30 maio, 2008

ENQUANTO OS COMBUSTÍVEIS SOBEM...

Lendo com toda atenção o post do Mário Martinho Jr. fiquei com um sentimento de revolta por tudo o que esta classe politica está a fazer ao Povo Português, mesmo nas sua barbas, sem o minimo de pudor e preconceito, o que leva a questionar-me se ainda terei orgulho em ser português. E este Povo continua com esta passividade toda o que me leva também a afirmar que, agora entendo o porquê deste País ter vivido 40 anos sob o mando do regime ditatorial salazarista...agora entendo.
Mas, parece que há alguém que dá a impressão que acabou de acordar agora e, se bem que ainda se esteja a espreguiçar, lá vai dizendo algumas coisas...mas só espero que assim que estiver bem desperto... diga mais qualquer coisa.

Vejamos.

Cavaco preocupado com desproporções salariais

O Chefe de Estado considera que as grandes deproporções salariais põem em causa a paz e a coesão social.

O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, reiterou hoje a sua preocupação com os elevados rendimentos "desproporcionados" auferidos por altos dirigentes de empresas face aos salários médios dos seus trabalhadores.
O Chefe de Estado, que falava à margem do Congresso Internacional de Inovação Social, recordou que, no seu discurso do 25 de Abril, chamou a atenção para as desigualdades sociais que se verificam em Portugal e que lançou o roteiro sobre a exclusão social para mobilizar a sociedade e os poderes públicos para o combate a esse fenómeno.
"Voltei novamente ao problema das desigualdades na minha mensagem de Ano Novo", afirmou, acrescentando que falou sobre a "desproporção entre rendimentos de altos dirigentes de empresas face aos salários dos trabalhadores" e que foi objecto de algumas críticas.

Entretanto o Jornal de Noticias publicava o texto a seguir transcrito e espero que o nosso Presidente da República o tenha lido também...e nos leve a todos nós a estarmos cientes do que os nossos politicos e politiqueiros nos fazem todos os dias...para além de subirem os combustíveis.

Ora, leiam...

Abonos podem duplicar vencimento mensal

Em Portugal, os deputados ganham 3708 € de salário-base, o que corresponde a 50% do vencimento do PR. Os subsídios de férias e de Natal são pagos em Junho e em Novembro e têm direito a 10% do salário para despesas de representação. Como também lhes são pagos abonos de transporte entre a residência e São Bento uma vez por semana, e por cada deslocação semanal ao círculo de eleição, um deputado do Porto, por exemplo, pode receber mais 2.000 €, além do ordenado.
De acordo com o "Manual do Deputado", os representantes do povo podem estar no regime de dedicação exclusiva e acumularem com o pagamento de direitos de autor, conferências, palestras, cursos breves, etc.
Como o fim da subvenção vitalícia irá abranger somente os deputados eleitos em 2009, os que perfaçam até ao final da legislatura 12 anos de funções (consecutivos ou intervalados) ainda a recebem, mas com menor valor.
Quem já tinha 12 anos de funções quando a lei entrou em vigor ─ em Outubro de 2005 ─ terá uma subvenção vitalícia de 48% do ordenado base ─ pelo actual valor, quase 1.850 € ─ logo que completar 55 anos.
O Governo acautelou assim a situação de parte dos deputados do PS eleitos em 1995, com a 1ª vitória de Guterres, pelo que ao fim de 10 anos de actividade (até 2005) poderão auferir a pensão vitalícia que corresponde a 40% do vencimento-base ─ 10 anos a multiplicar por 4% do vencimento base auferido quando saiu do Parlamento.
A subvenção é cumulável com a pensão de aposentação ou a de reforma até ao valor do salário base de um ministro que é em 2008 de 4.819,94 €. Os subvencionados beneficiam ainda "do regime de previdência social mais favorável aplicável à Função Pública", diz o documento.

Sócrates recebe pensão vitalícia.
José Sócrates tem direito à pensão vitalícia por ter 11 anos de Parlamento. Eleito pela 1ª vez em 1987, esteve 8 anos consecutivos em funções. Secretário de Estado do Ambiente e ministro da pasta nos Governos de Guterres, voltou em Abril de 2002, onde ficou mais 3 anos.
Quem tem e vai ter a subvenção:
Almeida Santos (PS), Manuela Ferreira Leite, Manuel Moreira e Eduarda Azevedo (PSD), Narana Coissoró e Miguel Anacoreta Correia (CDS-PP) e Isabel Castro (PEV) já requereram a subvenção vitalícia.
Outros 31 deputados, 20 dos quais do PS, poderão pedi-la, pois até ao fim de 2009 perfazem 12 anos de mandato, embora só se contabilizem os anos até 2005.
Salário cresceu 77 € num ano.
Em 2007, o vencimento-base de um deputado foi 3.631,40 €. Este ano é de 3.707,65 € , segundo a secretaria-geral da AR. Um aumento de 77 €.
Presidir à AR dá direito a casa.
O presidente da AR recebe 80% do ordenado do PR ─ 5.810 €. Recebe ainda um abono mensal para despesas de representação no valor de 40% do respectivo vencimento 2.950 €, o que perfaz 8.760 €. Usufrui de residência oficial e de um veículo para uso pessoal conduzido por um motorista.
10 têm carro com motorista.
Ao presidente do CA (José Lello), aos 4 vices-presidentes da AR ─ na actual legislatura, Manuel Alegre (PS), Guilherme Silva (PSD), António Filipe (PCP) e Nuno Melo (CDS-PP) ─ e aos líderes parlamentares é disponibilizado um gabinete pessoal, secretário e automóvel com motorista.
Benesses para a Mesa da AR.
Para os 4 vice-presidentes da AR (PS, PSD, CDS e PCP) e para os membros do CA, o abono é de 25% do vencimento 927 €. Os 6 líderes parlamentares e os secretários da Mesa têm de abono 20% do salário: 742 €.
Abono superior ao salário mínimo.

Os vice-presidentes parlamentares com um mínimo de 20 deputados (PS e PSD), os presidentes das comissões permanentes e os vice-secretários da mesa têm de abono 15% do vencimento ─ 555 €.

Mais 129 € do que o salário mínimo nacional.
Direito a uso e porte de arma.
Os governos civis, se solicitados, devem disponibilizar instalações para que os deputados atendam os media ou cidadãos. Os deputados podem transitar livremente pela AR, têm direito a cartão de identificação e passaporte especial e ao direito de uso e porte de arma. Podem também usar, a título gratuito, serviços postais, telecomunicações e redes electrónicas.
Ajudas de custo para os de fora.
Quem reside fora dos concelhos de Lisboa, Oeiras, Cascais, Loures, Sintra, Vila Franca de Xira, Almada, Seixal, Barreiro e Amadora, recebe 1/3 das ajudas de custo fixadas para os membros do Governo (67,24 €) por cada dia de presença em plenário, comissões ou outras reuniões convocadas pelo presidente da AR e mais 2 dias por semana.
Pára-quedistas ficam a ganhar.
Os deputados que residem num círculo diferente daquele por que foram eleitos recebem ajudas de custo, até dois dias por semana, em deslocações que efectuem ao círculo, em trabalho político. Mas também os que, em missão da AR, viajem para fora de Lisboa. No país têm direito a 67,24 € diários ou a 162,36 € por dia se forem em serviço ao estrangeiro.

Viagens pagam todas as semanas.

Quando há plenário, a quantia para despesas de transporte é igual ao número de quilómetros de uma ida e volta semanal entre a residência do parlamentar e S. Bento vezes o número de semanas do mês (4 ou 5) multiplicado pelo valor do quilómetro para deslocações em viatura própria. Uma viagem ao Porto são 600 Km, 5 vezes num mês, dá 3.000l. Como o quilómetro é pago a 0,39 €, o abono desse mês é de 1.170 €.
Viver na capital também dá abono.
Os deputados que residam nos concelhos de Cascais, Barreiro, Vila Franca de Xira, Sintra, Loures, Oeiras, Seixal, Amadora, Almada e Lisboa recebem também segundo a fórmula anterior. Os quilómetros (ida e volta) são multiplicados pelas vezes que esteve em plenário e em comissões, tudo multiplicado por 0,39 €.

Ir às ilhas com bilhetes pagos.

A resolução 57/2004 em vigor, de acordo com a secretaria-geral da AR, estipula que os eleitos pelas regiões autónomas recebem o valor de uma viagem aérea semanal (ida e volta) na classe mais elevada entre o aeroporto e Lisboa, mais o valor da distância do aeroporto à residência. Por exemplo, 512 € (tarifa da TAP para o Funchal com taxas) multiplicados por 4 ou 5o semanas, ou seja, 2.048 €. Mais o número de quilómetros (30, por exemplo) de casa ao aeroporto a dobrar (por ser ida e volta) multiplicado pelas mesmas 4 (ou 5) semanas do mês, e a soma é multiplicada por 0,39 €, o que dá 936 €. Ao todo 2980 €.
Deslocações em trabalho à parte.
Ao salário-base, ajudas de custo, abono de transporte mensal há ainda a somar os montantes pela deslocação semanal em trabalho político ao círculo eleitoral pelo qual se foi eleito. Os deputados eleitos por Bragança ou Vila Real são os mais abonados.
Almoço a menos de cinco €.
Os deputados e assessores que transitoriamente trabalham para os grupos parlamentares pagam 4,65 € de almoço, que inclui sopa, prato principal, sobremesa ou fruta. E salada à discrição. Um aumento de 0,10 € desde 2006. Nos bares, um café custa 0,25 €, uma garrafa de 1,5 l de água mineral 0,33 € e uma sandes de queijo 0,45 €.
Imunidade face à lei da Justiça.

Não responde civil, criminal ou disciplinarmente pelos votos e opiniões que emitir em funções e por causa delas. Não pode ser detido ou preso sem autorização da AR, salvo por crime punível com pena de prisão superior a 3 anos e em flagrante delito. Indiciado por despacho de pronúncia ou equivalente, a AR decidirá se deve ou não ser suspenso para acompanhar o processo. Não pode, sem autorização da AR, ser jurado, perito ou testemunha nem ser ouvido como declarante nem como arguido, excepto neste caso quando preso em flagrante delito ou suspeito do crime a que corresponde pena superior a 3 anos.
Justificações para substituição.
Doença prolongada, licença por maternidade ou paternidade; seguimento de processo judicial ou outro invocado na Comissão de Ética, é considerado justificado.
Suspensão pode ir até dez meses.
Pedida à Comissão de Ética, deve ser inferior a 50 dias por sessão legislativa e a 10 meses por legislatura. Um autarca a tempo inteiro ou a meio tempo só pode suspender o mandato por menos de 180 dias.

E eu que digo?
Nada...ou quando muito...acho que ainda temos direito à indignação...isto é se a ASAE deixar...
Digo eu...e estranhava eu por aparecerem 4 candidatos à presidência de um partido politico...ora bem, assim também eu...

João Neves

29 maio, 2008

Eleições no PPD/PSD

Dentro de poucas horas o PPD/PSD vai mais uma vez proceder à eleição de mais um Presidente do partido.
Uma situação que cada vez mais começa a ser usual, mas ao mesmo tempo cada vez mais prejudicial ao funcionamento e imagem do partido.
Dos quatro candidatos, quer-me parecer que apenas três poderão aspirar a uma vitória, ainda que para um (refiro-me a Santana Lopes), será muito difícil tendo em conta o seu passado recente. Patinho Antão quer-me parecer fora dos favoritos.
Assim, temos Ferreira Leite e Passos Coelho.
Em relação à primeira, já me pronunciei num post aqui publicado. Em relação a Passos Coelho, parece-me ser um candidato credível e com futuro assegurado no PPD/PSD. Trata-se de um jovem com carisma, com vontade de vencer, com ideias justas e possui ainda um atributo importante, é um jovem.
Quando dizemos que os políticos de agora estão desajustados da realidade do Povo, temos cada vez mais que apostar em gente nova. Nova na idade, e nas responsabilidades a assumir.
Passos Coelho já demonstrou ser um forte líder quando responsável máximo da JSD.
Com forte possibilidade de o PS conseguir uma vitória nas próximas eleições legistalivas, torna-se imperioso que o PPD/PSD aposte num líder renovado, sem rabos de saia na governação e capaz de na Assembleia da República liderar um grupo coeso.
Mas o próximo líder vai a muito curto prazo ter novos e grandes desafios. As eleições europeias, autárquicas e as legislativas. Mas o desafio não é só para ele, é também para todo o PPD/PSD.
Nesta altura as divergências de opinião são salutares e só vêm demonstrar que este partido é composto por gente que pensa por si. Após a eleição, e conhecido o líder, então aí voltamos a ter que estar todos no mesmo lado, ou seja do lado dele, e defender os ideais da Social Democracia. Contrariamente ao que alguns afirmam, para o PPD/PSD não há inimigos. Há adversários.
E não nos esqueçamos de um pormenor. Para os vencer, temos que os respeitar.
Não vou votar porque não pago quotas.
Recuso-me determinantemente a pagá-las só pela razão de que o valor é enviado para sede nacional. O dia em que forem pagas na secção concelhia e o dinheiro ficar para proveito da mesma, aí sim, serei dos primeiros a perfilar-me.
Caberá aos militantes do partido fazerem a melhor escolha, mas não nos esqueçamos que não é só para nós, é também para o País.

26 maio, 2008

MUSEALIZAÇÃO DAS CASAMATAS DE ALMEIDA - QUE INTEGRAÇÃO?

Porque pensamos que é um assunto pertinente e que nos interessa a todos, uma vez que se trata do NOSSO Patrimonio, aqui se publica o Artigo publicado no último número do Jornal Mensal Praça Alta, pelo Dr. Rui Brito da Fonseca.
Pessoalmente, congratulo-me por, de certa forma, estarmos os dois em consonância, principalmente no que diz respeito a um apêlo que tenho feito aos poderes que lideram as nossas vidas, ou seja: Não toquem, não mexam mais no nosso Monumento. Limpem-no, restaurem-no, mas, POR FAVOR, não lhe acrescentem mais nada. Ele é lindo e fabuloso assim como está. A Estrela de Pedra é deslumbrante assim como está. Só assim o poderemos admirar e...senti-lo!



MUSEALIZAÇÃO DAS CASAMATAS DE ALMEIDA – QUE INTEGRAÇÃO?

Sobre o projecto de intervenção nas Casamatas, sem querer entrar no conflito entre a Direcção do IGESPAR e a Câmara Municipal de Almeida, penso que a questão tem uma vertente não considerada, além das opções técnicas que, sendo muito importantes, deveriam ser rigorosamente analisadas - e bem decididas – antes de se intervir naquele espaço.
Pelo que se noticia, as Casamatas da Fortaleza de Almeida estão a ser recondicionadas para ali se instalar um museu histórico-militar e, nessa sequência, se dotar esse espaço, de uma esplanada superior com uma área de cafetaria, elevador de monta-pratos, etc.
A opção já está tomada, o que torna qualquer opinião despicienda, mas haveria a ponderar alguns aspectos em alternativa que, ao que julgo, não foram tidos em conta. Como observei há dias, toda a ambiência que as casamatas tiveram e que nós bem conhecemos, desapareceu. O local está a ser preparado para a instalação de uma panóplia de infra-estruturas adequadas a um acervo museológico, ficando as paredes e abóbadas do espaço original, mas nada da ambiência dos soturnos subterrâneos que ali foram construídos. Recordemo-nos que a Praça-forte tinha nas casamatas um local para abrigo à prova de bomba, artigos vários, mas era também o sítio onde a população e parte da guarnição militar se recolhia durante os bombardeamentos a que a praça de guerra foi sujeita. Ali funcionaram ainda as tenebrosas masmorras durante as lutas liberais, sendo local de tortura e morte e, para quem conhece o local antes desta intervenção em curso, não é necessário um grande exercício de imaginação para impressivamente sentirmos todo o drama que ali se viveu em condições ambientais, físicas e humanas verdadeiramente degradantes.
Um aproveitamento museológico das suas galerias com as suas características de humidade, pouca luz e algidez talvez pudesse resultar numa maior autenticidade e originalidade com a reconstituição da atmosfera de um local tão trágico, refazendo a vivência durante épocas de bombardeamento e o terror que todos os ali recolhidos experimentaram, inclusive com recursos multimédia, enquanto, noutras salas, o tormento das presos liberais sujeitos a tão funestas condições de vida era rememorado em enquadramento fiel. Que outro lugar único, como as casamatas de Almeida para demonstrar sinestesicamente os episódios de que a História desta fortaleza é feita? Desse modo, sim, seria recuperar o local para numa visão histórica do mesmo, que de forma impressionante e pedagógica instruísse o visitante, valorizando o próprio monumento, contribuindo para a perspectiva mais fiel possível com que as casamatas foram construídas.
Tudo leva a crer que a opção tomada de ali construir um museu, permanentemente climatizado por força de conservação das peças expostas, por muito bem organizado que esteja, desvirtua o espaço, pois APENAS O USA SEM O CONTEXTUALIZAR, com todo o potencial e fim para que foi construído, não considerando os custos de manutenção do funcionamento dessa estrutura e os sempre imprevisíveis problemas com avarias. E até o tipo de museu que agora se pretende instalar nas Casamatas, também muito interessante e complementar da história local e nacional, talvez, pudesse sair valorizado num outro espaço do centro histórico, até com outras valências mais flexíveis, sem o ónus da permanente ameaça das infiltrações e humidades.

Rui Brito da Fonseca


in Praça Alta

21 maio, 2008

Debate quinzenal

Acabei de ouvir e ver via TV, mais um debate quinzenal havido na Assembleia da República, onde os diversos grupos parlamentares questionaram o Governo sobre a situação económica que estamos a viver.
Depois de uma primeira intervenção do Primeiro-ministro lançando o tema a debate, foi a vez dos partidos políticos apresentarem as questões pertinentes sobre a matéria.
O PSD através de do seu líder parlamentar, Santana Lopes, não trouxe nada de novo. Duas ou três questões apenas e só para preenchimento do tempo atribuído, sem qualquer questão de fundo pelo meio. Especial relevo para o facto de Santana Lopes disponibilizar ao Primeiro-ministro algum do seu tempo para resposta, já que o governante tinha o seu esgotado, impossibilitando-o assim de justificar algumas das decisões governativas.
A seguir foi a vez do CDS, através de Paulo Portas solicitar alguns esclarecimentos ao Governo. Também aqui José Sócrates se desembaraçou ardilosamente e saiu sem qualquer beliscadura. Neste confronto, a já habitual forma de Portas ir aumentando o seu tom de voz, ao bom estilo de Valentim Loureiro.
As perguntas seguintes a cargo do PCP e do seu secretário-geral, Jerónimo de Sousa.
Perguntas devidamente estudadas, oportunas, colocadas de forma pausada o que acabou por criar algum incómodo a José Sócrates. Astutamente o governante talvez por saber que iria perder ainda mais no confronto, esquivou-se a responder a algumas questões, acabando por divagar em coisas banais. O líder do PCP saiu por cima.
A seguir tocou ao BE pela voz de Francisco Louça, solicitar alguns esclarecimentos. Também se notou que este deputado tinha o trabalho de casa bem feito. As perguntas, algumas das quais relativas aos lucros das petrolíferas e com divulgação de números, mostraram um Primeiro-ministro apanhado em falta. Também aqui preferiu passar “ao lado” e divagar nos ataques que a esquerda prefere fazer ao governo socialista, deixando assim o líder do BE no final com um sorriso agradável.
Tocou a seguir à deputada dos Verdes, de seu nome Apolinária. Saiu-se mal já que acabou por centralizar a sua intervenção numa questão particular de uma Junta de Freguesia. O Primeiro-ministro respondeu-lhe que desconhecia o caso em pormenor, pelo que não lhe ia ali dar uma resposta.
Por fim, e como seria natural, interveio O PS. O seu líder parlamentar acabou por solicitar ao Governo que continue na linha de actuação como o tem feito até agora. O povo português irá agradecer. José Sócrates agradeceu e confirmou, o óbvio.
O poder da televisão é muito grande. As imagens visionadas demonstraram uma vez mais que há demasiada gente naquele espaço.
Ao longo do debate vimos deputados a conversar uns com os outros, sem se importarem com a intervenção dos palestrantes e gente a ler jornais. Na parte final do debate o panorama geral da Assembleia era vergonhoso. Uma boa parte dos deputados já se tinham ausentado do hemiciclo. Será que a mesma Assembleia não funcionaria com metade dos deputados?
Será que alguns deles alguma vez alguma usaram da palavra?
Um exemplo deplorável por parte daqueles que têm a responsabilidade de gerir o país, pagos a peso de ouro e acabando por obter reformas proibitivas para a maioria dos portugueses, em tempo recorde.
Termino deixando uma pergunta.

O que sucederia a um qualquer funcionário público que no seu local de trabalho e durante o horário de expediente, estivesse em cavaqueira com um colega durante largos minutos, a ler um qualquer jornal do dia ou inclusivamente decidisse ausentar-se do trabalho antes de finalizar o dia?

Não são os portugueses que se afastam da política, são estes políticos que nos levam a não acreditar neles.

12 maio, 2008

Carta aberta a ......

Carta aberta a ……..

Não fiquei nada surpreendido com a demissão de Luís Filipe Meneses.
Só alguém com uma personalidade forte e humana, poderia tomar a decisão de deixar a liderança do maior partido da oposição, após seis meses de a ter assumido.
Se eu estivesse no lugar dele, já o teria feito há mais tempo.
A companheira Manuela Ferreira Leite, na apresentação da sua candidatura, a determinado passo do discurso, afirmou “A questão que mais nos deve preocupar, a que é verdadeiramente grave, é o facto de se constatar que perdemos a credibilidade que sempre nos acompanhou no poder ou fora dele”.
Não posso estar mais de acordo. Porque terá sido?

Afirmou ainda “Incomoda-me e muito a falta de respeito com que começam a tratar-nos
Não posso estar mais de acordo. Porque terá sido?

Ainda disse que “O partido está abalado nos seus alicerces e a perder o seu crédito junto da opinião pública”.
Tenho que concordar inteiramente. Mas porque será?

Poderia ainda citar mais algumas das expressões utilizadas, mas bastam apenas e só, estas.

Eu diria que nunca vi tanta hipocrisia junta de uma só vez.
Perdoe-me a minha sinceridade, mas é isso que eu penso.
Aliás, se recuarmos um pouco no tempo, poderemos recordar-nos ainda das suas intervenções públicas aquando da saída de Durão Barroso para Bruxelas e o assumir de Pedro Santana Lopes de um cargo tão importante quanto o de Primeiro Ministro.
Nessa altura houve muita gente que nos faltou ao respeito. Recorda-se?
Eu recordo-me. E mais. Algumas dessas pessoas, eram e ainda são militantes do PSD, que por sinal agora já demonstraram apoio à sua candidatura.
Quando devíamos estar unidos e contentes pelo reconhecimento internacional a Durão Barroso, alguns de nós fomos acérrimos críticos.
Naturalmente a possibilidade de sucesso de Santana Lopes ficou também diminuída de tal forma, que acabámos por dar uma ajudinha ao senhor Presidente da República para poder tomar a decisão que todos conhecemos.
Nessa altura, penso eu, já o PSD estava com graves problemas de identidade.
Se havia tanta gente que não queria ver Luís Filipe Meneses na liderança do partido, porque razões não entraram na luta na altura?
Hoje continua insistentemente a falar da falta de credibilidade do nosso partido perante a opinião pública.
Estava à espera de quê?
Quando militantes tão credenciados (?) como a senhora, Rui Rio, António Capucho, e outros mais, criticam as decisões do Presidente do partido, publicamente e para os média, não me diga que estava à espera que os nossos adversários viessem em defesa de Meneses?
Só pode dar para rir. Melhor… para chorar.

Não tenho dúvidas que a sua candidatura à partida é considerada como vitoriosa.

Mas pergunto, se os seus apoiantes estarão convictos de que a sua imagem pública política tem as condições necessárias para em confronto directo com José Sócrates o poder vencer nas próximas eleições legislativas.
Pessoalmente não acredito.
Aliás como não acredito na vitória de Santana Lopes, a quem apoiei desde sempre, nem tão pouco na vitória de Passos Coelho, ainda muito jovem para estas andanças, mas pelo menos é uma cara nova e de futuro.

Não vou votar nem em si, nem em qualquer outro candidato pelo simples facto de que não pago quotas. Sempre disse que são os partidos que precisam dos militantes e não estes dos partidos. Para estes deveria bastar-lhes as chorudas quantidades de euros que o Estado lhes entrega, em função dos resultados eleitorais. Ao fim ao cabo já lá está dinheiro meu.

Li em tempos num jornal semanário, à semelhança do que sucedeu noutros países europeus, poderia haver a possibilidade de alguns partidos políticos, em Portugal, desaparecerem do espectro parlamentar motivado pela conflituosidade interna.
Cuidado com o que estamos a fazer ao PSD.

Como militante, por enquanto, preocupa-me a situação que estamos a viver.
Pergunto-me se valerá a pena continuar a lutar por uma causa, quando a maioria das pessoas já deixou de acreditar nos partidos por atitudes assumidas por estes.
Hoje dizem uma coisa, amanhã fazem outra.
O País está no que está.
De quem é a culpa?
Dos portugueses ou dos políticos?
Creio que está na hora de reflectir e pensar em criar alternativas a toda esta gente.
É que a demasia em determinados lugares, cria vícios.

E já agora quando se pensa em despedir pessoas por falta de adaptabilidade, má gestão ou excesso de lugares, porque razão os políticos não começam a dar o exemplo começando por se auto avaliarem?

À consideração.

08 maio, 2008

Sem comentários...

Esta foto foi publicada no Jornal Praça Alta, Edição nº 125
de 11 de Outubro de 2005



Esta foto foi tirada, hoje dia 08 de Maio de 2008:



SEM COMENTÁRIOS!

02 maio, 2008

PORTAS DE S. FRANCISCO EM ALMEIDA

Ainda a propósito da efeméride do 25 de Abril e do projecto de requalificação do Largo 25 de Abril em Almeida, tivemos conhecimento que o Jornal “Terras da Beira” publicou uma notícia sobre o descontentamento que o referido projecto está a suscitar entre os Almeidenses.
Aqui se publica na íntegra a referida notícia.

Para quem deseja consultar, o projecto tal como publicamente divulgado pelo Município, está disponível no Boletim Municipal nº 10 de Janeiro de 2008, com versão em pdf no sítio oficial da CMA:

http://www.cm-almeida.pt/boletimmunicipal_files/boletimmunicipal1_files/boletim102008.pdf.


Críticas à requalificação junto às Portas de São Francisco em Almeida.

O projecto de requalificação urbanística do Largo 25 de Abril em Almeida, junto às Portas de São Francisco está a suscitar críticas. Tudo porque o projecto da Câmara Municipal de Almeida prevê a construção de um espelho de água naquela que é considerada a entrada emblemática para aquela vila histórica. O assunto tem sido motivo de conversas entre os almeidenses, inclusivé em blogues na internet.

Os internautas criticam a opção da autarquia receando o aparecimento «de um mamarracho». No blogue “Almeida Forum”, Rui Brito Fonseca refere a propósito da brincadeira do 1 de Abril – que o metro de superficie ia chegar a Almeida - que «há quem teime modernizar à força» a vila de Almeida «tal como se anuncia com o projectado espelho de água à entrada das Portas de São Francisco».

«Ó São Francisco, vê lá bem o que vão fazer perto das tuas portas!», diz o bloguista.

O presidente da Câmara Municipal de Almeida, Batista Ribeiro, explica que não se trata de um espelho de água, mas mais «de um espaço com água». Só que foi com essa designação que o projecto foi apresentado aos munícipes no Boletim Municipal editado no início do ano. «A valorização é pontuada pela introdução de um espelho de água que se inicia no eixo da Porta Magistral de S. Francisco com um lago que, para além do movimento da água, deverá receber um elemento escultório», refere o texto.


O autarca explicou ao TB que o monumento ali a colocar deverá ser alusivo à Revolução dos Cravos, como é vontade da Comissão 25 de Abril, data que dá nome aquele Largo às portas de São Francisco.A requalificação urbanística daquele espaço pretende ser «um complemento» da intervenção que a Estradas de Portugal vai realizar naquele local, onde passa a Estrada Nacional 332. O presidente da Câmara Municipal de Almeida explica que o objectivo é melhorar as condições de segurança dos peões e ordenar o trânsito, evitando a ocorrência de acidentes como já aconteceu.

Com esta intervenção da EP, o Jardim da Pérola será transformado numa placa giratória, obrigando as pessoas a circular em volta. «O jardim vai continuar com as suas funçoes e penso que até vai ficar valorizado, porque toda a envolvente vai ser recuperada», garante o autarca. Em complemento desta intervenção, a autarquia vai concretizar o projecto de autoria dos técnicos da autarquia, que propõe a criação de uma alameda pedonal, com uma parte de água.

A requalificação daquela zona compreende a criação de estacionamentos específicos para veículos ligeiros, autocarros e viaturas de pessoas com mobilidade condicionada.O projecto para o Largo 25 de Abril aguarda um segundo parecer do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (IGESPAR), depois de inicialmente aquele organismo ter emitido uma opinião negativa.

O TB contactou um dos vereadores do PS na Câmara Municipal para saber qual é a opinião sobre o projecto, mas a oposição desconhece o projecto e não se recorda de ter sido debatido nas reuniões de camarárias.




“Terras da Beira”, edição de 17-04-2008




João Neves

24 abril, 2008

25 DE ABRIL DE 1974 - DIA DA LIBERDADE




25 de Abril de 1974







Nesta data, nunca é demais recordar este homem...O Capitão de Abril.

O Homem que me ensinou com o seu exemplo de vida, os caminhos da liberdade e o significado de ser um homem livre.

Até um dia...Capitão!



SALGUEIRO MAIA


Militar, capitão de Abril: 1944-1992




RUMO AO CARMO

Antes do meio-dia, pelo posto de comando, Salgueiro Maia é informado de que Marcelo Caetano está no Carmo. Deixando forças a guardar os ministérios, avança para lá. Quando entra no Rossio, aparece-lhe pela frente uma coluna militar com uma companhia de atiradores que o Governo enviara para fazer frente aos revoltosos. O Capitão salta do seu jipe e vai perguntar ao comandante da coluna o que está ali a fazer. É-lhe respondido que tem ordens para o prender, mas que está com a Revolução. E também esta coluna é integrada nas forças que avançam para o Carmo.

As edições especiais dos jornais começam a circular. O Rossio, a Rua do Carmo, todo o percurso, está cheio de populares que vitoriam os soldados. Os cravos vermelhos começam a ser enfiados nos canos das G-3. É cerca de 12,30. Diz o capitão: «No Carmo, ao chegar houve desde senhoras a abrir portas e janelas para colocar os homens nas posições dominantes sobre o Quartel, até ao simples espectador que enrouquecia a cantar o Hino Nacional. O ambiente que lá se viveu não tem descrição, pois foi de tal maneira belo que depois dele nada de mais digno pode acontecer na vida de uma pessoa».


Após a intimação para que a guarnição se renda e entregue Marcelo Caetano, não sendo obedecido, Maia recebe ordem do posto de comando para abrir fogo sobre o edifício.


Porém, ele sabe que as granadas explosivas das autometralhadoras num largo apinhado de gente irão provocar centenas de mortes.

Manda disparar armas automáticas para a parte superior do Quartel .

Entra uma primeira vez dentro do edifício, mas não consegue a rendição. Entra uma segunda vez e exige falar com o Presidente do Conselho. Numa antecâmara, Rui Patrício chora como uma criança e Moreira Baptista olha, ausente, o infinito. Deixemos que ele nos descreva o seu diálogo com Marcelo Caetano:
«Marcelo estava pálido, barba por fazer, gravata desapertada, mas digno.
Fiz-lhe a continência da praxe e disse-lhe que queria a rendição formal e imediata. Declarou-me já se ter rendido ao Sr. General Spínola, pelo telefone, e só aguardava a chegada deste para lhe transferir o Poder, para que o mesmo não caísse na rua! Estive para lhe dizer que estava lá fora o Poder no povo e que este estava na rua. Declarou esperar que o tratassem com a dignidade com que sempre tinha vivido e perguntou o que ia ser feito dele. Declarei que certamente seria tratado com dignidade, mas não sabia para onde iria, pois isso não me competia a mim decidir. Perguntou a quem competia. Declarei que a «Óscar». Perguntou quem era «Óscar». Declarei ser a Comissão Coordenadora. Perguntou-me quem eram os chefes. Declarei serem vários oficiais, incluindo alguns generais, isto para que ele não ficasse mal impressionado por a Revolução ser feita essencialmente por capitães.


Perguntou-me ainda o que ia ser feito do Ultramar. Declarei-lhe que a solução para a guerra seria obtida por conversações. Toda esta conversa, tida a sós, teve por fundo o barulho do povo a cantar o Hino Nacional e o Está na hora».

Depois, pouco antes das 18.00, chega Spínola, que embora tenha dito a Marcelo nada ter a ver com o Movimento, rapidamente assume ares de «dono da guerra», no dizer de Salgueiro Maia.



Às 19,30, Marcelo, Moreira Baptista e Rui Patrício entram numa viatura blindada que encostou a traseira à porta de armas do Quartel. Na confusão que se estabelece, com a multidão a gritar «assassinos!», e com os militares a proteger os homens do regime da ira popular, Henrique Tenreiro que deveria também seguir preso no transporte blindado, mistura-se com os populares e escapa-se, gozando mais umas horas de liberdade.



Após a rendição de Marcelo Caetano e a sua saída do Quartel, pode dizer-se que a Revolução estava ganha, embora, ali perto, na Rua António Maria Cardoso, os agentes da PIDE, encurralados como feras dentro da sua sede, disparassem das janelas, matando cinco pessoas
As únicas mortes verificadas durante o 25 de Abril.

A noite iria ser longa.
Muita coisa iria passar-se até que nos ecrãs da televisão os Portugueses tivessem ocasião de ver a Junta de Salvação Nacional, com uns senhores empertigados, com um vago ar de golpistas sul-americanos, viessem, armados em «donos da guerra», ditar as leis de uma Revolução para a qual nada tinham contribuído, deixando na sombra os jovens oficiais que, como Salgueiro Maia, tudo tinham feito, que tudo tinham arriscado.




E DEPOIS, O ADEUS

Naquele dia do princípio de Abril de 1992, no cemitério de Castelo de Vide, quatro presidentes da República (António de Spínola, Costa Gomes, Ramalho Eanes e Mário Soares), vêem descer à terra num modesto caixão o corpo de um dos homens que mais contribuiu para que tivessem podido ascender à mais alta magistratura da Nação.


No dia 4, Fernando Salgueiro Maia fora vencido pela doença.


«O gajo ganhou», dissera ele a um oficial da EPC, referindo-se ao cancro quando se convenceu do carácter terminal da sua doença.

Quem é este homem, vencedor de batalhas, de revoluções, que agora desce à terra, em campa rasa, ao som do «Grândola, Vila Morena»?

Nasce ali, em Castelo de Vide, em 1 de Julho de 1944. Muito novo, fica órfão de mãe. Faz os estudos primários em São Torcato, Coruche, e os secundários no Colégio Nun'Álvares de Tomar e no Liceu Nacional de Leiria. Em 1964, ingressa na Academia Militar.
«Filho de uma família de ferroviários, é a situação de guerra nas colónias que me permite o acesso à Academia Militar, pois o conflito fez perder as vocações habituais, e assim a instituição foi obrigada a abrir as suas portas», diz-nos ele em «Capitão de Abril».

Dois anos depois, apresenta-se na Escola Prática de Cavalaria.

Depois, a guerra.

Porém, tudo se pode resumir a uma breve legenda: Salgueiro Maia, soldado português que à frente de 240 homens e com dez carros de combate da EPC avançou em 25 de Abril de 1974 sobre Lisboa, ocupou o Terreiro do Paço levando os ministros de um regime ditatorial de quase 50 anos a fugir como coelhos assustados, cercou o Quartel do Carmo obrigando Marcelo Caetano a render-se e a demitir-se.


Atingiu o posto de tenente-coronel, recusou cargos de poder.

SALGUEIRO MAIA,

é o mais puro símbolo da coragem e da generosidade dos capitães de Abril.



E quase tudo terá ficado dito.





Joao Neves
____________________
Nota: Este texto foi elaborado com base em diversos depoimentos de intervenientes no 25 de Abril. Entre estes destacamos o livro de Salgueiro Maia «Capitão de Abril», editado pela Editorial de Notícias e a 4ª edição de «Alvorada em Abril», de Otelo Saraiva de Carvalho, também da mesma editora.

17 abril, 2008

18 de Abril - DIA INTERNACIONAL DOS MONUMENTOS E SÍTIOS

A propósito do Centro de Estudos de Arquitectura Militar de Almeida

A Porta Exterior de Santo António foi recentemente alvo de adaptação do seu espaço para a criação de um Centro de Estudos de Arquitectura Militar, denominado de CEAMA. De lamentar que tenha demorado tanto tempo a ser implementado, pois já as conclusões do I Simpósio Internacional de Arquitectura Militar Abaluartada, realizado em Almeida em 1989 (ver fotos), apontavam para a criação de um Centro onde se pudesse estudar e dinamizar essa área específica do saber…


Reconhecendo que mais vale tarde do que nunca, não queria, no entanto, deixar de registar alguns reparos que penso pertinentes, resultantes das obras de adaptação, de forma a prevenir a persistência de erros em intervenções no património histórico de Almeida.


Aparentemente, o mais gritante são as pirâmides de vidro e aço implantadas no exterior da Porta, assentes sobre o lajeado granítico que foi construído à prova de bomba. Como se vê, as ditas pirâmides não podem deixar de ficar mesmo integradas com a robustez do granito, pois a sua fragilidade, apesar de à prova do bom senso, não o é à prova de bomba…



Mas continuando…O piso no interior da porta, foi substituído por seixos rolados escuros, possivelmente do Rio Côa, argamassados com cimento, quando se sabe que, no original, a calçada era de quartzo leitoso e não tinha qualquer tipo de argamassa.

…O piso lateral, constituído por blocos graníticos com desgaste e patina seculares, foi agora revestido com placas alisadas de granito, contrastando uma vez mais, com o aspecto vetusto do conjunto.

…As maciças portas de carvalho também bem antigas, foram simplesmente serradas, aplicando roletes não devidamente enquadrados e aberrantes: as portas eram sólidas e fechadas, e não arregaçadas, pois desse modo não seriam à prova de tiro de arcabuz, como originalmente construídas.

… A canalização de esgoto aplicada em plástico colorido destoa no antigo rasgo construído para efeitos de esgoto do lado de fora das Portas. Sendo anacrónica, não custava muito disfarçá-la melhor.

Mas há mais: não houve cuidado em preservar na Praça talvez o único indício visível da ocupação pelas forças francesas, já que o presumível graffiti / gravação sulcada na pedra deixado pelas tropas napoleónicas (ver fotos antiga e actual) que existia no interior da Porta, foi simplesmente apagado por jacto de areia destruidor, tendo a quase totalidade dos pormenores irremediavelmente desaparecido.



… E, como ficou evidenciado na inauguração realizada em Agosto de 2007, foi pena terem-se esquecido da função de um algeroz de esgoto de águas pluviais o que como documenta a foto, com uma chuvada imprevista… inundou o interior da Porta, obrigando os convidados a deslocarem-se aos pulinhos e em bicos de pés. Logo na inauguração! Mas, por incrível que pareça, o erro perdura até hoje… no mesmo ponto, como se não fossem cair mais chuvadas!


Tendo em conta uma intervenção tão pontual, e com gastos de dinheiro alegadamente para valorizar o património, é de lastimar a falta de sensibilidade e cuidado nesta multiplicidade de pormenores - caracterizadores da abordagem feita.

Assim, aos poucos, vai a praça-forte de Almeida sendo desvirtuada da sua singularidade, perdendo a sua vetustez, ao sabor de intervenções pouco consentâneas com a sua histórica e patrimonial valia, que é - não nos esqueçamos- TODO O SEU CONJUNTO. Intervenções estas que vão sendo sempre decididas à revelia dos almeidenses e sem uma abordagem multidisciplinar que pudesse efectivamente contribuir com o mínimo de ponderação e conhecimento para a preservação e revalorização do património histórico da Praça-forte de Almeida, que, a despeito da possibilidade ou não de classificação pela UNESCO, assim vai ficando cada vez mais empobrecida, incaracterística e vulgar.

Por isso, no Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, além de um direito e dever de cidadania, registo estes reparos, em nome de uma capacidade cívica, interventora, tão diferente do “deixa andar” e, porque não dizê-lo, numa expressão de contestação, que julgo partilhada por muitos cidadãos de Almeida e do país, para um acto de afirmação: NÃO À CONTINUAÇÃO DESTE TIPO DE INTERVENÇÃO NO NOSSO PATRIMÓNIO!.

Rui Brito da Fonseca

15 abril, 2008

Agenda Cultural

Acabei de receber mais uma agenda cultural, a segunda do corrente ano.
Como sempre, dei-lhe uma vista de olhos procurando de alguma forma encontrar as principais novidades para este trimestre.
Não me vou pronunciar acerca do conteúdo da mesma. Cabe a quem a elabora definir os temas ali a inserir e destacar.
Em minha opinião, a Câmara Municipal terá que distribuí-la em tempo oportuno, para que as pessoas a possam consultar antes do início do trimestre. É que receber a mesma já passados 10/12 dias, alguns dos eventos já decorreram. Neste por sinal, havia alguns de interesse significativo.
Seja quem for que tem a responsabilidade da impressão da agenda, não pode cometer erros como os verificados nesta edição, principalmente de escrita.
É uma imagem negativa para a própria Câmara.
Aproveitando ainda este espaço, aconselho a que alguém verifique os números de telefone ali inscritos, como pertença de associações. Se ligarmos, para alguns, vamos encontrar pessoas no outro lado da linha que nada têm a ver com a associação.
O motivo principal deste meu apontamento prende-se com dois factos.
O primeiro para a realização de uma visita guiada ao Património do Concelho de Almeida, a primeira. A pergunta que se me afigura de imediato e perante o que se encontra inscrito na agenda, é a quem se destina esta visita? A toda a população do concelho? Aos mais idosos? Aos jovens? Aos alunos do Básico? A estrangeiros?
Estas perguntas surgem-me apenas e só, porque a visita está marcada para o dia 24 de Abril, quinta-feira, dia de trabalho normal para a maioria das pessoas.
O dia a seguir (25 de Abril), até é feriado nacional. E porque não ao domingo? Pessoalmente não posso participar, e como eu, certamente mais pessoas.
Boas razões terão havido para que seja a 24, quinta-feira.
O segundo motivo que me leva a escrever sobre a agenda cultural da Câmara Municipal de Almeida, relaciona-se com a declaração do senhor Vice-Presidente da Câmara.
Atentos ao segundo parágrafo do texto, podemos ler “…..neste trimestre, vos convidamos….”. Vos convidamos? Aceitaria de bom grado a expressão se a mesma fosse dirigida a pessoas de convivência diária ou de confiança pessoal. A questão fundamental é que uma agenda deste tipo e com estas características, certamente ultrapassa fronteiras concelhias, regionais e se provávelmente até nacionais.
Tratar as pessoas por vos, é que me parece falta de decoro.
Não menos grave do que esta questão, temos a afirmação do penúltimo parágrafo.
Termina assim: “….roteiro gastronómico direccionado fundamentalmente para os Restaurantes de Almeida, Vilar Formoso e Concelho.”
Uma pergunta me surge: Almeida e Vilar Formoso não pertencem ao Concelho?
Numa agenda que se pretende e diz cultural, não pode haver afirmações como estas.
Há que corrigir no futuro. E antes da saída da mesma, deve ser feita uma leitura de correcção para evitar gralhas simples, mas que dão uma imagem negativa.
Penso que não é isso que o Executivo pretende.

Câmara de Almeida acusa Arq. José Afonso de inoperância

Câmara de Almeida Acusa Director do IGESPAR da Beira Interior de “inoperância”

Noticia publicada in “Terras da Beira” em 10/Abril/2008.

“O presidente da Câmara Municipal de Almeida, Baptista Ribeiro, confirmou ao Terras da Beira que teve de recorrer aos serviços do IGESPAR em Lisboa para poder avançar com as obras de impermeabilização das Casamatas. A “inoperância” do director regional estava a comprometer a instalação do Museu Histórico-Militar e a utilização de fundos comunitários.”

Penso que será útil e de extrema importância que esta “discussão” se esclareça, com a maior brevidade possível, pelos intervenientes. Pelos vistos será uma discussão entre o Director do IGESPAR e o Presidente da Câmara de Almeida.

Os habitantes de Almeida e até do Concelho, devem saber a verdade toda, uma vez que foram feitas afirmações, de ambos os lados, que eu considero bastante graves, no que respeita ao património arquitectónico e cultural de Almeida.

Diz aquele Semanário “…o Director do IGESPAR, disse ao TB que discordava “profundamente” daquilo que foi feito e que lhe “dói muito ver um monumento com “aquela importância” ser tão “mal tratado”…”.
Por sua vez o Sr. Presidente da Câmara de Almeida “…diz que as afirmações foram feitas de “forma leviana e irresponsável”… afirmando até que “…se José Afonso não pedir desculpas, o presidente da Câmara de Almeida assegura que irá exigir a demissão do arquitecto do cargo que ocupa no IGESPAR…”.

Penso que por respeito aos habitantes deste Concelho se deve apurar a verdade.

Pelo nosso lado resta-nos afirmar que esperamos que desta discussão na “praça pública”, não resulte em quaisquer prejuízos para Almeida, para o seu Concelho e para o nosso Património Cultural.

Pela minha parte termino, e porque já ouvi e li que à para aí projectos de “esplanadas”, “lagos ou lençóis de água” a construir no NOSSO património, com um apelo: POR FAVOR, NÃO MEXAM NO NOSSO MONUMENTO. Por favor não acrescentem nada ao nosso Monumento. LIMPEM-NO E RESTAUREM-NO SIMPLESMENTE, mas de resto, fiquem quietinhos. Não lhe toquem. Ele não precisa de mais nada. Por favor.

João Neves

09 abril, 2008

Assim....não.

No início desta semana fomos confrontados na comunição social com declarações proferidas por um destacado dirigente do Partido Socialista, acusando o Partido Social Democrata de " troca tintas".
Como militante, por enquanto, não posso deixar de manifestar o meu protesto pela ofensa feita.
Se o Partido Socialista quisesse atingir alguém em particular, deveria ter falado no nome da(s) pessoa(s) e não falar na globalidade, porque naquele partido ainda há gente séria, honesta e de palavra.
Recordo-me aquando da campanha eleitoral das últimas Legislativas o que nos foi prometido.
Não haveria aumento dos impostos, não haveria portagens nas SCUTS, etc, etc.
O Povo acreditou e votou maioritáriamente no Partido Socialista.
Eu pergunto se tivessem dito que assim que fossem eleitos aumentariam os impostos, passaria a haver portagens nas SCUTS, não haveria os tais 150.000 postos de trabalho para os recém licenciados, que o desemprego aumentaria, que a maioria dos SAPs sofreriam as reformas que foram feitas, enfim, tudo o mais que nós sabemos.
Será que o POVO teria votado maioritáriamente como o fez? É uma dúvida que tenho.
Na minha terra, na minha região, a uma pessoa que não cumpre o que promete, que falta à palavra dada, não se lhe chama troca tintas, dá-se-lhe um nome muito pior que eu não vou mencionar aqui, só por uma questão de educação e respeito.
Atirar uma pedra para o telhado do vizinho, quando o nosso é de vidro, não me parece uma falta de respeito, nesta situação, atrever-me-ia a dizer que se trata de falta de cultura democrática.
Assim....não.
José Augusto Marques

07 abril, 2008

MULTIUSOS...afinal em que ficamos?????

João, como é um assunto de grande importância para a nossa terra, e sabendo que és um homem que buscas as verdades dos factos, gostaria que desses a este tema o ênfase que merece.

Abraço.

Mas em que ficamos?

De A Máscara a 3 de Abril de 2008 às 11:21 (Blog AmigoPiri)

Cá para mim era um quilo e meio de multiusos em cada freguesia…!Em Almeida não se construiu primeiro um multiusos porque a Junta de Freguesia da altura não foi capaz de encontrar um terreno para o efeito! Porque Almeida não tem um multiusos?! Uma pergunta simples. Dá pena que anos após ano, teimosamente, se celebre a Feira do Fumeiro naquela data e naquele lugar! Eu sei que a teimosia tem um objectivo. Espera-se que os festejos de Pinhel acabem e os Carnavais de cidade Rodrigo mudem a data!!!!!!!!!!!! Quanto ao Picadeiro, quando o Piri fizer uma montagem de uma cobertura para aquele espaço, a responsável do mesmo, fará a obra! Lindo!
Abraço.

O blog do Castelo responde a uma critica efectuada pelo comentador "A MÁSCARA", referente a construção de um multiusos em Almeida.

Sexta-feira, 4 de Abril de 2008.

Prémio do comentário politicamente mais desonesto:
«Em Almeida não se construiu primeiro um multiusos porque a Junta de Freguesia da altura não foi capaz de encontrar um terreno para o efeito! »
Autor desta preciosidade: Máscara

Comentário do Blog do Castelo:
Este é o excerto de um comentário da autoria do Máscara a um dos posts do blogue Amigopiri .
É certo que os blogues acolhem tudo, a verdade e a mentira, o elevado e o soez, a ideia clara e o objectivo escuso, as boas intenções e a as segundas intenções, a postura digna e o oportunismo rasca. Talvez esteja aí, nessa potencial dualidade, a força da blogosfera democrática, apesar do descrédito que alguns insistem em lhe instilar.
Esta frase do Máscara cuja classificação deixo ao vosso alvedrio aqui fica, sem mais comentários da minha parte.

A MÁSCARA Responde:

De a máscara a 6 de Abril de 2008 às 23:18 (Blog do Castelo)

...Ti, só agora tive possibilidade de ver o teu comentário de sexta-feira, 4 de Abril e não podia deixar de responder.Reparei que o meu comentário provocou-te alguma emotividade! Parece que ficaste um pouco chateado?!
Até posso compreender tal atitude.
Será que foi uma reacção à consciência que te assalta, sempre que se fala em multiusos, e ela te diz que nem tudo foi feito para que Almeida tivesse um?!
Ti, podes pintar as coisas com as aguarelas literárias e com as ironias que tiveres (e tens muito), que não mudam a realidade e a verdade dos factos.
Eu estava presente nessa Assembleia Geral em que o Presidente da Câmara da altura, agora Presidente da Assembleia (Costa Reis), disse mais ou menos o seguinte, dirigindo-se a ti: “Senhor Presidente da Junta, arranje-me um terreno hoje que eu faço-lhe o pavilhão multiusos amanhã.”
Passado todo este tempo muitas interrogações podem ser feitas!O desafio teve apenas como motivo a luta partidária?!A Junta não conseguiu arranjar o terreno?!Depois de responder a estas duas perguntas muitas outras se podiam fazer.
Mas uma coisa é certa, Almeida não tem, nem é prioridade do actual Presidente da Câmara, um pavilhão multiusos e continua a fazer actividades à chuva!
Considero que foi um fracasso político da Junta, como outros, por não ter aproveitado o momento.
Mas já por várias vezes dei comigo a pensar se esta obra, para mim fundamental, como tive oportunidade de o dizer na última campanha política, não será para Vós uma obra secundária!
É que nunca vi nenhuma acção, com força capaz, de a reivindicar!
Para terminar agradeço a imagem do personagem triste, ingénuo e sonhador… Uma imagem que deveras me assenta bem! Ingénuo enquanto inocente, mas puro!

Abraço

P.S. - Este artigo foi-nos enviado por um Anónimo. Porque consideramos que é assunto de interesse primordial para a Freguesia de Almeida, e porque transcreve realmente os escritos nos dois Blogs citados, aqui o publicamos.

04 abril, 2008

Porque os blogs também podem ter esta função...

A pedido do Agrupamento de Escuteiros 1071, de Ferreira do Alentejo,
agradeço que façam passar esta mensagem para todos os vossos contactos.

A SARA MARIA ARSÉNIO FRANCO de 7 anos,
residente em Ferreira do Alentejo,
precisa urgentemente de encontrar um dador de medula
com as seguintes características:

G.S. - A POSITIVO - 2ª FASE - HOSPITAL D. ESTEFÂNIA

Vamos esgotar esforços para tentar ajudar esta criança a encontrar um dador compatível!


Basta reenviarmos este mail e fazer com que ele chegue ao maior número de pessoas possível.

Contactos: 966083327/ 968589896


03 abril, 2008

POR ONDE ANDA A DEMOCRACIA

Mário Crespo. Jornalista

Pronto!
Finalmente descobrimos aquilo de que Portugal realmente precisa: uma nova frota de jactos executivos para transporte de governantes.
Afinal, o que é preciso não são os 150 mil empregos que José Sócrates anda a tentar esgravatar nos desertos em que Portugal se vai transformando.
Tão-pouco precisamos de leis claras que impeçam que propriedade pública transite directamente para o sector privado sem passar pela Partida no soturno jogo do Monopólio de pedintes e espoliadores em que Portugal se tornou.
Não precisamos de nada disso.
Precisamos, diz-nos o Presidente da República, de trocar de jactos porque aviões executivos "assim" como aqueles que temos já não há "nem na Europa nem em África".
Cavaco Silva percebe, e obviamente gosta, de aviões executivos. Foi ele, quando chefiava o seu segundo governo, quem comprou com fundos comunitários a actual frota de Falcon em que os nossos governantes se deslocam.Voei uma vez num jacto executivo.
Em 1984 andei num avião presidencial em Moçambique.
Samora Machel, em cuja capital se morria à fome, tinha, também, uma paixão por jactos privados que acabaria por lhe ser fatal.
Quando morreu a bordo de um deles tinha três na sua frota. Um quadrimotor Ilyushin 62 de longo curso, versão presidencial, o malogrado Antonov-6, e um lindíssimo bimotor a jacto British Aerospace 800B, novinho em folha.
Tive a sorte de ter sido nesse que voei com o então Ministro dos Estrangeiros Jaime Gama numa viagem entre Maputo e Cabora Bassa.
Era uma aeronave fantástica.
Um terço da cabina era uma magnífica casa de banho. O resto era de um requinte de decoração notável.
Por exemplo, havia um pequeno armário onde se metia um assistente de bordo magro, muito esguio que, num prodígio de contorcionismo, fez surgir durante o voo minúsculos banquetes de tapas variadíssimas, com sandes de beluga e rolinhos de salmão fumado que deglutimos entre golinhos de Clicquot Ponsardin. Depois de nos mimar, como por magia, desaparecia no seu armário.
Na altura fiz uma reportagem em que descrevi aquele luxo como "obsceno".
Fiz nesse trabalho a comparação com Portugal, que estava numa craveira de desenvolvimento totalmente diferente da de Moçambique, e não tinha jactos executivos do Estado para servir governantes.Nesta fase metade dos rendimentos dos portugueses está a ser retida por impostos. Encerram-se maternidades, escolas e serviços de urgência.
O Presidente da República inaugura unidades de saúde privadas de luxo e aproveita para reiterar um insuspeitado direito de todos os portugueses a um sistema público de saúde.
Numa altura destas, comprar jactos executivos é tão obsceno como o foi nos dias de Samora Machel.
Este irrealismo brutalizado com que os nossos governantes eleitos afrontam a carência em que vivemos ultraja quem no seu quotidiano comuta num transporte público apinhado, pela Segunda Circular ou Camarate, para lhe ver passar por cima um jacto executivo com governantes cujo dia a dia decorre a quilómetros das suas dificuldades, entre tapas de caviar e rolinhos de salmão. Claro que há alternativas que vão desde fretar aviões das companhias nacionais até, pura e simplesmente, cingirem-se aos voos regulares.
Há governantes de países em muito melhores condições que o fazem por uma questão de pudor que a classe que dirige Portugal parece não ter.Vi o majestático François Miterrand ir sempre a Washington na Air France.Não é uma questão de soberania ter o melhor jacto executivo do Mundo.
É só falta de bom senso. E não venham com a história que é mesquinhez falar disto.
É de um pato-bravismo intolerável exigir ao país mais sacrifícios para que os nossos governantes andem de jacto executivo.
Nós granjearíamos muito mais respeito internacional chegando a cimeiras em voos de carreira do que a bordo de um qualquer prodígio tecnológico caríssimo para o qual todo o Mundo sabe que não temos dinheiro.

Mário Crespo, escreve à 2ªf no JN

02 abril, 2008

DESMENTIDO DIA DOS ENGANOS

Claro que era brincadeira do 1º de Abril essa do metro de superfície em Almeida!

Não vai haver nenhum metro, nem vídeo vigilância ...por ora, mas é verdade que a obra arquitectónico-decorativa da estação do dito metro existe, e está lá. Exactamente como na foto e no sítio indicado!

Provavelmente, terá escapado de qualquer rede de metropolitano e foi parar à Praça-forte que dá pelo nome de Almeida, construída e reconstruída entre o séc. XVII e XIX, mas que há quem teime em a modernizar à força com essas importantes mais valias...

Tal como se anuncia com o projectado espelho de água à entrada das Portas de S. Francisco.

- Ó S. Francisco, vê lá bem o que vão fazer perto das tuas portas!

Quando Almeida tiver todas essas modernidades, vai ver os turistas a duplicar, pois todos quererão ver estações de metro, pirâmides de vidro, espelhos de água, candeeiros de campo de futebol, granitos e mais granitos polidos e casas tipo tupperware.Viva tantos modernismos!
Agora sim! Almeida vai entrar no futuro!

01 abril, 2008

METRO DE SUPERFICIE EM ALMEIDA


A foto apenas mostra em antecipação o que será o metro de superfície, que brevemente começará a ser construído em Almeida. Contudo, uma das estações já está construída. Fica junto às Casamatas, perto da Roda dos Expostos. Se o leitor ainda não a descobriu é porque não tem visitado Almeida ultimamente…

Mas para além deste grande melhoramento que será o metropolitano de superfície, esperam-se ainda em breve mais valias, como a construção de um lago à entrada nas Portas de S. Francisco e também um sistema de videovigilância, para proteger os turistas nas ruas desertas em Almeida, do mais moderno que há, muito semelhante ao que se está a instalar nas grandes cidades do litoral. Parabéns a todos!

27 março, 2008

28 de Março - DIA NACIONAL DOS CENTROS HISTÓRICOS


28 de Março - Dia Nacional dos Centros Históricos


Desconhece-se se Almeida comemora esta efeméride. O sítio oficial da CMA nada diz nesse sentido. É lamentável, já que Almeida e várias freguesias do concelho possuem centros e núcleos históricos cuja importância merece ser relevada, não apenas no Dia Nacional, mas em cada dia que passa.

Na verdade, é essencial comemorar as identidades locais, realçando o que é intrinsecamente das populações, não só para conhecimento dos forasteiros, mas também e especialmente para auto-estima e consciência dos habitantes que têm nos seus centros históricos a génese das suas raízes. Nunca é demais realçar essa ligação telúrica que cada um de nós tem com o local onde nasceu, viveu momentos do seu despertar ou do seu crescimento interior: são essas raízes que nos prendem à vida, aos nossos semelhantes e onde também predominam as memórias que nos acompanham durante a existência.

Pelas condicionantes dessa mesma existência, os seres vivos vão inexoravelmente desaparecendo e cada um de nós vai ficando mais fragilizado, sendo a renovação das gerações o grande contrabalanço dessas perdas. Por isso, há marcos que são (ou deveriam ser) mais perenes e importantes não só para as nossas referências pessoais mas também como testemunhos da História e da sociedade local, herança do nosso passado comum, factor de identidade, e legado aos vindouros. No entanto, tal só acontece se os conservarmos, preservando-os quando necessitam, deixando-os permanecer como símbolos de épocas que nos precederam e, portanto, fazendo parte da nossa História comum.


No concelho de Almeida, sobretudo na sua sede, os testemunhos da História constituem ainda expectativa de uma valorização económica local, já que o potencial monumental contribuiria para uma crescente atracção turística que, devidamente aproveitada, traria certamente maior bem-estar aos que ali residem. Porém, não é isso que tem acontecido, por muito que se apregoem números extraordinários de visitantes. Será, como justificam as entidades tutelares, apenas por inércia dos seus habitantes?


Ou será porque nunca houve um efectivo (e afectivo) esforço com a terra, em respeito pela sua identidade? São esses centros ou núcleos históricos que não só muitas vezes ficam votados ao esquecimento por cada um de nós, mas, pior ainda e como cada vez mais vem acontecendo, no desvairado investimento pelas entidades administrativas responsáveis (veja-se não só as intervenções na sede do concelho, mas também, por exemplo, no chamado “arranjo urbanístico” no largo da Igreja de Vilar Formoso…) ficam absolutamente descaracterizados e violados por projectos, materiais e formas discrepantes, ao gosto das modas do momento que apenas repugnam os habitantes na sua memória identificativa e repelem os desejados visitantes, por os tornarem vulgares e desfeados.


Outras vezes, com o argumento do desenvolvimento - que nunca chegará por essa via - na conivência com projectos particulares, os centros históricos ficam sujeitos a implantes lesivos por profissionais para quem a alma do lugar é apenas um pedaço de terreno onde os laços que cada um de nós tem com o ambiente não passam de sentimentalismos bacocos.

Recentemente, o centro histórico de Almeida viveu grande polémica com um edifício soberbamente erigido no coração da Praça da Liberdade, junto ao edifício da Câmara, com manifesta e expressiva discordância dos almeidenses, enquanto os técnicos continuaram a vociferar para os “leigos” que se tratava de uma “jóia, um bijou, uma preciosidade”. Hoje tem uma tabuleta afixada: “VENDE”.
- Tanta polémica… para este desfecho!

Também o “Terras da Beira” de 27.03.2008 continua a trazer notícias sobre o projecto da recuperação das Casamatas. Segundo essa fonte, enquanto a autarquia se esforça por ir directamente a Lisboa, ultrapassando o parecer negativo do IGESPAR de Castelo Branco, o seu director, Arq. José Afonso, afirma que “dói muito” ver um monumento “com aquela importância, ser tão mal tratado”. O que se passa? Se o projecto é mesmo válido, porque precisa de contornar as delegações regionais? Será apenas uma polémica entre técnicos, como outras que Almeida já presenciou, ou temos de estar prevenidos com mais obras precipitadas que em vez de valorizar apenas degradam os nossos monumentos?



Por tudo isto, e muito mais, o Dia Nacional dos Centros Históricos em Almeida deve ser uma data não apenas para reflexão sobre os locais históricos mas sobretudo para uma consciencialização exigente junto de nós próprios e particularmente junto das entidades administrativas, não deixando intervir sem o conhecimento público naquilo que apenas lhes está confiado por um mandato político.

Será que já não é mais do que tempo de gritar que “o rei vai nu”?


Rui Brito da Fonseca

CASAMATAS DE ALMEIDA


Em entrevista ao Jornal Terras da Beira, o Director do IGESPAR (ex-IPPAR) critica fortemente a intervenção que a Câmara Municipal de Almeida está a fazer na impermeabilização das Casamatas, para ali ser instalado o futuro Museu Histórico-Militar.
Perante estas afirmações de José Afonso, Director do IGESPAR, importa colocar aqui várias questões, nomeadamente:
- Diz aquele responsável que a opção da autarquia provocou danos (ou está a provocar?) no imóvel, nomeadamente no refechamento de juntas e aberturas de vãos entre as várias casamatas.
- Afirma José Afonso que "dói muito ver um monumento com aquela importância ser tão mal tratado".
- O processo foi mal conduzido pela Câmara (ou não?) ao ser apresentado o novo projecto ao IGESPAR em Lisboa, sem dar conhecimento à Delegação de Castelo Branco, que é quem superintende estes assuntos no âmbito da Beira Interior.
- A Câmara Municipal de Almeida tem um acordo com o Exército para instalar nas Casamatas um Museu Militar, entretanto a obra não está a ser acompanhada pelo Director tutelar dos Museus Militares, a quem cabe a última palavra.
Meus Senhores algo se passa que ninguém entende e ninguém sabe ou está devidamente esclarecido. O que tem a dizer de tudo isto o Sr. Arquitecto João Campos, actual consultor da Câmara Municipal de Almeida. Se este Senhor não serve para bem servir Almeida e o seu Património, porque não foi já demitido?
Voltaremos em breve com mais esclarecimentos sobre este tema...pois é tempo de se dizer basta no que se refere às autenticas agressões a que o nosso património tem vindo a ser sujeito.
Até breve.
João Neves

26 março, 2008

Feira Medieval em Castelo Mendo


Sábado 5 de Abril

Festim Medieval e Espectáculo de Fogo sobre lendas da terra – Lenda das Amoreiras de
D. Dinis e dos bichos-da-seda.




Dia 6 de Abril - Domingo

10h – Abertura do Arraial
11h – Cortejo do Almotacem e do Meirinho
12h – Danças e Bailias
13h – Comeres e Beberes nas tabernas do mercado
14 h- Auto dos Histriões
15h – Malabarismo e acrobacias
16h- Torneio de armas a cavalo
17h - Exercício de falcoaria
18 - Juízo de heréticos
19- Encerramento da feira