26 maio, 2008

MUSEALIZAÇÃO DAS CASAMATAS DE ALMEIDA - QUE INTEGRAÇÃO?

Porque pensamos que é um assunto pertinente e que nos interessa a todos, uma vez que se trata do NOSSO Patrimonio, aqui se publica o Artigo publicado no último número do Jornal Mensal Praça Alta, pelo Dr. Rui Brito da Fonseca.
Pessoalmente, congratulo-me por, de certa forma, estarmos os dois em consonância, principalmente no que diz respeito a um apêlo que tenho feito aos poderes que lideram as nossas vidas, ou seja: Não toquem, não mexam mais no nosso Monumento. Limpem-no, restaurem-no, mas, POR FAVOR, não lhe acrescentem mais nada. Ele é lindo e fabuloso assim como está. A Estrela de Pedra é deslumbrante assim como está. Só assim o poderemos admirar e...senti-lo!



MUSEALIZAÇÃO DAS CASAMATAS DE ALMEIDA – QUE INTEGRAÇÃO?

Sobre o projecto de intervenção nas Casamatas, sem querer entrar no conflito entre a Direcção do IGESPAR e a Câmara Municipal de Almeida, penso que a questão tem uma vertente não considerada, além das opções técnicas que, sendo muito importantes, deveriam ser rigorosamente analisadas - e bem decididas – antes de se intervir naquele espaço.
Pelo que se noticia, as Casamatas da Fortaleza de Almeida estão a ser recondicionadas para ali se instalar um museu histórico-militar e, nessa sequência, se dotar esse espaço, de uma esplanada superior com uma área de cafetaria, elevador de monta-pratos, etc.
A opção já está tomada, o que torna qualquer opinião despicienda, mas haveria a ponderar alguns aspectos em alternativa que, ao que julgo, não foram tidos em conta. Como observei há dias, toda a ambiência que as casamatas tiveram e que nós bem conhecemos, desapareceu. O local está a ser preparado para a instalação de uma panóplia de infra-estruturas adequadas a um acervo museológico, ficando as paredes e abóbadas do espaço original, mas nada da ambiência dos soturnos subterrâneos que ali foram construídos. Recordemo-nos que a Praça-forte tinha nas casamatas um local para abrigo à prova de bomba, artigos vários, mas era também o sítio onde a população e parte da guarnição militar se recolhia durante os bombardeamentos a que a praça de guerra foi sujeita. Ali funcionaram ainda as tenebrosas masmorras durante as lutas liberais, sendo local de tortura e morte e, para quem conhece o local antes desta intervenção em curso, não é necessário um grande exercício de imaginação para impressivamente sentirmos todo o drama que ali se viveu em condições ambientais, físicas e humanas verdadeiramente degradantes.
Um aproveitamento museológico das suas galerias com as suas características de humidade, pouca luz e algidez talvez pudesse resultar numa maior autenticidade e originalidade com a reconstituição da atmosfera de um local tão trágico, refazendo a vivência durante épocas de bombardeamento e o terror que todos os ali recolhidos experimentaram, inclusive com recursos multimédia, enquanto, noutras salas, o tormento das presos liberais sujeitos a tão funestas condições de vida era rememorado em enquadramento fiel. Que outro lugar único, como as casamatas de Almeida para demonstrar sinestesicamente os episódios de que a História desta fortaleza é feita? Desse modo, sim, seria recuperar o local para numa visão histórica do mesmo, que de forma impressionante e pedagógica instruísse o visitante, valorizando o próprio monumento, contribuindo para a perspectiva mais fiel possível com que as casamatas foram construídas.
Tudo leva a crer que a opção tomada de ali construir um museu, permanentemente climatizado por força de conservação das peças expostas, por muito bem organizado que esteja, desvirtua o espaço, pois APENAS O USA SEM O CONTEXTUALIZAR, com todo o potencial e fim para que foi construído, não considerando os custos de manutenção do funcionamento dessa estrutura e os sempre imprevisíveis problemas com avarias. E até o tipo de museu que agora se pretende instalar nas Casamatas, também muito interessante e complementar da história local e nacional, talvez, pudesse sair valorizado num outro espaço do centro histórico, até com outras valências mais flexíveis, sem o ónus da permanente ameaça das infiltrações e humidades.

Rui Brito da Fonseca


in Praça Alta

21 maio, 2008

Debate quinzenal

Acabei de ouvir e ver via TV, mais um debate quinzenal havido na Assembleia da República, onde os diversos grupos parlamentares questionaram o Governo sobre a situação económica que estamos a viver.
Depois de uma primeira intervenção do Primeiro-ministro lançando o tema a debate, foi a vez dos partidos políticos apresentarem as questões pertinentes sobre a matéria.
O PSD através de do seu líder parlamentar, Santana Lopes, não trouxe nada de novo. Duas ou três questões apenas e só para preenchimento do tempo atribuído, sem qualquer questão de fundo pelo meio. Especial relevo para o facto de Santana Lopes disponibilizar ao Primeiro-ministro algum do seu tempo para resposta, já que o governante tinha o seu esgotado, impossibilitando-o assim de justificar algumas das decisões governativas.
A seguir foi a vez do CDS, através de Paulo Portas solicitar alguns esclarecimentos ao Governo. Também aqui José Sócrates se desembaraçou ardilosamente e saiu sem qualquer beliscadura. Neste confronto, a já habitual forma de Portas ir aumentando o seu tom de voz, ao bom estilo de Valentim Loureiro.
As perguntas seguintes a cargo do PCP e do seu secretário-geral, Jerónimo de Sousa.
Perguntas devidamente estudadas, oportunas, colocadas de forma pausada o que acabou por criar algum incómodo a José Sócrates. Astutamente o governante talvez por saber que iria perder ainda mais no confronto, esquivou-se a responder a algumas questões, acabando por divagar em coisas banais. O líder do PCP saiu por cima.
A seguir tocou ao BE pela voz de Francisco Louça, solicitar alguns esclarecimentos. Também se notou que este deputado tinha o trabalho de casa bem feito. As perguntas, algumas das quais relativas aos lucros das petrolíferas e com divulgação de números, mostraram um Primeiro-ministro apanhado em falta. Também aqui preferiu passar “ao lado” e divagar nos ataques que a esquerda prefere fazer ao governo socialista, deixando assim o líder do BE no final com um sorriso agradável.
Tocou a seguir à deputada dos Verdes, de seu nome Apolinária. Saiu-se mal já que acabou por centralizar a sua intervenção numa questão particular de uma Junta de Freguesia. O Primeiro-ministro respondeu-lhe que desconhecia o caso em pormenor, pelo que não lhe ia ali dar uma resposta.
Por fim, e como seria natural, interveio O PS. O seu líder parlamentar acabou por solicitar ao Governo que continue na linha de actuação como o tem feito até agora. O povo português irá agradecer. José Sócrates agradeceu e confirmou, o óbvio.
O poder da televisão é muito grande. As imagens visionadas demonstraram uma vez mais que há demasiada gente naquele espaço.
Ao longo do debate vimos deputados a conversar uns com os outros, sem se importarem com a intervenção dos palestrantes e gente a ler jornais. Na parte final do debate o panorama geral da Assembleia era vergonhoso. Uma boa parte dos deputados já se tinham ausentado do hemiciclo. Será que a mesma Assembleia não funcionaria com metade dos deputados?
Será que alguns deles alguma vez alguma usaram da palavra?
Um exemplo deplorável por parte daqueles que têm a responsabilidade de gerir o país, pagos a peso de ouro e acabando por obter reformas proibitivas para a maioria dos portugueses, em tempo recorde.
Termino deixando uma pergunta.

O que sucederia a um qualquer funcionário público que no seu local de trabalho e durante o horário de expediente, estivesse em cavaqueira com um colega durante largos minutos, a ler um qualquer jornal do dia ou inclusivamente decidisse ausentar-se do trabalho antes de finalizar o dia?

Não são os portugueses que se afastam da política, são estes políticos que nos levam a não acreditar neles.

12 maio, 2008

Carta aberta a ......

Carta aberta a ……..

Não fiquei nada surpreendido com a demissão de Luís Filipe Meneses.
Só alguém com uma personalidade forte e humana, poderia tomar a decisão de deixar a liderança do maior partido da oposição, após seis meses de a ter assumido.
Se eu estivesse no lugar dele, já o teria feito há mais tempo.
A companheira Manuela Ferreira Leite, na apresentação da sua candidatura, a determinado passo do discurso, afirmou “A questão que mais nos deve preocupar, a que é verdadeiramente grave, é o facto de se constatar que perdemos a credibilidade que sempre nos acompanhou no poder ou fora dele”.
Não posso estar mais de acordo. Porque terá sido?

Afirmou ainda “Incomoda-me e muito a falta de respeito com que começam a tratar-nos”
Não posso estar mais de acordo. Porque terá sido?

Ainda disse que “O partido está abalado nos seus alicerces e a perder o seu crédito junto da opinião pública”.
Tenho que concordar inteiramente. Mas porque será?

Poderia ainda citar mais algumas das expressões utilizadas, mas bastam apenas e só, estas.

Eu diria que nunca vi tanta hipocrisia junta de uma só vez.
Perdoe-me a minha sinceridade, mas é isso que eu penso.
Aliás, se recuarmos um pouco no tempo, poderemos recordar-nos ainda das suas intervenções públicas aquando da saída de Durão Barroso para Bruxelas e o assumir de Pedro Santana Lopes de um cargo tão importante quanto o de Primeiro Ministro.
Nessa altura houve muita gente que nos faltou ao respeito. Recorda-se?
Eu recordo-me. E mais. Algumas dessas pessoas, eram e ainda são militantes do PSD, que por sinal agora já demonstraram apoio à sua candidatura.
Quando devíamos estar unidos e contentes pelo reconhecimento internacional a Durão Barroso, alguns de nós fomos acérrimos críticos.
Naturalmente a possibilidade de sucesso de Santana Lopes ficou também diminuída de tal forma, que acabámos por dar uma ajudinha ao senhor Presidente da República para poder tomar a decisão que todos conhecemos.
Nessa altura, penso eu, já o PSD estava com graves problemas de identidade.
Se havia tanta gente que não queria ver Luís Filipe Meneses na liderança do partido, porque razões não entraram na luta na altura?
Hoje continua insistentemente a falar da falta de credibilidade do nosso partido perante a opinião pública.
Estava à espera de quê?
Quando militantes tão credenciados (?) como a senhora, Rui Rio, António Capucho, e outros mais, criticam as decisões do Presidente do partido, publicamente e para os média, não me diga que estava à espera que os nossos adversários viessem em defesa de Meneses?
Só pode dar para rir. Melhor… para chorar.

Não tenho dúvidas que a sua candidatura à partida é considerada como vitoriosa.

Mas pergunto, se os seus apoiantes estarão convictos de que a sua imagem pública política tem as condições necessárias para em confronto directo com José Sócrates o poder vencer nas próximas eleições legislativas.
Pessoalmente não acredito.
Aliás como não acredito na vitória de Santana Lopes, a quem apoiei desde sempre, nem tão pouco na vitória de Passos Coelho, ainda muito jovem para estas andanças, mas pelo menos é uma cara nova e de futuro.

Não vou votar nem em si, nem em qualquer outro candidato pelo simples facto de que não pago quotas. Sempre disse que são os partidos que precisam dos militantes e não estes dos partidos. Para estes deveria bastar-lhes as chorudas quantidades de euros que o Estado lhes entrega, em função dos resultados eleitorais. Ao fim ao cabo já lá está dinheiro meu.

Li em tempos num jornal semanário, à semelhança do que sucedeu noutros países europeus, poderia haver a possibilidade de alguns partidos políticos, em Portugal, desaparecerem do espectro parlamentar motivado pela conflituosidade interna.
Cuidado com o que estamos a fazer ao PSD.

Como militante, por enquanto, preocupa-me a situação que estamos a viver.
Pergunto-me se valerá a pena continuar a lutar por uma causa, quando a maioria das pessoas já deixou de acreditar nos partidos por atitudes assumidas por estes.
Hoje dizem uma coisa, amanhã fazem outra.
O País está no que está.
De quem é a culpa?
Dos portugueses ou dos políticos?
Creio que está na hora de reflectir e pensar em criar alternativas a toda esta gente.
É que a demasia em determinados lugares, cria vícios.

E já agora quando se pensa em despedir pessoas por falta de adaptabilidade, má gestão ou excesso de lugares, porque razão os políticos não começam a dar o exemplo começando por se auto avaliarem?

À consideração.

08 maio, 2008

Sem comentários...

Esta foto foi publicada no Jornal Praça Alta, Edição nº 125
de 11 de Outubro de 2005



Esta foto foi tirada, hoje dia 08 de Maio de 2008:



SEM COMENTÁRIOS!

02 maio, 2008

PORTAS DE S. FRANCISCO EM ALMEIDA

Ainda a propósito da efeméride do 25 de Abril e do projecto de requalificação do Largo 25 de Abril em Almeida, tivemos conhecimento que o Jornal “Terras da Beira” publicou uma notícia sobre o descontentamento que o referido projecto está a suscitar entre os Almeidenses.
Aqui se publica na íntegra a referida notícia.

Para quem deseja consultar, o projecto tal como publicamente divulgado pelo Município, está disponível no Boletim Municipal nº 10 de Janeiro de 2008, com versão em pdf no sítio oficial da CMA:

http://www.cm-almeida.pt/boletimmunicipal_files/boletimmunicipal1_files/boletim102008.pdf.


Críticas à requalificação junto às Portas de São Francisco em Almeida.

O projecto de requalificação urbanística do Largo 25 de Abril em Almeida, junto às Portas de São Francisco está a suscitar críticas. Tudo porque o projecto da Câmara Municipal de Almeida prevê a construção de um espelho de água naquela que é considerada a entrada emblemática para aquela vila histórica. O assunto tem sido motivo de conversas entre os almeidenses, inclusivé em blogues na internet.

Os internautas criticam a opção da autarquia receando o aparecimento «de um mamarracho». No blogue “Almeida Forum”, Rui Brito Fonseca refere a propósito da brincadeira do 1 de Abril – que o metro de superficie ia chegar a Almeida - que «há quem teime modernizar à força» a vila de Almeida «tal como se anuncia com o projectado espelho de água à entrada das Portas de São Francisco».

«Ó São Francisco, vê lá bem o que vão fazer perto das tuas portas!», diz o bloguista.

O presidente da Câmara Municipal de Almeida, Batista Ribeiro, explica que não se trata de um espelho de água, mas mais «de um espaço com água». Só que foi com essa designação que o projecto foi apresentado aos munícipes no Boletim Municipal editado no início do ano. «A valorização é pontuada pela introdução de um espelho de água que se inicia no eixo da Porta Magistral de S. Francisco com um lago que, para além do movimento da água, deverá receber um elemento escultório», refere o texto.


O autarca explicou ao TB que o monumento ali a colocar deverá ser alusivo à Revolução dos Cravos, como é vontade da Comissão 25 de Abril, data que dá nome aquele Largo às portas de São Francisco.A requalificação urbanística daquele espaço pretende ser «um complemento» da intervenção que a Estradas de Portugal vai realizar naquele local, onde passa a Estrada Nacional 332. O presidente da Câmara Municipal de Almeida explica que o objectivo é melhorar as condições de segurança dos peões e ordenar o trânsito, evitando a ocorrência de acidentes como já aconteceu.

Com esta intervenção da EP, o Jardim da Pérola será transformado numa placa giratória, obrigando as pessoas a circular em volta. «O jardim vai continuar com as suas funçoes e penso que até vai ficar valorizado, porque toda a envolvente vai ser recuperada», garante o autarca. Em complemento desta intervenção, a autarquia vai concretizar o projecto de autoria dos técnicos da autarquia, que propõe a criação de uma alameda pedonal, com uma parte de água.

A requalificação daquela zona compreende a criação de estacionamentos específicos para veículos ligeiros, autocarros e viaturas de pessoas com mobilidade condicionada.O projecto para o Largo 25 de Abril aguarda um segundo parecer do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (IGESPAR), depois de inicialmente aquele organismo ter emitido uma opinião negativa.

O TB contactou um dos vereadores do PS na Câmara Municipal para saber qual é a opinião sobre o projecto, mas a oposição desconhece o projecto e não se recorda de ter sido debatido nas reuniões de camarárias.




“Terras da Beira”, edição de 17-04-2008




João Neves

24 abril, 2008

25 DE ABRIL DE 1974 - DIA DA LIBERDADE




25 de Abril de 1974







Nesta data, nunca é demais recordar este homem...O Capitão de Abril.

O Homem que me ensinou com o seu exemplo de vida, os caminhos da liberdade e o significado de ser um homem livre.

Até um dia...Capitão!



SALGUEIRO MAIA


Militar, capitão de Abril: 1944-1992




RUMO AO CARMO

Antes do meio-dia, pelo posto de comando, Salgueiro Maia é informado de que Marcelo Caetano está no Carmo. Deixando forças a guardar os ministérios, avança para lá. Quando entra no Rossio, aparece-lhe pela frente uma coluna militar com uma companhia de atiradores que o Governo enviara para fazer frente aos revoltosos. O Capitão salta do seu jipe e vai perguntar ao comandante da coluna o que está ali a fazer. É-lhe respondido que tem ordens para o prender, mas que está com a Revolução. E também esta coluna é integrada nas forças que avançam para o Carmo.

As edições especiais dos jornais começam a circular. O Rossio, a Rua do Carmo, todo o percurso, está cheio de populares que vitoriam os soldados. Os cravos vermelhos começam a ser enfiados nos canos das G-3. É cerca de 12,30. Diz o capitão: «No Carmo, ao chegar houve desde senhoras a abrir portas e janelas para colocar os homens nas posições dominantes sobre o Quartel, até ao simples espectador que enrouquecia a cantar o Hino Nacional. O ambiente que lá se viveu não tem descrição, pois foi de tal maneira belo que depois dele nada de mais digno pode acontecer na vida de uma pessoa».


Após a intimação para que a guarnição se renda e entregue Marcelo Caetano, não sendo obedecido, Maia recebe ordem do posto de comando para abrir fogo sobre o edifício.


Porém, ele sabe que as granadas explosivas das autometralhadoras num largo apinhado de gente irão provocar centenas de mortes.

Manda disparar armas automáticas para a parte superior do Quartel .

Entra uma primeira vez dentro do edifício, mas não consegue a rendição. Entra uma segunda vez e exige falar com o Presidente do Conselho. Numa antecâmara, Rui Patrício chora como uma criança e Moreira Baptista olha, ausente, o infinito. Deixemos que ele nos descreva o seu diálogo com Marcelo Caetano:
«Marcelo estava pálido, barba por fazer, gravata desapertada, mas digno.
Fiz-lhe a continência da praxe e disse-lhe que queria a rendição formal e imediata. Declarou-me já se ter rendido ao Sr. General Spínola, pelo telefone, e só aguardava a chegada deste para lhe transferir o Poder, para que o mesmo não caísse na rua! Estive para lhe dizer que estava lá fora o Poder no povo e que este estava na rua. Declarou esperar que o tratassem com a dignidade com que sempre tinha vivido e perguntou o que ia ser feito dele. Declarei que certamente seria tratado com dignidade, mas não sabia para onde iria, pois isso não me competia a mim decidir. Perguntou a quem competia. Declarei que a «Óscar». Perguntou quem era «Óscar». Declarei ser a Comissão Coordenadora. Perguntou-me quem eram os chefes. Declarei serem vários oficiais, incluindo alguns generais, isto para que ele não ficasse mal impressionado por a Revolução ser feita essencialmente por capitães.


Perguntou-me ainda o que ia ser feito do Ultramar. Declarei-lhe que a solução para a guerra seria obtida por conversações. Toda esta conversa, tida a sós, teve por fundo o barulho do povo a cantar o Hino Nacional e o Está na hora».

Depois, pouco antes das 18.00, chega Spínola, que embora tenha dito a Marcelo nada ter a ver com o Movimento, rapidamente assume ares de «dono da guerra», no dizer de Salgueiro Maia.



Às 19,30, Marcelo, Moreira Baptista e Rui Patrício entram numa viatura blindada que encostou a traseira à porta de armas do Quartel. Na confusão que se estabelece, com a multidão a gritar «assassinos!», e com os militares a proteger os homens do regime da ira popular, Henrique Tenreiro que deveria também seguir preso no transporte blindado, mistura-se com os populares e escapa-se, gozando mais umas horas de liberdade.



Após a rendição de Marcelo Caetano e a sua saída do Quartel, pode dizer-se que a Revolução estava ganha, embora, ali perto, na Rua António Maria Cardoso, os agentes da PIDE, encurralados como feras dentro da sua sede, disparassem das janelas, matando cinco pessoas
As únicas mortes verificadas durante o 25 de Abril.

A noite iria ser longa.
Muita coisa iria passar-se até que nos ecrãs da televisão os Portugueses tivessem ocasião de ver a Junta de Salvação Nacional, com uns senhores empertigados, com um vago ar de golpistas sul-americanos, viessem, armados em «donos da guerra», ditar as leis de uma Revolução para a qual nada tinham contribuído, deixando na sombra os jovens oficiais que, como Salgueiro Maia, tudo tinham feito, que tudo tinham arriscado.




E DEPOIS, O ADEUS

Naquele dia do princípio de Abril de 1992, no cemitério de Castelo de Vide, quatro presidentes da República (António de Spínola, Costa Gomes, Ramalho Eanes e Mário Soares), vêem descer à terra num modesto caixão o corpo de um dos homens que mais contribuiu para que tivessem podido ascender à mais alta magistratura da Nação.


No dia 4, Fernando Salgueiro Maia fora vencido pela doença.


«O gajo ganhou», dissera ele a um oficial da EPC, referindo-se ao cancro quando se convenceu do carácter terminal da sua doença.

Quem é este homem, vencedor de batalhas, de revoluções, que agora desce à terra, em campa rasa, ao som do «Grândola, Vila Morena»?

Nasce ali, em Castelo de Vide, em 1 de Julho de 1944. Muito novo, fica órfão de mãe. Faz os estudos primários em São Torcato, Coruche, e os secundários no Colégio Nun'Álvares de Tomar e no Liceu Nacional de Leiria. Em 1964, ingressa na Academia Militar.
«Filho de uma família de ferroviários, é a situação de guerra nas colónias que me permite o acesso à Academia Militar, pois o conflito fez perder as vocações habituais, e assim a instituição foi obrigada a abrir as suas portas», diz-nos ele em «Capitão de Abril».

Dois anos depois, apresenta-se na Escola Prática de Cavalaria.

Depois, a guerra.

Porém, tudo se pode resumir a uma breve legenda: Salgueiro Maia, soldado português que à frente de 240 homens e com dez carros de combate da EPC avançou em 25 de Abril de 1974 sobre Lisboa, ocupou o Terreiro do Paço levando os ministros de um regime ditatorial de quase 50 anos a fugir como coelhos assustados, cercou o Quartel do Carmo obrigando Marcelo Caetano a render-se e a demitir-se.


Atingiu o posto de tenente-coronel, recusou cargos de poder.

SALGUEIRO MAIA,

é o mais puro símbolo da coragem e da generosidade dos capitães de Abril.



E quase tudo terá ficado dito.





Joao Neves
____________________
Nota: Este texto foi elaborado com base em diversos depoimentos de intervenientes no 25 de Abril. Entre estes destacamos o livro de Salgueiro Maia «Capitão de Abril», editado pela Editorial de Notícias e a 4ª edição de «Alvorada em Abril», de Otelo Saraiva de Carvalho, também da mesma editora.

17 abril, 2008

18 de Abril - DIA INTERNACIONAL DOS MONUMENTOS E SÍTIOS

A propósito do Centro de Estudos de Arquitectura Militar de Almeida

A Porta Exterior de Santo António foi recentemente alvo de adaptação do seu espaço para a criação de um Centro de Estudos de Arquitectura Militar, denominado de CEAMA. De lamentar que tenha demorado tanto tempo a ser implementado, pois já as conclusões do I Simpósio Internacional de Arquitectura Militar Abaluartada, realizado em Almeida em 1989 (ver fotos), apontavam para a criação de um Centro onde se pudesse estudar e dinamizar essa área específica do saber…


Reconhecendo que mais vale tarde do que nunca, não queria, no entanto, deixar de registar alguns reparos que penso pertinentes, resultantes das obras de adaptação, de forma a prevenir a persistência de erros em intervenções no património histórico de Almeida.


Aparentemente, o mais gritante são as pirâmides de vidro e aço implantadas no exterior da Porta, assentes sobre o lajeado granítico que foi construído à prova de bomba. Como se vê, as ditas pirâmides não podem deixar de ficar mesmo integradas com a robustez do granito, pois a sua fragilidade, apesar de à prova do bom senso, não o é à prova de bomba…



Mas continuando…O piso no interior da porta, foi substituído por seixos rolados escuros, possivelmente do Rio Côa, argamassados com cimento, quando se sabe que, no original, a calçada era de quartzo leitoso e não tinha qualquer tipo de argamassa.

…O piso lateral, constituído por blocos graníticos com desgaste e patina seculares, foi agora revestido com placas alisadas de granito, contrastando uma vez mais, com o aspecto vetusto do conjunto.

…As maciças portas de carvalho também bem antigas, foram simplesmente serradas, aplicando roletes não devidamente enquadrados e aberrantes: as portas eram sólidas e fechadas, e não arregaçadas, pois desse modo não seriam à prova de tiro de arcabuz, como originalmente construídas.

… A canalização de esgoto aplicada em plástico colorido destoa no antigo rasgo construído para efeitos de esgoto do lado de fora das Portas. Sendo anacrónica, não custava muito disfarçá-la melhor.

Mas há mais: não houve cuidado em preservar na Praça talvez o único indício visível da ocupação pelas forças francesas, já que o presumível graffiti / gravação sulcada na pedra deixado pelas tropas napoleónicas (ver fotos antiga e actual) que existia no interior da Porta, foi simplesmente apagado por jacto de areia destruidor, tendo a quase totalidade dos pormenores irremediavelmente desaparecido.



… E, como ficou evidenciado na inauguração realizada em Agosto de 2007, foi pena terem-se esquecido da função de um algeroz de esgoto de águas pluviais o que como documenta a foto, com uma chuvada imprevista… inundou o interior da Porta, obrigando os convidados a deslocarem-se aos pulinhos e em bicos de pés. Logo na inauguração! Mas, por incrível que pareça, o erro perdura até hoje… no mesmo ponto, como se não fossem cair mais chuvadas!


Tendo em conta uma intervenção tão pontual, e com gastos de dinheiro alegadamente para valorizar o património, é de lastimar a falta de sensibilidade e cuidado nesta multiplicidade de pormenores - caracterizadores da abordagem feita.

Assim, aos poucos, vai a praça-forte de Almeida sendo desvirtuada da sua singularidade, perdendo a sua vetustez, ao sabor de intervenções pouco consentâneas com a sua histórica e patrimonial valia, que é - não nos esqueçamos- TODO O SEU CONJUNTO. Intervenções estas que vão sendo sempre decididas à revelia dos almeidenses e sem uma abordagem multidisciplinar que pudesse efectivamente contribuir com o mínimo de ponderação e conhecimento para a preservação e revalorização do património histórico da Praça-forte de Almeida, que, a despeito da possibilidade ou não de classificação pela UNESCO, assim vai ficando cada vez mais empobrecida, incaracterística e vulgar.

Por isso, no Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, além de um direito e dever de cidadania, registo estes reparos, em nome de uma capacidade cívica, interventora, tão diferente do “deixa andar” e, porque não dizê-lo, numa expressão de contestação, que julgo partilhada por muitos cidadãos de Almeida e do país, para um acto de afirmação: NÃO À CONTINUAÇÃO DESTE TIPO DE INTERVENÇÃO NO NOSSO PATRIMÓNIO!.

Rui Brito da Fonseca

15 abril, 2008

Agenda Cultural

Acabei de receber mais uma agenda cultural, a segunda do corrente ano.
Como sempre, dei-lhe uma vista de olhos procurando de alguma forma encontrar as principais novidades para este trimestre.
Não me vou pronunciar acerca do conteúdo da mesma. Cabe a quem a elabora definir os temas ali a inserir e destacar.
Em minha opinião, a Câmara Municipal terá que distribuí-la em tempo oportuno, para que as pessoas a possam consultar antes do início do trimestre. É que receber a mesma já passados 10/12 dias, alguns dos eventos já decorreram. Neste por sinal, havia alguns de interesse significativo.
Seja quem for que tem a responsabilidade da impressão da agenda, não pode cometer erros como os verificados nesta edição, principalmente de escrita.
É uma imagem negativa para a própria Câmara.
Aproveitando ainda este espaço, aconselho a que alguém verifique os números de telefone ali inscritos, como pertença de associações. Se ligarmos, para alguns, vamos encontrar pessoas no outro lado da linha que nada têm a ver com a associação.
O motivo principal deste meu apontamento prende-se com dois factos.
O primeiro para a realização de uma visita guiada ao Património do Concelho de Almeida, a primeira. A pergunta que se me afigura de imediato e perante o que se encontra inscrito na agenda, é a quem se destina esta visita? A toda a população do concelho? Aos mais idosos? Aos jovens? Aos alunos do Básico? A estrangeiros?
Estas perguntas surgem-me apenas e só, porque a visita está marcada para o dia 24 de Abril, quinta-feira, dia de trabalho normal para a maioria das pessoas.
O dia a seguir (25 de Abril), até é feriado nacional. E porque não ao domingo? Pessoalmente não posso participar, e como eu, certamente mais pessoas.
Boas razões terão havido para que seja a 24, quinta-feira.
O segundo motivo que me leva a escrever sobre a agenda cultural da Câmara Municipal de Almeida, relaciona-se com a declaração do senhor Vice-Presidente da Câmara.
Atentos ao segundo parágrafo do texto, podemos ler “…..neste trimestre, vos convidamos….”. Vos convidamos? Aceitaria de bom grado a expressão se a mesma fosse dirigida a pessoas de convivência diária ou de confiança pessoal. A questão fundamental é que uma agenda deste tipo e com estas características, certamente ultrapassa fronteiras concelhias, regionais e se provávelmente até nacionais.
Tratar as pessoas por vos, é que me parece falta de decoro.
Não menos grave do que esta questão, temos a afirmação do penúltimo parágrafo.
Termina assim: “….roteiro gastronómico direccionado fundamentalmente para os Restaurantes de Almeida, Vilar Formoso e Concelho.”
Uma pergunta me surge: Almeida e Vilar Formoso não pertencem ao Concelho?
Numa agenda que se pretende e diz cultural, não pode haver afirmações como estas.
Há que corrigir no futuro. E antes da saída da mesma, deve ser feita uma leitura de correcção para evitar gralhas simples, mas que dão uma imagem negativa.
Penso que não é isso que o Executivo pretende.

Câmara de Almeida acusa Arq. José Afonso de inoperância

Câmara de Almeida Acusa Director do IGESPAR da Beira Interior de “inoperância”

Noticia publicada in “Terras da Beira” em 10/Abril/2008.

“O presidente da Câmara Municipal de Almeida, Baptista Ribeiro, confirmou ao Terras da Beira que teve de recorrer aos serviços do IGESPAR em Lisboa para poder avançar com as obras de impermeabilização das Casamatas. A “inoperância” do director regional estava a comprometer a instalação do Museu Histórico-Militar e a utilização de fundos comunitários.”

Penso que será útil e de extrema importância que esta “discussão” se esclareça, com a maior brevidade possível, pelos intervenientes. Pelos vistos será uma discussão entre o Director do IGESPAR e o Presidente da Câmara de Almeida.

Os habitantes de Almeida e até do Concelho, devem saber a verdade toda, uma vez que foram feitas afirmações, de ambos os lados, que eu considero bastante graves, no que respeita ao património arquitectónico e cultural de Almeida.

Diz aquele Semanário “…o Director do IGESPAR, disse ao TB que discordava “profundamente” daquilo que foi feito e que lhe “dói muito ver um monumento com “aquela importância” ser tão “mal tratado”…”.
Por sua vez o Sr. Presidente da Câmara de Almeida “…diz que as afirmações foram feitas de “forma leviana e irresponsável”… afirmando até que “…se José Afonso não pedir desculpas, o presidente da Câmara de Almeida assegura que irá exigir a demissão do arquitecto do cargo que ocupa no IGESPAR…”.

Penso que por respeito aos habitantes deste Concelho se deve apurar a verdade.

Pelo nosso lado resta-nos afirmar que esperamos que desta discussão na “praça pública”, não resulte em quaisquer prejuízos para Almeida, para o seu Concelho e para o nosso Património Cultural.

Pela minha parte termino, e porque já ouvi e li que à para aí projectos de “esplanadas”, “lagos ou lençóis de água” a construir no NOSSO património, com um apelo: POR FAVOR, NÃO MEXAM NO NOSSO MONUMENTO. Por favor não acrescentem nada ao nosso Monumento. LIMPEM-NO E RESTAUREM-NO SIMPLESMENTE, mas de resto, fiquem quietinhos. Não lhe toquem. Ele não precisa de mais nada. Por favor.

João Neves

09 abril, 2008

Assim....não.

No início desta semana fomos confrontados na comunição social com declarações proferidas por um destacado dirigente do Partido Socialista, acusando o Partido Social Democrata de " troca tintas".
Como militante, por enquanto, não posso deixar de manifestar o meu protesto pela ofensa feita.
Se o Partido Socialista quisesse atingir alguém em particular, deveria ter falado no nome da(s) pessoa(s) e não falar na globalidade, porque naquele partido ainda há gente séria, honesta e de palavra.
Recordo-me aquando da campanha eleitoral das últimas Legislativas o que nos foi prometido.
Não haveria aumento dos impostos, não haveria portagens nas SCUTS, etc, etc.
O Povo acreditou e votou maioritáriamente no Partido Socialista.
Eu pergunto se tivessem dito que assim que fossem eleitos aumentariam os impostos, passaria a haver portagens nas SCUTS, não haveria os tais 150.000 postos de trabalho para os recém licenciados, que o desemprego aumentaria, que a maioria dos SAPs sofreriam as reformas que foram feitas, enfim, tudo o mais que nós sabemos.
Será que o POVO teria votado maioritáriamente como o fez? É uma dúvida que tenho.
Na minha terra, na minha região, a uma pessoa que não cumpre o que promete, que falta à palavra dada, não se lhe chama troca tintas, dá-se-lhe um nome muito pior que eu não vou mencionar aqui, só por uma questão de educação e respeito.
Atirar uma pedra para o telhado do vizinho, quando o nosso é de vidro, não me parece uma falta de respeito, nesta situação, atrever-me-ia a dizer que se trata de falta de cultura democrática.
Assim....não.
José Augusto Marques

07 abril, 2008

MULTIUSOS...afinal em que ficamos?????

João, como é um assunto de grande importância para a nossa terra, e sabendo que és um homem que buscas as verdades dos factos, gostaria que desses a este tema o ênfase que merece.

Abraço.

Mas em que ficamos?

De A Máscara a 3 de Abril de 2008 às 11:21 (Blog AmigoPiri)

Cá para mim era um quilo e meio de multiusos em cada freguesia…!Em Almeida não se construiu primeiro um multiusos porque a Junta de Freguesia da altura não foi capaz de encontrar um terreno para o efeito! Porque Almeida não tem um multiusos?! Uma pergunta simples. Dá pena que anos após ano, teimosamente, se celebre a Feira do Fumeiro naquela data e naquele lugar! Eu sei que a teimosia tem um objectivo. Espera-se que os festejos de Pinhel acabem e os Carnavais de cidade Rodrigo mudem a data!!!!!!!!!!!! Quanto ao Picadeiro, quando o Piri fizer uma montagem de uma cobertura para aquele espaço, a responsável do mesmo, fará a obra! Lindo!
Abraço.

O blog do Castelo responde a uma critica efectuada pelo comentador "A MÁSCARA", referente a construção de um multiusos em Almeida.

Sexta-feira, 4 de Abril de 2008.

Prémio do comentário politicamente mais desonesto:
«Em Almeida não se construiu primeiro um multiusos porque a Junta de Freguesia da altura não foi capaz de encontrar um terreno para o efeito! »
Autor desta preciosidade: Máscara

Comentário do Blog do Castelo:
Este é o excerto de um comentário da autoria do Máscara a um dos posts do blogue Amigopiri .
É certo que os blogues acolhem tudo, a verdade e a mentira, o elevado e o soez, a ideia clara e o objectivo escuso, as boas intenções e a as segundas intenções, a postura digna e o oportunismo rasca. Talvez esteja aí, nessa potencial dualidade, a força da blogosfera democrática, apesar do descrédito que alguns insistem em lhe instilar.
Esta frase do Máscara cuja classificação deixo ao vosso alvedrio aqui fica, sem mais comentários da minha parte.

A MÁSCARA Responde:

De a máscara a 6 de Abril de 2008 às 23:18 (Blog do Castelo)

...Ti, só agora tive possibilidade de ver o teu comentário de sexta-feira, 4 de Abril e não podia deixar de responder.Reparei que o meu comentário provocou-te alguma emotividade! Parece que ficaste um pouco chateado?!
Até posso compreender tal atitude.
Será que foi uma reacção à consciência que te assalta, sempre que se fala em multiusos, e ela te diz que nem tudo foi feito para que Almeida tivesse um?!
Ti, podes pintar as coisas com as aguarelas literárias e com as ironias que tiveres (e tens muito), que não mudam a realidade e a verdade dos factos.
Eu estava presente nessa Assembleia Geral em que o Presidente da Câmara da altura, agora Presidente da Assembleia (Costa Reis), disse mais ou menos o seguinte, dirigindo-se a ti: “Senhor Presidente da Junta, arranje-me um terreno hoje que eu faço-lhe o pavilhão multiusos amanhã.”
Passado todo este tempo muitas interrogações podem ser feitas!O desafio teve apenas como motivo a luta partidária?!A Junta não conseguiu arranjar o terreno?!Depois de responder a estas duas perguntas muitas outras se podiam fazer.
Mas uma coisa é certa, Almeida não tem, nem é prioridade do actual Presidente da Câmara, um pavilhão multiusos e continua a fazer actividades à chuva!
Considero que foi um fracasso político da Junta, como outros, por não ter aproveitado o momento.
Mas já por várias vezes dei comigo a pensar se esta obra, para mim fundamental, como tive oportunidade de o dizer na última campanha política, não será para Vós uma obra secundária!
É que nunca vi nenhuma acção, com força capaz, de a reivindicar!
Para terminar agradeço a imagem do personagem triste, ingénuo e sonhador… Uma imagem que deveras me assenta bem! Ingénuo enquanto inocente, mas puro!

Abraço

P.S. - Este artigo foi-nos enviado por um Anónimo. Porque consideramos que é assunto de interesse primordial para a Freguesia de Almeida, e porque transcreve realmente os escritos nos dois Blogs citados, aqui o publicamos.

04 abril, 2008

Porque os blogs também podem ter esta função...

A pedido do Agrupamento de Escuteiros 1071, de Ferreira do Alentejo,
agradeço que façam passar esta mensagem para todos os vossos contactos.

A SARA MARIA ARSÉNIO FRANCO de 7 anos,
residente em Ferreira do Alentejo,
precisa urgentemente de encontrar um dador de medula
com as seguintes características:

G.S. - A POSITIVO - 2ª FASE - HOSPITAL D. ESTEFÂNIA

Vamos esgotar esforços para tentar ajudar esta criança a encontrar um dador compatível!


Basta reenviarmos este mail e fazer com que ele chegue ao maior número de pessoas possível.

Contactos: 966083327/ 968589896


03 abril, 2008

POR ONDE ANDA A DEMOCRACIA

Mário Crespo. Jornalista

Pronto!
Finalmente descobrimos aquilo de que Portugal realmente precisa: uma nova frota de jactos executivos para transporte de governantes.
Afinal, o que é preciso não são os 150 mil empregos que José Sócrates anda a tentar esgravatar nos desertos em que Portugal se vai transformando.
Tão-pouco precisamos de leis claras que impeçam que propriedade pública transite directamente para o sector privado sem passar pela Partida no soturno jogo do Monopólio de pedintes e espoliadores em que Portugal se tornou.
Não precisamos de nada disso.
Precisamos, diz-nos o Presidente da República, de trocar de jactos porque aviões executivos "assim" como aqueles que temos já não há "nem na Europa nem em África".
Cavaco Silva percebe, e obviamente gosta, de aviões executivos. Foi ele, quando chefiava o seu segundo governo, quem comprou com fundos comunitários a actual frota de Falcon em que os nossos governantes se deslocam.Voei uma vez num jacto executivo.
Em 1984 andei num avião presidencial em Moçambique.
Samora Machel, em cuja capital se morria à fome, tinha, também, uma paixão por jactos privados que acabaria por lhe ser fatal.
Quando morreu a bordo de um deles tinha três na sua frota. Um quadrimotor Ilyushin 62 de longo curso, versão presidencial, o malogrado Antonov-6, e um lindíssimo bimotor a jacto British Aerospace 800B, novinho em folha.
Tive a sorte de ter sido nesse que voei com o então Ministro dos Estrangeiros Jaime Gama numa viagem entre Maputo e Cabora Bassa.
Era uma aeronave fantástica.
Um terço da cabina era uma magnífica casa de banho. O resto era de um requinte de decoração notável.
Por exemplo, havia um pequeno armário onde se metia um assistente de bordo magro, muito esguio que, num prodígio de contorcionismo, fez surgir durante o voo minúsculos banquetes de tapas variadíssimas, com sandes de beluga e rolinhos de salmão fumado que deglutimos entre golinhos de Clicquot Ponsardin. Depois de nos mimar, como por magia, desaparecia no seu armário.
Na altura fiz uma reportagem em que descrevi aquele luxo como "obsceno".
Fiz nesse trabalho a comparação com Portugal, que estava numa craveira de desenvolvimento totalmente diferente da de Moçambique, e não tinha jactos executivos do Estado para servir governantes.Nesta fase metade dos rendimentos dos portugueses está a ser retida por impostos. Encerram-se maternidades, escolas e serviços de urgência.
O Presidente da República inaugura unidades de saúde privadas de luxo e aproveita para reiterar um insuspeitado direito de todos os portugueses a um sistema público de saúde.
Numa altura destas, comprar jactos executivos é tão obsceno como o foi nos dias de Samora Machel.
Este irrealismo brutalizado com que os nossos governantes eleitos afrontam a carência em que vivemos ultraja quem no seu quotidiano comuta num transporte público apinhado, pela Segunda Circular ou Camarate, para lhe ver passar por cima um jacto executivo com governantes cujo dia a dia decorre a quilómetros das suas dificuldades, entre tapas de caviar e rolinhos de salmão. Claro que há alternativas que vão desde fretar aviões das companhias nacionais até, pura e simplesmente, cingirem-se aos voos regulares.
Há governantes de países em muito melhores condições que o fazem por uma questão de pudor que a classe que dirige Portugal parece não ter.Vi o majestático François Miterrand ir sempre a Washington na Air France.Não é uma questão de soberania ter o melhor jacto executivo do Mundo.
É só falta de bom senso. E não venham com a história que é mesquinhez falar disto.
É de um pato-bravismo intolerável exigir ao país mais sacrifícios para que os nossos governantes andem de jacto executivo.
Nós granjearíamos muito mais respeito internacional chegando a cimeiras em voos de carreira do que a bordo de um qualquer prodígio tecnológico caríssimo para o qual todo o Mundo sabe que não temos dinheiro.

Mário Crespo, escreve à 2ªf no JN

02 abril, 2008

DESMENTIDO DIA DOS ENGANOS

Claro que era brincadeira do 1º de Abril essa do metro de superfície em Almeida!

Não vai haver nenhum metro, nem vídeo vigilância ...por ora, mas é verdade que a obra arquitectónico-decorativa da estação do dito metro existe, e está lá. Exactamente como na foto e no sítio indicado!

Provavelmente, terá escapado de qualquer rede de metropolitano e foi parar à Praça-forte que dá pelo nome de Almeida, construída e reconstruída entre o séc. XVII e XIX, mas que há quem teime em a modernizar à força com essas importantes mais valias...

Tal como se anuncia com o projectado espelho de água à entrada das Portas de S. Francisco.

- Ó S. Francisco, vê lá bem o que vão fazer perto das tuas portas!

Quando Almeida tiver todas essas modernidades, vai ver os turistas a duplicar, pois todos quererão ver estações de metro, pirâmides de vidro, espelhos de água, candeeiros de campo de futebol, granitos e mais granitos polidos e casas tipo tupperware.Viva tantos modernismos!
Agora sim! Almeida vai entrar no futuro!

01 abril, 2008

METRO DE SUPERFICIE EM ALMEIDA


A foto apenas mostra em antecipação o que será o metro de superfície, que brevemente começará a ser construído em Almeida. Contudo, uma das estações já está construída. Fica junto às Casamatas, perto da Roda dos Expostos. Se o leitor ainda não a descobriu é porque não tem visitado Almeida ultimamente…

Mas para além deste grande melhoramento que será o metropolitano de superfície, esperam-se ainda em breve mais valias, como a construção de um lago à entrada nas Portas de S. Francisco e também um sistema de videovigilância, para proteger os turistas nas ruas desertas em Almeida, do mais moderno que há, muito semelhante ao que se está a instalar nas grandes cidades do litoral. Parabéns a todos!

27 março, 2008

28 de Março - DIA NACIONAL DOS CENTROS HISTÓRICOS


28 de Março - Dia Nacional dos Centros Históricos


Desconhece-se se Almeida comemora esta efeméride. O sítio oficial da CMA nada diz nesse sentido. É lamentável, já que Almeida e várias freguesias do concelho possuem centros e núcleos históricos cuja importância merece ser relevada, não apenas no Dia Nacional, mas em cada dia que passa.

Na verdade, é essencial comemorar as identidades locais, realçando o que é intrinsecamente das populações, não só para conhecimento dos forasteiros, mas também e especialmente para auto-estima e consciência dos habitantes que têm nos seus centros históricos a génese das suas raízes. Nunca é demais realçar essa ligação telúrica que cada um de nós tem com o local onde nasceu, viveu momentos do seu despertar ou do seu crescimento interior: são essas raízes que nos prendem à vida, aos nossos semelhantes e onde também predominam as memórias que nos acompanham durante a existência.

Pelas condicionantes dessa mesma existência, os seres vivos vão inexoravelmente desaparecendo e cada um de nós vai ficando mais fragilizado, sendo a renovação das gerações o grande contrabalanço dessas perdas. Por isso, há marcos que são (ou deveriam ser) mais perenes e importantes não só para as nossas referências pessoais mas também como testemunhos da História e da sociedade local, herança do nosso passado comum, factor de identidade, e legado aos vindouros. No entanto, tal só acontece se os conservarmos, preservando-os quando necessitam, deixando-os permanecer como símbolos de épocas que nos precederam e, portanto, fazendo parte da nossa História comum.


No concelho de Almeida, sobretudo na sua sede, os testemunhos da História constituem ainda expectativa de uma valorização económica local, já que o potencial monumental contribuiria para uma crescente atracção turística que, devidamente aproveitada, traria certamente maior bem-estar aos que ali residem. Porém, não é isso que tem acontecido, por muito que se apregoem números extraordinários de visitantes. Será, como justificam as entidades tutelares, apenas por inércia dos seus habitantes?


Ou será porque nunca houve um efectivo (e afectivo) esforço com a terra, em respeito pela sua identidade? São esses centros ou núcleos históricos que não só muitas vezes ficam votados ao esquecimento por cada um de nós, mas, pior ainda e como cada vez mais vem acontecendo, no desvairado investimento pelas entidades administrativas responsáveis (veja-se não só as intervenções na sede do concelho, mas também, por exemplo, no chamado “arranjo urbanístico” no largo da Igreja de Vilar Formoso…) ficam absolutamente descaracterizados e violados por projectos, materiais e formas discrepantes, ao gosto das modas do momento que apenas repugnam os habitantes na sua memória identificativa e repelem os desejados visitantes, por os tornarem vulgares e desfeados.


Outras vezes, com o argumento do desenvolvimento - que nunca chegará por essa via - na conivência com projectos particulares, os centros históricos ficam sujeitos a implantes lesivos por profissionais para quem a alma do lugar é apenas um pedaço de terreno onde os laços que cada um de nós tem com o ambiente não passam de sentimentalismos bacocos.

Recentemente, o centro histórico de Almeida viveu grande polémica com um edifício soberbamente erigido no coração da Praça da Liberdade, junto ao edifício da Câmara, com manifesta e expressiva discordância dos almeidenses, enquanto os técnicos continuaram a vociferar para os “leigos” que se tratava de uma “jóia, um bijou, uma preciosidade”. Hoje tem uma tabuleta afixada: “VENDE”.
- Tanta polémica… para este desfecho!

Também o “Terras da Beira” de 27.03.2008 continua a trazer notícias sobre o projecto da recuperação das Casamatas. Segundo essa fonte, enquanto a autarquia se esforça por ir directamente a Lisboa, ultrapassando o parecer negativo do IGESPAR de Castelo Branco, o seu director, Arq. José Afonso, afirma que “dói muito” ver um monumento “com aquela importância, ser tão mal tratado”. O que se passa? Se o projecto é mesmo válido, porque precisa de contornar as delegações regionais? Será apenas uma polémica entre técnicos, como outras que Almeida já presenciou, ou temos de estar prevenidos com mais obras precipitadas que em vez de valorizar apenas degradam os nossos monumentos?



Por tudo isto, e muito mais, o Dia Nacional dos Centros Históricos em Almeida deve ser uma data não apenas para reflexão sobre os locais históricos mas sobretudo para uma consciencialização exigente junto de nós próprios e particularmente junto das entidades administrativas, não deixando intervir sem o conhecimento público naquilo que apenas lhes está confiado por um mandato político.

Será que já não é mais do que tempo de gritar que “o rei vai nu”?


Rui Brito da Fonseca

CASAMATAS DE ALMEIDA


Em entrevista ao Jornal Terras da Beira, o Director do IGESPAR (ex-IPPAR) critica fortemente a intervenção que a Câmara Municipal de Almeida está a fazer na impermeabilização das Casamatas, para ali ser instalado o futuro Museu Histórico-Militar.
Perante estas afirmações de José Afonso, Director do IGESPAR, importa colocar aqui várias questões, nomeadamente:
- Diz aquele responsável que a opção da autarquia provocou danos (ou está a provocar?) no imóvel, nomeadamente no refechamento de juntas e aberturas de vãos entre as várias casamatas.
- Afirma José Afonso que "dói muito ver um monumento com aquela importância ser tão mal tratado".
- O processo foi mal conduzido pela Câmara (ou não?) ao ser apresentado o novo projecto ao IGESPAR em Lisboa, sem dar conhecimento à Delegação de Castelo Branco, que é quem superintende estes assuntos no âmbito da Beira Interior.
- A Câmara Municipal de Almeida tem um acordo com o Exército para instalar nas Casamatas um Museu Militar, entretanto a obra não está a ser acompanhada pelo Director tutelar dos Museus Militares, a quem cabe a última palavra.
Meus Senhores algo se passa que ninguém entende e ninguém sabe ou está devidamente esclarecido. O que tem a dizer de tudo isto o Sr. Arquitecto João Campos, actual consultor da Câmara Municipal de Almeida. Se este Senhor não serve para bem servir Almeida e o seu Património, porque não foi já demitido?
Voltaremos em breve com mais esclarecimentos sobre este tema...pois é tempo de se dizer basta no que se refere às autenticas agressões a que o nosso património tem vindo a ser sujeito.
Até breve.
João Neves

26 março, 2008

Feira Medieval em Castelo Mendo


Sábado 5 de Abril

Festim Medieval e Espectáculo de Fogo sobre lendas da terra – Lenda das Amoreiras de
D. Dinis e dos bichos-da-seda.




Dia 6 de Abril - Domingo

10h – Abertura do Arraial
11h – Cortejo do Almotacem e do Meirinho
12h – Danças e Bailias
13h – Comeres e Beberes nas tabernas do mercado
14 h- Auto dos Histriões
15h – Malabarismo e acrobacias
16h- Torneio de armas a cavalo
17h - Exercício de falcoaria
18 - Juízo de heréticos
19- Encerramento da feira

20 março, 2008


Um abraço do
João Neves

09 março, 2008

MOVIMENTO CÍVICO DO CONCELHO DE ALMEIDA

Movimento Cívico do Concelho de Almeida

Há algum tempo atrás escrevi, neste espaço, um artigo cujo título era “A RIVALIDADE VILAR FORMOSO/ALMEIDA E AS ALTERNATIVAS POLÍTICAS PARA O CONCELHO DE ALMEIDA”. Foi um tema que suscitou alguma discussão não só no Almeida Fórum como noutros blogues da região. Como habitualmente, apareceram as perguntas retóricas, inquisidoras e despropositadas acerca do que o “Sr. Mário Martinho (Jr.) (e companhia) já fez pelo nosso concelho”.
Antes de escrever concretamente sobre o título deste artigo gostaria de dizer a essas pessoas que, em lugar algum, eu disse ou escrevi que já fiz isto ou aquilo pelo concelho de Almeida. Jamais arvorei a condição de “iluminado”, como foi insinuado, nem me auspicio “salvador da pátria” algum, como outros comentaram. No entanto, e que fique claro, penso pela minha cabeça! Tenho as minhas ideias e sei analisar o rumo que para este nosso concelho tem sido traçado.
É triste que os fanatismos partidários de algumas pessoas tenham o poder suficiente para lhes toldar as ideias e ofuscar a realidade nada encorajadora a que o concelho está votado…

Faz-me confusão que não se entenda que querer o melhor para o concelho, debater ideias, tentar congregar esforços para se encontrar uma saída para esta zona, não tem de ser, invariavelmente, uma procura de protagonismo ou de anseio por um “tacho”. Ou não se entenda, ou não dê jeito entender!

Já deu para ver, pelos comentários recorrentes, que uma das forças políticas do concelho está incomodada com a possibilidade, ainda que remota, de se constituir uma terceira lista autárquica. Da mesma forma é possível ver que, pelo silêncio estratégico e por alguns dos comentários anónimos encomendados, a outra força política tem estado a “esfregar as mãos” com tal perspectiva.

Acredito que ainda seja cedo para ambas as posições!

Como conclusão do meu artigo acima referido, deixei, na altura, questões no ar, por um lado acerca da capacidade das duas forças políticas que habitualmente se nos apresentam a votos para inverterem a situação de pobreza do nosso concelho, e por outro lado sobre a pertinência e capacidade dos que não se identificam com as anteriores se “sentarem a uma mesa e pensarem num rumo melhor para este concelho”.

É aqui que “encaixa” este artigo que agora escrevo.

Um movimento cívico é constituído por um conjunto de pessoas com o objectivo de defender uma causa, defender ideais, lutar contra uma qualquer injustiça, fazer ouvir opiniões de um grupo de cidadãos ou simplesmente de reunir informação, ideias e capacidades que possam ajudar ou acrescentar uma perspectiva nova aos decisores em funções. É desta forma que tem de ser entendido o conceito de movimento cívico.
Muito raramente um movimento cívico surge com o objectivo primário de criar uma alternativa política ou de permitir uma candidatura seja a que eleições forem. Estes casos são pontuais, embora, por ventura, possam ser os mais conhecidos pelo mediatismo de que se revestem. São exemplos destes movimentos cívicos os criados em torno das candidaturas de Manuel Alegre e Helena Roseta em eleições recentes.
No outro prato da balança podemos encontrar centenas de movimentos cívicos cujos objectivos não passam por candidaturas a coisa alguma. São exemplos destes movimentos cívicos os seguintes: “Avisar toda a gente”, “Movimento cívico pela linha do Tua”, “Movimento cívico em defesa do Mercado do Bolhão”, “Movimento porta 65 fechada”, entre muitos outros.

Numa linha intermédia dos dois tipos anteriores existem outros movimentos cívicos cujo objectivo central não se reveste de uma obrigatoriedade de criação de uma lista política alternativa, mas que, se assim for necessário, esteja em condições de a apresentar. É exemplo destes movimentos, o movimento cívico “Pensar Fânzeres”. E, relativamente a este último, parece-me pertinente apresentar um extracto da explicação da sua formação, datada de 2005:

MOVIMENTO CIVICO “PENSAR FÂNZERES”
Porque é urgente um rumo, uma ambição para a Vila de Fânzeres. Porque é urgente mudar, mudar para evoluir, um grupo de cidadãos fanzerenses, independentes e de diversos quadrantes políticos decidiu constituir o Movimento Cívico "PENSAR, FÂNZERES".
O Movimento Cívico "PENSAR, FÂNZERES" surge da necessidade de "agitar" os fanzerenses face à inoperância e inércia reinante na Vila, de modo a ser um veículo das suas reivindicações junto do poder local e central, a fim de proporcionar-lhes uma maior qualidade de vida.

É engraçado, que lido o extracto, e fazendo o exercício de trocar os “fanzerenses” pelos almeidenses, ficamos com a noção exacta de que, pelas mesmas razões, é premente a criação do “Movimento Cívico Pensar Almeida”, que, com este ou outro nome, congregue pessoas, cidadãos, vontades e capacidades de todos os quadrantes políticos e/ou ideológicos, de todas as freguesias, idades e motivações, para que se PENSE a sério o concelho de Almeida.

Reitero a ideia de que um movimento cívico no concelho de Almeida e em prol do concelho de Almeida não tem de forçosamente ter o objectivo de se constituir, à posteriori, como uma lista eleitoral alternativa. O que tem obrigatoriamente é de ajudar a pensar o futuro do concelho, debater, alertar, intervir… Em último caso, deverá estar preparado para se apresentar aos eleitores.

Poder-se-á, então, colocar a questão: “Mas, afinal, um movimento cívico deste tipo deverá ou não criar, a seu tempo, uma lista eleitoral que represente as suas ideias e convicções?”

A resposta a esta questão está na posse das duas forças políticas habituais do concelho. São elas que, com os seus actos e projectos farão com que surja ou não a tal alternativa. Sim, porque, em primeira instância, um movimento cívico que pretende impulsionar o desenvolvimento de um concelho só poderá ser visto pelas forças políticas como um aliado que defende a mesma causa.

É de todo o interesse de qualquer partido político com aspirações no concelho o aproveitamento das ideias e opiniões que possam surgir das pessoas com capacidade que possam vir a integrar este movimento. É importante ouvir. É importante saber escutar uma abordagem diferente da nossa para um mesmo problema.

Esta congregação de esforços seria o ideal, porém, face aos clubismos que permanentemente se têm manifestado, não acredito que esta interacção venha a ser efectiva.

Falta exactamente um ano para vermos no que vai dar esta abordagem…

Em síntese, considero indispensável, possível e favorável, a criação de um movimento cívico que pense com seriedade e abnegação no futuro do concelho de Almeida.
Considero que existem pessoas dos vários quadrantes politico-ideológicos suficientemente capazes e disponíveis para levar este projecto avante de uma forma competente e estruturada.
Considero, ainda, que está na hora de avançar!

Pelo concelho de Almeida, pelas suas gentes, por TODOS NÓS!

Mário Martinho (Jr.)

08 março, 2008

HOMENAGEM

Vamos dedicar uma página todos os meses, a uma Associação e/ou Instituição do Concelho de Almeida, com artigos, imagens, histórias e demais comentários, em jeito de homenagem, contribuindo assim para que o esforço que tem sido prestado pelo Voluntariado da nossa região fique registado. Vamos correr o Concelho e fazer todo o possível para não nos esquecermos de nenhuma instituição, associação ou iniciativa da chamada sociedade civil.


Iniciamos esta página com uma associação que já não está no activo, mas que nunca foi “abatido ao efectivo”, ou seja, em qualquer altura se pode dar-lhe vida.
Começo por esta Associação, porque é uma associação que me deixou imensas saudades, porque faz parte da minha história de vida e da história de vida de muitos e muitos de vós, porque ainda hoje, quando se fala dela, muitos olhos se humedecem, com saudade... muita saudade.

Refiro-me à

SECCÇÃO DESPORTIVA DOS BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DE ALMEIDA.



Quem não se lembra da sigla S.D.B.V.A.?

Quem não se recorda do MELHOR CLUBE DO DISTRITO DA GUARDA?

Sim, o melhor Clube do Distrito da Guarda, eleito por vontade da Associação de Futebol da Guarda.
Não fomos nós que o afirmámos. Foi o Distrito que por quase unanimidade o afirmou na altura. Para que conste.

Muitos de nós, recordam-se concerteza da movimentação, no Estádio de Almeida,nos dias de treinos, de mais de 100 atletas, a sua esmagadora maioria jovens de tenra idade. Meninos que faziam as nossas delicias ao evoluírem no campo, com as suas habilidades natas, que “obrigavam” a encher de gente o estádio de Almeida e a lotarem os autocarros para irem ver os seus meninos a Coimbra, a Viseu, Aveiro, Vila Real, Porto ou Guimarães e outros locais do País.
Quando digo aqui, que este Clube esteve representado no Campeonato Nacional Português, nos 3 escalões, ou seja em Iniciados, Juvenis e Juniores numa mesma época,e por diversas vezes, claro que não digo nada de novo para muitos de nós. Que orgulho ver o nome do nosso Clube e reportagens dos seus jogos, nos Jornais de maior tiragem nacional

Todos nós nos lembramos de ver em Almeida, a jogar contra os nossos rapazes, o Porto, o Guimarães, o Boavista, a Académica e outros emblemas de referência no desporto nacional. Quem não se recorda de ver evoluir em Almeida os Campeões do Mundo de Riad, Fernando Couto, Victor Baía, Morgado, João Pinto,etc,etc.
Eu recordo-me de ver , por exemplo, alguns destes Campeões do Mundo de Riad a darem os parabéns a alguns dos nossos jovens atletas, pelas suas qualidades, pois tinham acabado de realizar um jogo enorme contra o Porto.
Recordo-me com muita saudade de todos os nossos meninos, das suas partidas, das muitas alegrias que as suas vitórias como Campeões do Distrito da Guarda nos proporcionavam.
Como era agradável ver a evolução que os nossos meninos demonstravam de dia para dia.
Claro que cada um de nós tem imensas imagens, gravadas no cérebro, de passagens que hoje nos fazem emocionar.
Quem não se recorda dos nossos Dirigentes, que se dedicavam quase diariamente ao clube.

Da marcação das linhas do nosso “relvado” com cal viva,o terreno completamente congelado pela geada, logo pela manhã, aos Sábados e depois do jogo se realizar à tarde, lá vinham os Dirigentes acompanhados do dedicado e enorme Zé Monaito, para tornar a marcar o Campo, pois no Domingo às 11 horas havia outra vez jogo de outra equipe, e depois deste jogo…torna outra vez a marcar o campo porque no Domingo à tarde havia jogo dos Seniores.
Quem não se recorda dos jogos do bingo, com a sala da antiga velhinha Sede dos B.V.A. cheia de gente, a comer o seu caldo verde e as espetadas preparadas por homens que (alguns deles…) nunca tinham cozinhado na vida, temperadas pelo Telmo Fragoso, auxiliado por muitos outros. Eu recordo-me com muita saudade do convívio que se gerava nestas noitadas que por vezes duravam até às 3 ou 4 da manhã. Eu recordo-me com um sorriso do Manuel Vaz, do nosso Toninho, do Barata e de tantos outros a servirem à mesa os nossos atletas, o jantar confecionado por eles próprios.
Claro que é importante lembrar as esposas dos nossos Dirigentes, pois elas também estavam na Sede do Clube aos Domingos, para ajudar no que fosse preciso, principalmente no que respeita à cozinha e à limpeza das instalações.
Ainda hoje eu faço as minhas espetadas de carne de acordo com o tempero que o Telmo Fragoso e o Manel Vaz me ensinaram.

Deixo aqui um desafio.

Todos nós temos uma história, uma brincadeira, uma passagem cheia de emoção para contar.
Vamos compartilhar com todos tudo o que temos para recordar.

Mandem-me tudo isso que têm para contar para registar aqui e passe a ser património comum.
Mandem-me as fotos que gostariam de ver publicadas. Contem aqui as "partidas" que pregavam uns aos outros.Mandem-me os nomes para ficarem aqui referenciados.

Aqui ficam os primeiros nomes que, eu tomo a liberdade de começar a publicar, gente que fez parte dessa grande obra que foi a Secção Desportiva dos B.V. de Almeida.

Mandem-me por e-mail o nome de:

Um Dirigente
Um Treinador
Um Atleta

Será emocionante e agradável ver esta lista a crescer com os nomes que me forem enviando.

E não se esqueçam das histórias. Começo por uma pequena mas hilariante história:

“…de regresso a casa depois de um jogo de Seniores, salvo erro, em Fornos de Algodres.
A noite já tinha caído, e estava um nevoeiro cerrado.
O Ti Emídio estava concentrado na condução do velhinho autocarro.
Os restantes atletas passavam o tempo de diversas formas, uns a dormir, outros na conversa, na brincadeira uns com os outros.
Estávamos perto do cruzamento de Leomil…
De repente só se ouve uma voz, um berro enorme: “OLHÁ VACA!”…
E o Tí Emídio não está para modas…travões a fundo…um sarrabulho enorme…autocarro parado e o Tí Emídio a perguntar: “Aonde???”… e o Victor Almeida…com uma voz “inocente”...de mansinho... a dizer: “Ali…”, e apontava para um sinal de trânsito triangular com uma vaca desenhada… Claro que o autor da exclamação e da indicação da dita vaca, foi o próprio Victor Almeida.
Eram assim os nossos rapazes, brincalhões, sempre prontos para uma partida - e que partidas…não é Jorge Tiago?…não é Tibério?

Aqui vão os primeiros nomes postados por mim:



DIRIGENTES

António Augusto Ferreira (Toninho)
Américo Gaspar
Prof. Alberto Vilhena de Carvalho
Dr. Carlos Pereira


TREINADORES

Prof. Zé Vaz
Carlos "Palanca"
João Neves
Victor do Pereiro (Vitó)
Fausto

ATLETAS

Victor Correia (Vitó)
Zé Fernando (Albano)
Sino (Alcino Morgado)
Nuno Matias


Era assim a SECÇÃO DESPORTIVA DOS BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DE ALMEIDA
Era este o MELHOR CLUBE DO DISTRITO DA GUARDA.


João Neves

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

O Dia Internacional da Mulher é celebrado a8 de Março. É um dia comemorativo para a celebração dos feitos económicos, politicos e sociais alcançados pela mulher.A ideia da existência de um dia internacional da mulher foi inicialmente proposta na viragem do Séc. XX, durante o rápido processo de industrialização e expansão económica que levou aos protestos sobre as condições de trabalho. As mulheres empregadas em fábricas de vestuário e industria textil foram protagonistas de um desses protestos em 8 de Março de 1857 em Nova Iorque, em que protestavam sobre as más condições de trabalho e reduzidos salários.
Existem outros acontecimentos que possam provar a tese como o incêndio na Fábrica da Triangle Shirtwaist, que também aconteceu em Nova Iorque, em 25 de março de 1911, onde morreram 146 trabalhadoras. Segundo esta versão, 129 trabalhadoras durante um protesto teriam sido trancadas e queimadas vivas. Este evento porém nunca aconteceu e o incêndio da Triangle Shirtwaist continua como o pior incêndio da história de Nova Iorque.



Muitos outros protestos se seguiram nos anos seguintes ao episódio de 8 de Março, destacando-se um outro em 1908, onde 15.000 mulheres marcharam sobre a cidade de Nova Iorque exigindo a redução de horário, melhores salários, e o direito ao voto. Assim, o primeiro Dia Internacional da Mulher observou-se a 28 de Fevereiro de 1909 nos Estados Unidos da América após uma declaração do Partido Socialista da América. Em 1910, a primeira conferência internacional sobre a mulher ocorreu em Copenhaga, dirigida pela Internacional Socialista, e o Dia Internacional da Mulher foi estabelecido. No ano seguinte, esse dia foi celebrado por mais de um milhão de pessoas na Áustria, Dinamarca, Alemanha e Suiça, no dia 19 de Março. No entanto, logo depois, um incêndio na Fábrica da Triangle Shirtwaist mataria 140 costureiras; o número elevado de mortes foi atribuído às más condições de segurança do edifício. Além disto, ocorreram também manifestações pela Paz em toda a Europa nas vésperas da Primeira Guerra Mundial. Na Rússia, as comemorações do Dia Internacional da Mulher serviram de estopim para a Revolução Russa de 1917. Depois da Revolução de Outubro, a feminista bolchevique Alexandra Kollontai persuadiu Lenin para torná-lo num dia oficial que, durante o período soviético permaneceu numa celebração da "heróica mulher trabalhadora". No entanto, o feriado rapidamente perderia a sua vertente política e tornar-se-ia numa ocasião em que os homens manifestavam a sua simpatia ou amor pelas mulheres da sua vida — um tanto semelhante a uma mistura dos feriados ocidentais Dia da Mãe e Dia dos Namorados. O dia permanece como feriado oficial na Rússia (bem como na Bielorússia, Macedónia, Moldávia e Ucrania), e verifica-se pelas ofertas de prendas e flores dos homens às mulheres (quaisquer mulheres). Quando a Checolováquia integrou o Bloco Soviético, esta celebração foi apoiada oficialmente e gradualmente transformada em paródia.
No Ocidente, o Dia Internacional da Mulher foi comemorado durante as décadas de 1910 e 1920 mas esmoreceu. Foi revitalizado pelo feminismo na década de 1960. Em 1975, designado como o Ano Internacional da Mulher, a Organização das Nações Unidas começou a patrocinar o Dia Internacional da Mulher.

07 março, 2008

Professores, Ministra e o Governo da Nação



No passado dia 6 de Março, o canal de televisão pública RTP, decidiu convidar para uma entrevista oportuna e interessante à partida, a Ministra da Educação, Dra Maria de Lurdes Rodrigues.
Sabendo que tanto o Benfica como o Sporting no mesmo horário estavam a jogar para as competições europeias com direito a transmissão televisiva, tornava-se óbvio que a escolha de canal era difícil.
Por questões de interesse, em minha casa a RTP ganhou a partida. A questão da avaliação dos professores, ultimamente, tem sido o calcanhar de Aquiles do Governo da Nação. Mas outras áreas têm merecido forte contestação, tanto por parte da população, como de dirigentes sectoriais de outros organismos e também por parte dos partidos da oposição.


Pergunto a mim próprio, se a política que o Ministério da Educação e nomeadamente a senhora ministra está a fazer, foi ou não decidida pelo Partido Socialista antes do sufrágio eleitoral? A política que o Governo do Partido Socialista está a fazer neste momento, foi ou não a que apresentou no seu programa eleitoral aquando das últimas eleições legislativas? Afinal o Governo do Partido Socialista está ou não a cumprir a promessa eleitoral que sufragou a todos os portugueses?


Haverá razoabilidade no pedido público da demissão/substituição de qualquer ministro? A política de qualquer ministro é ou não decidida pelo Governo em geral?
Se assim for, e estou certo que sim, o pedido de demissão de qualquer ministro, solicitado tanto por manifestantes como por partidos da oposição, está desprovido de conteúdo qualitativo. A pedir demissão, deveria ser a do Governo pela política anti-social praticada para com os mais desfavorecidos.


Mas se atendermos às sondagens publicadas acabamos por verificar que a maioria dos portugueses continua de pedra e cal com o Partido Socialista, logo com a política praticada pelo Governo.


Não obstante esta questão, tenhamos em linha de conta as declarações feitas pelo senhor Presidente da República relacionadas com a política desenvolvida pelo Governo.

Recentemente também o líder da oposição afirmou que o PSD ainda não está preparado para assumir funções governativas.


Não vislumbrando no horizonte outra alternativa a este Governo, nem inclusivamente dentro do próprio Partido Socialista ao próprio líder, parece que nas próximas eleições legislativas o Engº José Sócrates, vai poder passear pela avenida da vitória e não me surpreenderia que conseguisse de novo uma maioria absoluta.


Uma dúvida me assalta, de toda a gente contestatária, quantos não vão de novo voltar a votar no Partido Socialista?

José Augusto Marques