, reconhecida por muitos o seu interesse, registada a activa participação, não deixa de surpreender, mesmo assim, a opção de negação das evidências, a constatação de ligeireza ou indiferença que continua a verificar-se em espectadores de bancada, para não falar das incondicionais atitudes de servilismo que, sem muitas razões de convicção, mais parecem “cumprir o seu dever”… a ponto de às vezes suscitar dúvidas: SERÁ QUE ALGUMA VEZ ALMEIDA VAI ABRIR OS OLHOS?!

Justamente porque diversas vezes, em privado ou em público, apelei a um envolvimento activo e solidário por Almeida, (sem que passe pela cabeça de muitos a tristeza que é ver as boas ideias e intenções irem pelo cano abaixo), posso afirmar que dei (demos) muitas mais oportunidades que o simples benefício da dúvida como testemunho de boa-fé! Contudo, hoje, deixou de se poder ignorar, e sobretudo calar, o destino que Almeida merecerá… se não quiser ver, ouvir e sentir por todo o lado a vassalagem, a intimidação e o desalento que são mais que flagrantes!

Sejamos lúcidos: há certamente, no meio de tantas coisas más, algumas que são boas. Mas como um participante anteriormente aqui disse, fazer bem é apenas uma obrigação, já que houve voto de confiança e larga margem para isso. De resto, para além de atitudes de pesporrência e falta de respeito pelos concidadãos, já sobejamente evidentes, se problemas havia, muitos mais foram altiva ou inutilmente criados, outros não seriamente abordados, outros agravados e muitos mais apenas iludidos.

Almeida com tantos problemas… não tem alternativas se não quiser vencer desafios para ter oportunidades! Todos nos orgulhamos de Almeida. Mas os almeidenses não podem ficar-se apenas pelo orgulho na sua terra; devem evoluir para motivos de que se orgulhar, unir-se em torno de uma vontade o mais possível comum e determinada, sem marginalizações, sem retaliações, saindo da resignação, do medo, da apatia ou da cobardia.

Todos nós podíamos ficar calados. Podíamos. Até era mais cómodo… e evitavam-se dissabores. No entanto, as razões para estes ou outros dissabores existem de qualquer modo. E se todos nós que podemos fazer qualquer coisa, nos encolhemos a um canto… fazemos um grande jeito para que tudo fique na mesma!

Se é isso que querem… arcarão com a escolha: explicarão um dia a si mesmos ou aos filhos porque a sua terra optou por fazer que se desenvolvia, encostada a promessas de sombra benigna, em vez de se desenvolver efectivamente, contando com o ânimo, a cabeça e os braços dos seus habitantes.

Só que esse jeito, eu não faço. Por isso, modestamente, com o meu teclado, decidi escrever. Contra a cegueira.


- Têm a palavra os Almeidenses!

Maria Clarinda Moreira

17 novembro, 2008

ERA UMA VEZ...

Era uma vez um reino, não muito longe, apenas distante no tempo, cuja corte gostava muito de festas. As cortes sempre gostaram de festas, entenda-se. Seja porque a governação, sem elas, é uma tremenda chatice, seja porque impressionam o povo que acorre a aplaudir os cortejos a passar, seja porque os folguedos também ajudam a distrair dos problemas e com isso toda a gente parece mais feliz, ou simplesmente porque a realização de festas são sinal de abundância – ou pelo menos é o que se julga…

O povo, a princípio, até apreciava ver aquela gente toda animada que vinha de longe só para vir visitar aquele reino, mas quando a festa acabava, começou a verificar que afinal pouco mais lá ficava que os desperdícios deixados na pressa da partida, que no dia seguinte tudo voltava a ser monótono e vazio, que naquela terra já nenhum outro remédio parecia haver senão esperar pela festa seguinte em que tudo espevitava mas nenhum sortilégio efectivamente melhorava aquele triste viver... e começou a desesperar.

Foi então que surgiram alguns murmúrios de descontentamento. Mas como não passavam de murmúrios, coisa que sempre houve em todas as terras, ninguém ligou muito. Muito menos o rei. Até porque as pessoas não se atreviam a falar mais alto, com medo das orelhas atentas que as iam denunciar e, por isso, as festas foram continuando, cada vez mais animadas… segundo o que se contava.

Entretanto, como festas combinam com espaços enfeitados, não tardou a concluir-se que havia que remodelar todas as salas antigas do palácio, jardins e arredores, convocando-se os conselheiros, com ordens de chamar outros mais reputados, de forma a apresentarem propostas, planos e ideias, para fazer cumprir uma promessa do rei de que haveria de tornar aquele reino o mais famoso de todas as terras próximas e distantes.

Começou então também a lufa-lufa de obras e arranjos, até importação de estátuas, parecendo que o dinheiro jorrava, enquanto o povo, atordoado pelas novidades que surgiam todos os dias, se limitava a coçar a cabeça, não vendo quem é que ia pagar aqueles exageros… embora desconfiando que, como de costume, acabaria por ser ele mesmo através dos seus tributos, sem ao menos sentir que isso iria contribuir em alguma coisa para melhorar a sua luta diária pela sobrevivência.

Porém, a corte pouco se preocupava com isso. Também, pensar nas necessidades do povo não é propriamente prioridade de uma corte, nunca o foi, o importante é “trazê-los pela corda” e “não arrebitarem demasiado cabelo”, comentava-se nos salões, rindo-se uns com os outros. Quando algumas vozes mais indignadas se levantaram, logo o rei as condenou, banindo-as da sua presença e, assim, a maioria foi preferindo o silêncio amordaçado, enquanto outras optaram voluntariamente pelo risco de serem proscritas, passando a enviar os seus protestos por pássaros a voar, sabendo que irão sempre ter a algum lado, ou que há sempre um viajante que acaba por reparar neles.

Por isso, subitamente, lembrando-se do episódio de uma rainha que foi decapitada pelo seu povo que não tinha pão (“Não têm pão? Comam brioches!”, terá comentado com natural frivolidade…), o rei reuniu de emergência a sua corte para, pelo sim pelo não, saber o que fazer a tantos pássaros indignados que começaram a incomodar por todo o lado. E a decisão que dali resultou foi, adivinhem se forem capazes, isso mesmo: que juntariam todos os barões para uma caçada aos pássaros, com o fito de tentar eliminar os vestígios dessa contestação.

O que aconteceu a seguir, ninguém sabe muito bem, pois o desfecho das histórias muitas vezes se perde na noite dos tempos… e cada um desenvolve a sua versão: “Quem conta um conto… acrescenta um ponto”, não é verdade?

- Mas ninguém duvida que com tanto pássaro a voar no céu, sempre algum ou outro atinge o seu destino, embora muitos possam ficar pelo caminho! Daí haver sempre a probabilidade de se cruzarem com um deles e assim poderem ouvir o final desta história de antigamente…

…Se bem que apenas para recordar esses tempos de outrora pois, apesar de continuarem a existir caçadas e caçadores, agora os reis já não governam assim. E qualquer semelhança desta história com a realidade actual, pelo menos em qualquer reino civilizado, não passa de pura imaginação para entreter um serão!

Por Maria Clarinda Moreira
Ilustrações de Adelchi Galloni

29 outubro, 2008

INTERVENÇÕES DESTAS? NÃO, OBRIGADO!

Poderá parecer aos menos avisados munícipes que a defesa do património histórico na sede do município em Almeida ou no concelho é uma questão em que pouco mais há a dizer. Aliás, poderão até outros habitantes do concelho interrogar-se sobre a veemência com que neste blogue se tem abordado este tema, já que essa questão não afecta a sua própria aldeia ou vila e, portanto, até possam “estar-se nas tintas” para o que se passa na sua sede…
Mas não parece que seja assim: já por várias vezes, em participações escritas, tentei transmitir a importância que o património histórico, natural, cinegético e ecológico tem para o concelho. Penso mesmo que é nele que reside a grande parte da sua possibilidade de sobrevivência económica e social, já que a estagnação económica e social das regiões do interior resulta da sua desertificação humana e do facto de as pessoas partirem para onde exista trabalho que lhes possa proporcionar melhor qualidade de vida.

E que potencialidades tem o concelho de modo a travar ou mesmo inverter essa desertificação? Qual a receita que poderá, pelo menos parcialmente, estancar este abandono constante dos residentes que se tem vindo a acentuar?

Activar a economia, investindo na agricultura, na indústria transformadora, no comércio?
Hoje em dia, e ainda mais com os efeitos de globalização, parece não haver dúvidas sobre as hipóteses de se encontrar nestas três áreas de actividade a possibilidade de serem muito mais dinamizadas, a ponto de inverter esta tendência das populações, sobretudo os jovens, de se deslocarem para as cidades.
Vejamos: a agricultura, no nosso concelho, não tem as condições geológicas dos solos ou climatéricas ideais para concorrer com outras regiões, tanto nacionais como comunitárias, no tipo de culturas tradicionais nem de outras, agora de produção em massa. Portanto, a agricultura aqui pode ter alguns nichos de produção restrita, nomeadamente a pecuária e silvicultura, mas pouco mais; a indústria, além da falta de pessoas, tem carência de pessoal qualificado. Uma grande fábrica não pode ser no nosso concelho implantada, pois se inicialmente até seria encarada como uma mais-valia, perspectivando-se como entidade empregadora de uma grande fatia da população activa, imagine-se o desastre social que seria, caso encerrasse… (lembremo-nos dos exemplos da Montebelo em Almeida e da Rhode em Pinhel que provocou um grande abalo social, com centenas de pessoas desempregadas que não tiveram na sua maioria alternativa de mudar para outro emprego). Assim, a hipótese mais viável seria procurar dinamizar pequenas ou médias indústrias e incentivar especificamente as ligadas à produção tradicional local, o que pode bem ser um objectivo por quem tem responsabilidades políticas…

Quanto ao comércio, em todo o concelho, como se sabe, o centro mais marcante desta actividade está na fronteira de Vilar Formoso, que também já viu melhores dias, caracterizado não só pelo movimento rodoviário e pela atracção das gentes de Espanha aos seus mercados e estabelecimentos… mas hoje a carecer de outras estratégias, que seria muito importante repensar!
- Qual é, então, a área mais agregadora de esforços em que se deverá apostar para que haja alguma dinamização e possa ser o volte-face da situação actual, resultando na criação de condições de fixação de alguma população?
Todos os analistas que se têm debruçado sobre esta problemática parecem unânimes em privilegiarem o turismo como a aposta mais forte, a pedra de toque para melhorar o nível económico das populações, motivando-as a fixar-se localmente, evitando a sua contínua fuga para o litoral ou para o estrangeiro.
Ora, para haver turismo tem que haver visitantes. E a estes o que os atrai para se deslocarem e permanecerem em Almeida e no seu concelho? Naturalmente aquilo que possui como autêntico, e deve ser preservado, bem como outras valências que possam ser criadas ou melhor aproveitadas e lhe são complementares. O que possuímos em todo o concelho é um conjunto diversificado do património que pode constituir uma rede de pontos de atracção únicos e genuínos para os visitantes.
E nele incluído, a vertente do património histórico-natural que ressalta por várias freguesias no concelho, com um expoente na sede do município, onde está implantada uma fortaleza, relativamente bem conservada que, pela sua grandiosidade e tipo de construção, a todos surpreende e, pela sua identidade e harmonia arquitectónica, é uma mais-valia histórica invulgar que atrai visitantes, os quais poderão despender algum dinheiro se houver em que o gastar, ou permanecer na região, simplesmente em lazer, a rever memórias ou a descansar do bulício das cidades. E naturalmente procurarão bens que sejam os mais típicos da região ou relacionados com a sua história e tradição, pois não irão adquirir algo que normalmente têm em qualquer loja ou sítio junto das suas residências habituais. E como visitar também abre o apetite ao forasteiro, este mais facilmente ficará seduzido por sabores e receitas tradicionais se existirem locais, inclusive espalhados pelas outras freguesias, bem divulgados, onde se possa bem comer, se se mantiver a qualidade naquilo que apresentam…
Mas o visitante só vem a Almeida, permanece, recomenda a amigos, regressa novamente e aqui gasta dinheiro, se se sentir atraído por algo que valha a pena ver ou usufruir, como lugar único pelas suas características.
... E alguém de bom senso acredita que esse mesmo visitante aprecia a vulgaridade de acrescentos e mamarrachadas nos espaços históricos da vila de Almeida e nos núcleos histórico-naturais de algumas das suas freguesias, que só os descaracterizam?!!!
No entanto, esta vaga delapidadora de um património cultural diferente, praticamente único meio capaz de gerar algum benefício, portanto, de ajudar a fixar pessoas, espalhou já efeitos perversos e ao que parece com muita vontade de continuar. Sem pensar que com ela desaparecem o ambiente e o encanto genuíno que Almeida conheceu e ainda possui! E que vulgarizando ou desfeando qualquer pedaço de história e cultura se está a destruir não só algo magnífico como também economicamente produtivo…
Para que é que Almeida necessita de pirâmides de vidro sobre portas abaluartadas, edifícios modernaços na sua praça de visitas, pórticos com azulejos geometricamente dispostos e outros arremedos de obras de arte? Que mais-valia terá para o Centro Histórico a construção de um edifico no ponto mais elevado da vila, visível, recortando o horizonte, contrastando pela sua forma e modernidade junto das vetustas ruínas do que foi um grandioso castelo medieval, ao lado do antigo cemitério?

Em que vai valorizar Almeida um monumento ao 25 de Abril que, pela sua dimensão de implante e contraste, com todo o aparelho de granitos e repuxos, ofusca a monumentalidade da entrada da própria fortaleza e reduz a imponência das suas Portas a um vulgar acesso de qualquer vila ou cidade?

Se há que ordenar o trânsito, se há que precaver acidentes junto ao jardim da pérgola, se existe um desejo de um monumento ao 25 de Abril, será que a melhor solução é atravancar todo o acesso a uma fortaleza histórica… com granitos, tanques e esguichos, numa zona que sempre lutou com falta de água?
Como nos disse um amigo que recentemente visitou Almeida, e agora acompanha todos estes projectos com apreensão pelo efeito perverso que já conheceu de outros lugares, todas estas obras não passam de “arquitetontices”… Mas pior ainda, são desperdiçadoras de verbas que poderiam ser canalizadas para a manutenção e restauros efectivamente valorizadores, tanto do Monumento como de outros lugares de interesse do concelho!
Quando é que os Almeidenses se darão conta destes desvarios e dirão: “BASTA!”???


- O Monumento é nacional, mas nós que aqui vivemos ou lhe estamos intimamente ligados por gerações, devemos ser ouvidos sobre o que nele querem fazer! De outro modo, Almeida e seu concelho, por onde se fizerem intervenções destas, irremediavelmente e cada vez mais, se irá a todos os níveis empobrecendo, em vez de se valorizar. E nós também seremos considerados responsáveis por não pedirmos contas a quem assim (tão mal) decide.

Rui Brito da Fonseca