28 outubro, 2010

Impasse? Não....

Quando há uns tempos escrevi neste espaço que a situação sócio económica para a maioria dos portugueses seria muito difícil em 2010, estava longe de imaginar que o fosse da forma que está a ser.
Mas pelos vistos ainda não existe uma avaliação exacta do défice que vamos ter no final do ano, apesar do Governo através do Sr. Ministro das Finanças afirmar que o mesmo está controlado, sem especificar o valor concreto.

Toda a encenação que vimos nos últimos dias, relativamente às reuniões havidas entre o Governo do Partido Socialista e o Partido Social Democrata, seria de evitar não dando assim aos mercados internacionais um sinal de caos em que estamos a viver no sector económico.

O Governo sabia que tinha que preparar o Orçamento de Estado para apresentar na Assembleia da República.
O Governo sabe que neste mandato não possui uma maioria absoluta de forma a permitir-lhe a aprovação do OE na Assembleia, só com os seus deputados.
O Governo sempre soube que para aprovar o OE este ano, teria que negociar com alguma força política a votação.

Quando alguém quer algo com muito interesse, deve ter a preocupação em fazer o trabalho de casa nas melhores condições.
Não pretendo com esta minha ideia dar lições a ninguém. Mas acredito que se o Governo antes de elaborar o seu próprio OE, tivesse procurado ouvir com a antecedência necessária dos partidos políticos com representação parlamentar, as sugestões e/ou propostas próprias deles, teria sido muito melhor.
Esta forma de actuação poderia contribuir para evitar as acusações que lhe são feitas. Talvez uma ou outra sugestão deste ou daquele partido a serem inseridas na proposta final, poderia evitar que todos, à excepção do PSD, já afirmassem a sua não aprovação.
Elaborar o OE e depois ir discuti-lo com os partidos é mais difícil. Aliás experiências vividas noutras áreas só demonstram que esta forma é mais fácil de negociar.

Por outro lado a troca de certas afirmações feitas por parte de alguns membros do Governo e do PS para com pessoas do PSD, em nada vieram ajudar à criação de um clima de abertura para o diálogo. Veja-se o que se passou no último debate quinzenal efectuado na AR entre José Sócrates e o líder da bancada do PSD.

Os mercados internacionais estão atentos e nervosos sobre o que se irá passar em Portugal. O Fundo Monetário Internacional também está atento uma vez que o mais provável é que mais cedo ou mais tarde vai ter que intervir.

Afinal todas as medidas que nos foram de uma ou outra maneira “vendidas” pelo Governo do PS, nos chamados PEC, foram insuficientes. Afinal as fortes críticas feitas pelos partidos da oposição, tinham mais que razão de existir. E as críticas feitas pelos mais diversos comentadores políticos e economistas? Tinham razão ou não de existir?
Estas últimas medidas que o Governo acabou por assumir, se tivessem sido feitas há mais de um ou dois anos, hoje certamente estaríamos melhor e evitar-se-ia todo este cenário vergonhoso por que estamos a passar e a levar para o palco internacional.
Nem quero imaginar se o PS tivesse obtido uma nova maioria absoluta, em que situação hoje estaríamos.
Hoje como ontem e mesmo nos próximos dias, o debate as conversas vão versar sobre a aprovação ou não do OE.
Acredito que vai passar. Tenho essa convicção. O PSD pode e deve abster-se na votação da generalidade. Por sua vez o Governo vai ter que ceder em alguns pontos na discussão da especialidade.
Será talvez o ponto mais crítico, uma vez que as alterações propostas podem ser aprovadas pela maioria da oposição. Será que depois o Governo aceita ou não. Se não aceitar só tem um caminho, pedir a demissão ao Sr. Presidente da República, e lá estamos então com o mesmo problema de hoje, mas muito mais grave.

Acredito que à reunião a que o Sr. Primeiro Ministro vai hoje e amanhã, e onde vão estar presentes por exemplo, Angela Dorothea Merkel e Nicolas Sarkozy, estes acabarão por sensibilizá-lo a ouvir de novo a oposição e encontrar a qualquer custo uma solução para o impasse. A ver vamos.

Não podemos sobre qualquer pretexto ficar reféns de políticos. A democracia é algo muito valioso, para que meia dúzia de pessoas a coloque em causa e a transforme em algo vergonhoso. Mais do que nunca me parece que a nossa classe política, a actual, está fora de prazo e rica de mais para que olhem para nós, os pobres.

Que a situação actual que estamos a viver nos servia para reflectir em termos futuros.

18 outubro, 2010

A Lista...

...eu sei que tu ias gostar do Oswaldo Montenegro, Carlos...
...quanto a mim...a nós...quantas canções que tu não cantavas ...hoje assobio pra sobreviver...
...Shalom, Carlos Mota...até...um dia...





 A lista

 

Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais
Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você já desistiu de sonhar!
Quantos amores jurados pra sempre
Quantos você conseguiu preservar
Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora
Hoje é do jeito que achou que seria?
Quantos amigos você jogou fora
Quantos mistérios que você sondava
Quantos você conseguiu entender
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber
Quantas mentiras você condenava
Quantas você teve que cometer
Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você
Quantas canções que você não cantava
Hoje assobia pra sobreviver
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você
Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você


                               Oswaldo Montenegro



26 setembro, 2010

No Rescaldo das Comemorações do Bicentenário

Um mês depois das Comemorações do Bicentenário do Cerco de Almeida, o silêncio deste blogue relativo ao acontecimento, semelhante ao que se verificou noutros espaços digitais, e até no sítio oficial do município, evidencia bem o seu fraco impacto junto da comunidade. O fenómeno não se pode certamente atribuir à época de Verão, que já lá vai. Por outro lado, fossem quais fossem os temas, o histórico deste Fórum mostra reacções bem mais participadas em épocas estivais anteriores. A única conclusão possível é a do desânimo em que Almeida se vê mergulhada de há uns tempos para cá… desmintam-me se estiver errada!

Estive nas Comemorações do Bicentenário do Cerco de Almeida. Não para ver o colorido das fardas e os outros trajes dos recriadores, de que guardo imagens de edições anteriores, além de que a repetição dos certames lhes retirou a novidade, mas para avaliar o que é feito de uma ideia que teve de vencer indiferenças e relutâncias antes de conseguir experimentar-se e implantar-se a tempo de captar e firmar alguma notoriedade para o anunciado Bicentenário. Contudo, a impressão com que fiquei, mesmo com a expressiva presença de participantes, foi que o esforço de ir espremendo a ideia do “evento” sem o inovar, e a fórmula de fundir inaugurações com recriação histórica e com o anúncio de uma candidatura à Unesco, perante uma catadupa de convidados estrangeiros recebidos com o aparato que todos puderam testemunhar em 2009, ano de eleições onde e apesar da crise já instalada não se olhou a meios para tentar impressionar tudo e todos, a postura megalómana parece ter esgotado assim os meios e a capacidade de fazer diferente e especial para este ano de 2010, o ano em verdadeiramente se assinalava o Bicentenário.

Por outro lado, este processo tem a ver com uma distorção progressiva do conteúdo destas comemorações, onde se verifica um acentuar do lado lúdico para distrair os visitantes, com cerimónias oficiais e seminários ignorados por quase todos, ou iniciativas onde a própria organização participa de forma apressada para cumprir programa, como no caso do desfile e homenagem na Praça Alta, este ano despercebida, quase inexistente. Sente-se o desfasamento entre uma vontade de destacar e homenagear os episódios e figuras de relevo histórico, e aquilo que sobra, e em que se vai transformando essa memória, que é sobretudo um mimetismo de episódios históricos, promovido como mais um “evento”. Até porque é essa postura que se sente agora ao ouvir-se da própria boca de um edil ufano perante o troar de canhões e simulação de combates pelos recriadores: “ Isto nasceu de uma brincadeira há 2 ou 3 anos atrás”. Não foi assim. Surgiu de uma vontade mais antiga e autêntica de ajudar Almeida a concretizar iniciativas que a tornassem mais ciosa e zelosa do seu património histórico e mais conhecida no exterior - procurando contribuir para o seu potencial de desenvolvimento. Uma experiência bem sucedida em 2005 e desenvolvida em 2006 demonstrou o seu interesse, o que veio a permitir o acolhimento favorável pela pessoa que viria a ser e é o actual Presidente da Câmara, num trajecto de esperanças promissoras, que rapidamente se desvaneceriam.

Os factos são bem comprováveis. Perduram filmes e fotografias desses momentos, irrepetíveis pela sua mobilização genuína, inclusive na Internet, disponibilizados no YouTube, como aliás o vídeo do anterior Post documenta. Para quem apregoa o princípio de “Falar verdade”… é melhor nem comentar!

Registo a ocorrência salientando o triste espectáculo de quem se exibe por conta das boas-vontades e lamentando o fado de sujeição assim imposto em todos os domínios da sociedade civil em Almeida. Pela nossa parte, ainda que posteriormente alvo de remoques infundados de que a crítica vinha de quem nunca fizera nada por Almeida, restou-nos a liberdade de nos afastarmos, desprezando as retaliações (que se viriam a concretizar) ao vermos o tratamento de desconsideração a que fomos submetidos quando patenteámos discordância relativamente ao mamarracho construído em frente à Câmara: na nossa lógica, tanto rigor nas fardas e armas, incluindo acessórios e até botões, tanta discussão partilhada quanto a detalhes para recriar uma autenticidade, ainda que passageira, era incompatível com pactuar cobardemente com intervenções, essas sim mais permanentes, que nada tinham de preservação e revitalização do centro histórico da vila de Almeida. Sempre incentivámos a que outros continuassem o espírito das recriações, incluindo os filhos. Se optaram pela não participação, não lhes podemos levar a mal. Culpa nossa de lhes termos transmitido a necessidade de coerência com as decisões que se tomam.

Quanto ao Bicentenário propriamente dito, com o colorido que encheu o centro histórico de Almeida, é pena que ao menos uma parte dessa animação não tenha condições de perdurar, favorecendo um quotidiano da vila mais dinâmico e um saudável contágio com outras mentalidades, mais cientes da riqueza e importância do património histórico de Almeida, se bem que explicitamente os de fora pouco façam - ou possam fazer pela sua protecção. Voltam para as suas terras no final, deixando os almeidenses entregues a si mesmos, indiferentes aos sinais deixados – que estes nem reparam ou querem dar-se ao trabalho de interpretar.

A título de exemplo, destaco apenas um, pelo seu profundo significado, que a muitos terá escapado: na homenagem aos mortos no combate do Côa, juntaram-se os recriadores, portugueses e estrangeiros, na antiga ponte para alguns minutos de silêncio. Foi digno de observação: perfilaram-se, apertaram-se para caberem todos, representantes de antigos regimentos, desde as forças aliadas às “invasoras”, unidas no mesmo espírito de homenagear os antigos combatentes de ambas as partes. Eram umas centenas e, pelas manobras que tiveram de fazer, tornou-se bem evidente a sua intenção: totalmente voltados para o rio, sobre a antiga ponte, guardaram a memória dos antepassados simplesmente defronte à antiga cruz em toques de clarinete e em momentos de silêncio. Dispersaram no fim. Não houve dúvidas que ignoraram completamente qualquer outro elemento acrescentado à paisagem agreste do vale. De acordo com essa postura, o essencial estava lá. Descartaram completamente a necessidade de um memorial imponente assinado por dois arquitectos do século XXI e pago por uma edilidade que faz esforços para o promover como tal.

Aliás, nisto de experiências de memoriais, um outro memorial do Bicentenário, supostamente “um estudo”, praticamente ilegível, que deveria ser plantado no alto do castelo, depois de arrasar o cemitério e lá se construir um miradouro em betão, foi ridiculamente inaugurado com coroas de flores em 2008, e repetidamente desde então, levando as entidades convidadas a posarem junto dele para as fotografias, alheias a todo este improviso. Como o projecto (felizmente!) não foi para a frente, nem para cima como previsto, inventou-se outro memorial, desta vez no Côa. E com tudo isto, só não dá para perceber de que estão os almeidenses à espera para defenderem uma outra visão para Almeida, em vez de se limitarem a aninhar-se ou fingirem que acreditam em todas as justificativas ciciadas aos ouvidos ou propaladas aos microfones.


É que pelo seu acatamento indiferente, quando não conivente, não se livrarão no futuro de merecedores da denúncia em verso que fez a poetisa Sophia de Mello Breyner: “Senhor, perdoai-lhes porque eles sabem o que fazem!”.

15 julho, 2010

O nosso Estado...

Temos ultimamente vindo a ser bombardeados com a mais variada informação sobre a situação económica em que este pobre país se encontra.
Ao ouvirmos afirmações de especialistas, nacionais ou internacionais, a nossa preocupação deve aumentar.
Expressões como “Portugal pode entrar em falência”, do reputado economista António Sampaio e Mello à Renascença no seguimento de um comentário feito às declarações de Paul Krugman, Nobel da Economia, a uma entrevista ao jornal espanhol “El País”, “...existe uma elevada probalidade de a Grécia sair da zona euro, e que, por contágio, Portugal, Espanha e Irlanda seriam afectados.”, ou, "Para 2011, os factores de incerteza são maiores, porque é mais difícil prever o que se irá passar num horizonte temporal mais longo", afirmou o ministro da Economia Vieira da Silva, à Lusa, entre outras, que podemos encontrar na imprensa diária da especialidade.
Estas expressões, devem preocupar-nos e muito.
A agência de notação financeira, Moody’s veio agora baixar ainda mais o “rating” da dívida portuguesa em mais dois níveis.
Os bancos não fogem à regra e 8 deles foram objecto de diminuição de “rating”, entre os quais, os mais importantes.


Entretanto ao ouvirmos os responsáveis políticos portugueses nas suas mais variadas declarações públicas em online, temos afirmações para todos os gostos.
O Governo e o Partido Socialista vêm afirmar que está tudo como previsto.
Os partidos da oposição, fartam-se de tecer críticas ao Governo, mas quando é chegada a hora de união para se oporem a certas e determinadas decisões, dividem-se.
Para não ficar de fora, também o senhor Presidente da República vem dizer que é importante dar atenção às classes mais desfavorecidas, isto é, aos novos pobres. Sim porque cada vez há mais, segundo as suas palavras, sendo necessária mais atenção para «...aqueles que sofrem em silêncio, que até há pouco tempo não imaginavam poder hoje encontrar-se na situação em que se encontram, situação em que, nalguns casos, é mesmo de carência alimentar». Estas palavras ditas pelo mais alto representante da Nação, são entendidas por mim, de que já haverá gente neste país a passar fome.
Não me passa pela ideia o que se irá passar com as centenas ou milhares de famílias que daqui a algum tempo irão deixar de receber o subsídio de desemprego, em função das novas directrizes governamentais.
Certamente que os familiares mais directos vão ter que repartir muita coisa com eles. Isso vai torná-los também, mais pobres.


Pelo que nos vai sendo dado observar, verificamos que muita gente ainda não conseguiu interiorizar que o momento que estamos a atravessar é muito complicado. Perdemos muito tempo a discutir situações que não nos levam a lado nenhum e muito menos acrescentam mais valias.

Seja a nível governamental seja a nível caseiro, o que já deveríamos ter começado a fazer, era cortar nas despesas fúteis.


Não me considero um entendido em xilomancia, mas observando com atenção o que se passa à nossa volta, não me parece que venham aí dias melhores. Bem pelo contrário. Vamos ter que continuar a pagar os erros dos incompetentes. E por quanto tempo?


                                                                                    José Augusto Rodrigues Marques

24 junho, 2010

ESTOU REVOLTADO!

“…O Agrupamento de Escolas de Vilar Formoso vai fundir-se com o Agrupamento de escolas de Almeida.

Esta situação já é uma realidade que vai estar em prática a partir de 1 de Julho.
Numa reunião, na última semana, foi dada a conhecer a tomada de decisão “unilateral” por parte da Direcção Regional de Educação do Centro (DREC) aos Directores e Presidentes dos Conselhos Gerais de ambos os agrupamentos.
Como está a acontecer um pouco pelo distrito e pelo país o Ministério de Educação está a fundir Agrupamento, de forma a ter apenas um agrupamento de escolas por concelho.
O que vai mudar com a fusão?
Os menos afectados (por enquanto) serão os alunos, esta mudança é mais estrutural e de gestão.

Com a fusão dos agrupamentos vai existir apenas um Director responsável pelos dois agrupamentos;
Passará existir uma secretaria com maiores responsabilidades e outra com menos funcionários e menos responsabilidades (podendo os funcionários mudar de secretaria ou mesmo estar em excesso);
Os departamentos e Grupos terão os professores de ambas as escolas, passando a haver reuniões de professores dos dois agrupamentos;
Os professores poderão ter que leccionar em ambas as escolas;
…”
(In Rádio Fronteira)

O meu comentário é simples e breve.
A desertificação do Concelho de Almeida, como tenho vindo a alertar, é um facto e está em ritmo acelerado.
A Fusão dos Agrupamentos de escolas de Almeida e de Vilar Formoso, vai originar despedimentos de funcionários e de professores. Este é o drama imediato que esta medida vai originar.
Mas o que mais me admira “nisto tudo”, é a passividade, o assobiar para o ar, os braços caídos com que os habitantes do Concelho estão a receber esta medida dolorosa, e dramática até, para o seu futuro.


Onde está aquela gente toda que se juntou no Centro de Saúde de Almeida, quando começou a correr a noticia que o Governo de Lisboa tinha intenções de encerrar as urgências do mesmo? Onde está a rádio, os jornais e até a televisão chamados a toda a pressa para passar a mensagem de “tal crime”? Então esta medida não merece atitude semelhante? Não merece a revolta do povo deste Concelho? Não merece que façamos o favor de ir para a rua de punhos no ar?


Entre a minha tristeza por ver o definhar, agora de forma mais acelerada, deste concelho onde resido e onde os meus filhos nasceram e crescem, está um misto de revolta e de vontade de mostrar a minha indignação por uma medida injusta e contraproducente. Mais... porquê tanta pressa? Só por motivos económicos e financeiros? Já ninguém pensa em penderação? Já ninguém pensa em ser prudente?...E o futuro ninguém pensa nele? ...e as nossas gentes...ninguém pensa nelas?...talvez já ninguém pense...
Nestas condições como poderemos querer que os nossos filhos aqui permaneçam? Como poderemos pedir aos empresários deste país ou de outro qualquer para investir numa região deserta?


De revolta pela hipocrisia e passividade de certos fazedores de opinião e de alguns intelectuais bacocos da nossa praça. De revolta ainda por sentir que o interesse pessoal de cada um está mais valorizado que o interesse comum. O que tem importância são os meus interesses o resto “que se dane”…e o último que feche a porta…esta é a forma de estar que se “vive” em Almeida.


Assistimos impávidos e serenos à luta intestina pela gestão da escola, uma vez que só vai haver um Director, quando na minha humilde opinião seria a resolução mais simples de tomar: O DIRECTOR DO “NOVO” AGRUPAMENTO ESCOLAR TEM QUE SER A PESSOA MAIS HABILITADA E/OU COM MAIOR OU MELHOR FORMAÇÃO. Escrevo com letras maiúsculas na tentativa que alguém dos serviços competentes da Cidade da Guarda consiga ler.
O melhor e mais habilitado em termos de formação, tem que ser o futuro Director do Agrupamento Escolar de Almeida.
Tão simples quanto isto.
A bem de um ensino melhor e mais eficiente.


Assistimos impávidos e serenos a mais despedimentos e ao afastamento de pessoas da nossa região.
Podem insentivar o investimento no turismo ou no comércio, pois não valerá de nada! Podem "investir" em novos patrimónios culturais pois já ninguém virá cá para os ver. Até quando será possivel irmos continuando a rir e a cantar...?


Enfim, assistimos impávidos e serenos a este jogo de interesses nojento e vergonhoso.


Os senhores políticos ou politiqueiros deste país continuam a tratar o interior de uma forma degradante e até infamante.


Enfim...cada vez somos menos...cada vez temos menos votos…até quando?...até voltarmos aos anos esquecidos em que os filhos do Concelho de Almeida, se quisessem continuar a estudar no ensino secundário, teriam que se deslocar para a Guarda…será que estará muito longe esta medida?...olhem que não!!!
Mas, enquanto os despedimentos forem no quintal do nosso vizinho…está tudo muito bem…infelizmente em Almeida é assim...Almeida está assim...


Para terminar vou lançar mais um alerta, ainda com a esperança de despertar consciências dos tais fazedores de opinião ou intelectuais bacocos: estou plenamente convencido que a próxima medida será o encerramento da Empresa Municipalista. A medida está em curso pois já existe equipe de estudo sobre a matéria, no sentido de reduzir custos ao estado. No entanto…queira Deus que esteja enganado.
E assim vamos (sobre)vivendo em Almeida…



João Neves

10 junho, 2010

As obras já começaram...




O artigo que acima se reproduz foi publicado na edição de 13 Abril 2010 do Jornal Praça Alta. Por achar que muitos, além de mim, pudessem ver-me no seu teor como o alvo dos recados, enderecei ao mensário um texto para publicação, que a seguir se insere:


Ex.mº Senhor Director do mensário
Praça Alta
Almeida

CC/ Chefe da Redacção do Praça Alta


Li, com estupefacção, o apontamento publicado na pág. 2, sob o Editorial da última edição do Jornal Praça Alta intitulado " As obras já começaram...", referindo-se ao começo das obras relativas implantação de um monumento ao 25 de Abril na praça do mesmo nome, o qual se vai situar defronte às Portas de S. Francisco em Almeida.

Não me insurgiria com o teor do texto se o autor (e como não é assinado, será da autoria da Direcção / Redacção desse mensário) apenas desse conhecimento das referidas obras sem comentários de outro foro. No entanto, refere que houve polémica quanto à implantação do monumento usado como "arma de arremesso político" (no original, entre aspas) e, prosseguindo, que tal construção motivou, nas páginas do PA uma certa, (de novo entre aspas e também em itálico), "azia intelectual bacoca", finalizando o período, afirmando ainda que "para alguns que não devem conhecer o ditado popular: "Presunção e água benta, cada qual toma a que quer"” (com aspas e em itálico).
No derradeiro parágrafo, remata com os votos bem expressos, a negrito, de que o resultado final dos trabalhos fique a contento de todos.


Senhor Director, como sabe, o signatário tem vindo a escrever tanto no blogue http://forumalmeida.blogspot.com/ como nas páginas do PA vários artigos, manifestando total discordância com a decisão do actual executivo camarário relativamente ao que pensa ser uma aberração o implante, requalificação ou o que quer que se lhe queira chamar, de uma construção espúria e completamente desfasada da envolvente histórico-patrimonial que são as muralhas da Vila de Almeida, estas sim, classificadas monumento nacional.

Além de mim, apenas a Redacção do Praça Alta publicou, na edição nº 168 de Maio de 2009, uma notícia comentada sobre uma planta e um esquema do que seria o novo percurso de trânsito automóvel a que que tal novo"monumento" iria obrigar, o que logo bastou para que no número seguinte a mesma redacção viesse fazer um acto de contrição público, com um humilde pedido de desculpas, pois o autor ou os autores do projecto se acharam ofendidos, inclusive ameaçando processar a Redacção por abuso e não autorização de publicação dos esquemas, ou peças do projecto em causa. E, depois disso, não mais a redacção do PA publicou qualquer outra notícia alusiva às projectadas obras.

Nesta perspectiva, a publicação em aspas das frases anteriormente mencionadas parecem, no contexto em que que se apresentam, serem uma tomada de posição crítica da Direcção/Redacção do PA, não a si própria e ao seu trabalho publicado, mas antes dirigidas ao signatário, o que é totalmente inaceitável e de modo algum corresponde à verdade, pois nunca referi ser a construção da nova configuração da Praça 25 de Abril, uma "arma de arremesso político", nem referi que tenha sido uma "azia intelectual bacoca" ou que "presunção e água benta, cada qual toma a que quer"...

Portanto, agradeço que seja pela parte da Direcção / Redacção do PA definido o que se pretende dizer com tais afirmações, pois não quero crer que queiram visar um membro de há longos anos, que prezo ser, da Associação dos Amigos de Almeida, da qual fui seu Presidente da Direcção, apenas me movendo o amor que nutro por Almeida, reservando-me simplesmente o direito de me insurgir, como qualquer cidadão de bom-senso e algum conhecimento de História, com as múltiplas intervenções que a estão a descaracterizar um vetusto e insubstituível Património colectivo. Solicito pois, não só a publicação deste meu texto como a já referida definição explicativa do teor do apontamento em causa, se não na mesma página do Editorial, pelo menos com clara indicação nesse local quanto a esta reacção que vai assinada por mim para publicação.
Com os meus cumprimentos,
Rui Brito da Fonseca


No dia 27 de Maio, recebi um mail do Sr. Armindo Pereira informando que "quem neste momento toma decisões” decidiu não publicar o meu texto no PA, conforme eu solicitara, pois o mesmo "estará desprovido de qualquer interesse editorial".

Pode não ter interesse editorial, mas como poderia ser visto como o visado do mencionado apontamento, levando inclusive os leitores a interpretações sobre o que de mim o(s) autor(es) do artigo teria(m) escrito, penso que ao menos merecia ser publicado, assinado como foi, tratando-se do meu ponto de vista. O Sr. Armindo Pereira, contudo, esclarece-me que as várias expressões usadas no artigo nada tinham a ver comigo, não me sendo, portanto, dirigidas, nem reproduzindo, mesmo que eufemisticamente, qualquer posição que eu tomara enquanto discordante da implantação daquela forma do chamado "Monumento ao 25 de Abril" na Praça do mesmo nome, em Almeida. Seriam tais frases dirigidas a outrem...

Não reproduzo o mail que me foi dirigido já que o mesmo foi assinado não pelo director do PA, mas sim pelo Sr. Armindo Pereira, manifestando-me consideração. E como tal, interpreto a missiva como de carácter pessoal, não devendo ser aqui publicamente divulgada. Ao próprio comuniquei a decisão de publicação neste Fórum, salvaguardando a posição que defendo.
Rui Brito da Fonseca

27 maio, 2010

Sessão Ordinária da Assembleia Municipal de 23.04.2010 - fim


Continuando o resumo da última sessão ordinária da AM, o terceiro ponto da Ordem de Trabalhos foi a Apreciação e Votação dos Documentos de Prestação de Contas do Ano de 2009.


Sobre este ponto, pedi a palavra, começando por reconhecer que a quantidade da documentação era pouco convidativa, com papelada e mais papelada, anexos, relatórios e pareceres, exigindo força de vontade para leitura atenta; contudo, conforme a persistência que os almeidenses esperavam de nós, dera-me ao cuidado de procurar algumas respostas para as minhas dúvidas, depois de ter observado em 2009 o teor e dimensão de alguns chamados “investimentos”, o que me levava a fazer as seguintes considerações:


Antes de mais, admitir a ingenuidade com que, desde 2005, mas sobretudo em 2006 e parte de 2007, tinha colaborado empenhadamente com o executivo municipal, aliás o mesmo de hoje, procurando que Almeida conseguisse granjear apoio e envolvimento alargado dos munícipes, a partir de iniciativas culturais que motivassem o brio e consciencialização da importância do seu património histórico, recorrendo à ajuda de conceituados investigadores, toda a família e amigos, sempre preocupada com as despesas, tentando obter as condições económicas mais vantajosas, quando não absolutamente gratuitas, de que sempre dava conhecimento escrito e telefónico, e agora podia constatar que o município, segundo aquelas contas, não parecia revelar qualquer política de poupança, ou pelo menos de contenção nos gastos;


Ao observar as parcelas de algumas despesas, e sobretudo, por contraste com alguns montantes aplicados nas diversas freguesias, associações ou sectores, na generalidade bem mais “magros”, e até “esqueléticos”, via-me forçada a concluir que havia uma atitude não apenas esbanjadora de dinheiros públicos em despesas que pouco ou nada representavam para o bem- estar e desenvolvimento geral do concelho, mas também bastante desequilibrada em relação aos vários destinos.


Que perante um rol de “investimentos” desses, muitas vezes direccionados para o mediatismo e publicidade, por mais compreensão que houvesse pela indignação quanto aos atrasos verificados nas transferências do governo central, tiravam legitimidade para grandes queixas pois, na minha modesta opinião, “quem não tem ovos não faz omeletas como as que via fazer”.




Como calculo que o que digo e escrevo é susceptível de distorções, dei vários exemplos de dívidas liquidadas ou por liquidar em 31 de Dezembro, como agora farei, com os mesmos citados: € 1.434,32 + 280,80, 900,00+2.400,00, 873,48 + 1.548,00 + 1680,00, 5.976,00 + 1920,00… em jornais que, pelo valor não parecem assinaturas anuais; situações análogas para rádios locais (900,00 + 1.050,00 ou 750,00 + 2.250,00, 891,76…), ou televisão (1.920,67), publicidade, serviços e artigos publicitários (6.339,18 + 5.324,76, 2.400,00 + 3.870,00, 2.515,50 + 2.722,75…), pirotecnia (900,00, 13.164,00 + 13.200,00, 18.600,00), multimédia (1.057,50 + 2.160), o que presumo ser de alojamentos, pela empresa envolvida (5.0007,35 + 4.023,00), artes gráficas (1.561,97 + 7.537,78, 2.682,00 + 61.867,50, + 15.300,00, 5.580,00) …



Dos números sublinhados, deixei de fora assessorias e consultorias externas diversas, certamente para delinear e acompanhar os projectos e obras relacionados com as diversas empreitadas que questionam a suficiência e competência do quadro de pessoal municipal, apesar de geralmente ser considerado numeroso, para antes focar casos concretos que pude ir observando, e sobre os quais me manifestei na AM, nomeadamente em Agosto de 2009 aquando da Recriação Histórica e respectivo programa, como o aluguer de écrans gigantes e aparelhagem sonora para mostrar o que se podia observar ao vivo e – num caso bem concreto - se limitar a passar um fundo musical, serviços de tradução simultânea, que se sabem muito dispendiosos, para salas constantemente às moscas, além de edições em quantidades desaproveitadas e conteúdos a que os almeidenses manifestam enorme indiferença, impressas com valores parciais e totais a que nem os grandes municípios se atrevem.



No período de resposta, o Presidente da CMA tentou desmerecer estas observações, alegando que na sua “boa memória” conservava bem presente uma crítica anteriormente feita por mim da não tradução da comunicação do Dr. Ray Bondin - que tive de rectificar, conforme documentos escritos que preservo, já que a mesma se reportava simplesmente à apresentação de uma tradução escrita, policopiada, que deveria ter sido entregue aos presentes que não compreendessem inglês e não uma tradução simultânea, pelos valores que implicaria. Além de uma outra, a partir do italiano, que tinha sido cuidadosa e atempadamente entregue, e nem sequer apareceu no momento… Sobre os valores gastos com jornais, o Presidente chama-lhe promoção de Almeida, que promete continuar, apesar dos nulos resultados na economia local… e, quanto às publicações, refere os elogios recebidos, inclusive de um professor de Coimbra. Certamente. Desde que o município possa comportar e, de preferência, que revertesse em aumento de cultura e conhecimento dos almeidenses, embora eles não pareçam interessar-se nada por isso. Talvez o direccionamento do investimento não esteja a ser o mais acertado…pois tinha perguntado se alguém ali naquela AM lera algum daquele material e, como resposta, apenas obtivera o silêncio.



Depois da minha intervenção um outro membro da AM usou também da palavra para referir a imprecisão da inscrição das rubricas exigindo uma maior clarificação e arrumação das mesmas, a confirmar um debate que tem merecido insistência por parte da oposição, passando-se de seguida à votação. Naturalmente tanto esse ponto como o seguinte, sobre a 1ª Revisão Modificação às Grandes Opções do Plano passaram, apesar dos votos contra.



Não poderia ser diferente a Discussão e votação do Projecto de Regulamento de Atribuição de Bolsas de Estudo a Estudantes do Ensino Superior. Por muito que tivessem sido apresentadas propostas diferentes (como aliás aqui foi dado conhecimento), ou se salientasse que havia discriminação da Associação dos Bombeiros de Almeida em relação a outras Associações do concelho que contavam também com o empenho e voluntariado dos seus membros, alertando para o risco de desmotivação. De nada valeu. O texto final saiu até reforçado quanto à especificação particular dos Bombeiros. A maioria silenciosa – ou silenciada pelas circunstâncias das últimas eleições – é bem expressiva, quando chega a altura de levantar o braço. Funciona a democracia, segundo a própria escolha dos almeidenses.

18 maio, 2010

Sessão Ordinária da Assembleia Municipal de 23.04.2010 - 1ª parte

No seguimento das sínteses que venho fazendo das sessões da Assembleia Municipal (AM) de Almeida para este Fórum virtual, registo alguns conteúdos debatidos na última sessão de ordinária de 23 de Abril de 2010, logo depois seguida da sessão extraordinária do 25 de Abril, como aqui foi já dado conhecimento em comentários publicados a propósito de um ‘post’ evocativo dessa data.

A sessão ordinária do dia 23 de Abril, conforme convocatória e agenda de trabalhos abaixo, contou com a representação de todas as forças políticas, excepto da CDU. No início da mesma, no período de votação da acta em que se procedem a alguns acertos habituais, inquiri do não aparecimento, na versão da mesma enviada aos membros para leitura prévia, da garantia do presidente da AM de que o nome da Dra. Maria Natércia Ruivo para a Biblioteca Municipal fora aprovado em AM, de acordo com resposta recebida na anterior sessão de 26 de Fevereiro. Foi-me dado conhecimento que houvera um lapso: o nome fora apenas proposto em reunião de Câmara sem chegar a ser discutido e aprovado na AM. Aceitei a explicação, mas propus que essa formalização se fizesse, o que foi remetido para o período antes da Ordem do Dia. Inscrito novamente o assunto nesse ponto, insisti que o assunto deveria de uma vez por todas ser resolvido, já que a AM era o órgão que deveria legitimar a vontade da população claramente expressa através de uma recolha de assinaturas por todo o concelho e, também para evitar desagradáveis ambiguidades como as que já anteriormente tinham ocorrido pela falta de indicação clara do nome da homenageada no exterior da instituição. O Presidente da Câmara declarou que essas ambiguidades não existiam, que a “sua decisão” havia sido tomada e que em breve seria colocado um logótipo no exterior da Biblioteca que eliminaria todas as dúvidas; no entanto, conforme indagações minhas em actas anteriores publicadas, elas existiram mesmo, indiciando a probabilidade de voltarem a ocorrer, além de que o importante, neste caso, era cumprir devidamente uma homenagem, respeitando o desejo da população e não apenas uma decisão política. Uma intervenção de um membro presente confirmou também esse desejo, por si mesmo testemunhado, e o Presidente da Assembleia propôs, como reparação do lapso anterior, que o assunto fosse formalizado em reunião de Câmara para vir finalmente então à AM para aprovação, conforme procedimento habitual. Concordei com a proposta e solução de compromisso, confiando que será desta vez que a situação é resolvida, como é legítimo esperar, sobretudo pelos ente-queridos da homenageada que em nada puderam ou deviam influir neste processo, restando-lhes a atitude dos almeidenses que, ao menos uma vez, se uniram no sentimento de gratidão por alguém que, sem nunca abandonar as suas obrigações profissionais, se emprestou à política para durante anos servir a sua terra, colaborando na melhoria de condições sócio-culturais, em particular dos jovens, os “garotos”, como ela, como docente, carinhosamente os tratava. Exemplos desses neste país, como sabemos, não abundam, e o mais certo é as pessoas mais dedicadas nunca verem reconhecimento algum, ainda que nunca lhes passe pela cabeça empenharem-se com esse objectivo, como foi o caso. O Presidente da AM agradeceu e o assunto ficou encerrado para cumprimento do previsto.


Ainda nesse ponto antes da Ordem do Dia, procurei justificação junto do Presidente da CMA para a nomeação de uma pessoa aposentada, Sr. Carlos Morgado Portugal, para o seu Chefe de Gabinete de Apoio Pessoal, conforme nomeação do DR, no dia 22.04.10, já que me parecia importante ir dando lugar a novos valores no concelho, ainda que interinamente uma pessoa experiente e mais velha pudesse dar o seu contributo. Um outro membro da AM secundou esse questionamento, afirmando que gostaria de viver e trabalhar em Almeida, tal como a esposa, mas por falta de alternativa profissional, se via impedido de o fazer, ainda que cumprindo o papel de autarca eleito pela vontade da sua comunidade. O Presidente sublinhou que o cargo era de confiança política, tendo sido por sua insistência que o contrato se fizera, e que Almeida deveria ficar grata por poder contar com a experiência da pessoa citada, que veria descontada a sua remuneração pelo estatuto de reformado. Afirmou ainda que a situação era “transitória” (4 a 6 meses), para posteriormente se proceder a um concurso.

Após algumas outras intervenções, deu-se finalmente início à Ordem de trabalhos prevista, tendo o primeiro ponto, a Discussão e Votação dos Estatutos e Convénio do Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial entre os municípios da Beira Interior Norte e a Diputación Provincial de Salamanca (BIN-SAL, AECT), sido aprovado após a discussão e esclarecimento prestados. O organismo ocupará parte do edifício da Alfândega, em Vilar Formoso, no âmbito de uma concessão por 30 anos que prevê a transformação do espaço em local de exposição da região e sede do AECT.

No segundo ponto da Ordem do Dia, foi analisada e debatida a informação escrita do Presidente da CMA acerca da actividade do município e situação financeira do mesmo. Da leitura dessa informação escrita, o que ressaltou foi o aumento de quase um milhão de euros na dívida acumulada, num escasso período de dois meses. De facto, desde a última apresentação de contas na AM, em Fevereiro, a Abril de 2010, a dívida passou de 7.176.056,46 € para 7.998.114,49 €, sendo uma significativa parte da mesma devida a fornecedores, empreiteiros bem como outros credores, e a outra, 4,540.617,52 a instituições financeiras. Apesar disso, nos indicadores de gestão, que fazem o balanço de 2006 a 2009, é afirmado que "no geral verifica-se boa capacidade em solver compromissos de médio logo prazo".

O relatório apresentado informa ainda que “a CMA tem empreitadas a decorrer e em curso num valor superior a seis milhões de euros, grande parte destas financiadas pelo POVT e contratualização com a CIM Beiras”. Num parágrafo que reproduz um texto praticamente igual ao de Fevereiro, o relatório lamenta que “decorridos mais de três anos após a entrada em vigor do QREN, que suportará 70%, 75% e 80% a maior parte das empreitadas em custo” os atrasos verificados nas comparticipações “estão a criar ao Município uma situação financeira incomportável”, prometendo que “com a entrada das verbas referidas a dívida a empreiteiros e fornecedores será substancialmente reduzida”. O Presidente da CMA usou da palavra para novamente criticar o governo central pela falta de cumprimento de transferência das verbas, invocando os argumentos e justificações semelhantes aos da altura da tomada de posse, em Novembro de 2009, e a oposição, inevitavelmente, esgrimiu a convicção da necessidade de mudança de rumo, sublinhando as dúvidas e receios acerca da capacidade de endividamento da autarquia e a preocupação quanto ao tipo de investimentos feitos.

Ainda neste ponto, procurei junto do Presidente da CMA informação sobre o funcionamento do Gabinete de Inserção Profissional, mencionado nesse relatório de actividades, no âmbito de um protocolo estabelecido com a Raia Histórica, que “tem como objectivo apoiar jovens e adultos desempregados na procura/definição do seu percurso de inserção no mercado de trabalho, em estreita cooperação com o Centro de Emprego de Pinhel”, inquirindo sobre o motivo de apenas funcionar um dia por mês e quais o resultados que apresenta; foi-me dito que é apenas por um dia aquando da vinda de uma técnica do Centro de Emprego, e que os resultados, tanto quanto sabia, são absolutamente nulos, mas que essa pergunta deveria ser feita ao Centro de Emprego, porque a autarquia se limitava a disponibilizar as instalações. Fiz a pergunta por constar no relatório de actividades da autarquia, no capítulo do Desenvolvimento Social, mas perante a resposta, penso que não restam dúvidas quanto à sua eficácia.

Procurando evitar excessiva concentração de informação deste post, que mesmo assim já vai longo, a síntese fica por aqui, sendo outros pontos a referir em próxima oportunidade, para que os almeidenses vão ficando a conhecer e possam reflectir sobre os assuntos debatidos na AM.


04 maio, 2010

Portugal e a notação de risco.

No final do mês passado a discussão política a nível nacional, prendeu-se com o facto da decisão da Standard & Poor's, uma das principais agências de notação de risco, ter baixado o “rating” de Portugal.
Viveram-se ou ainda se continuam a viver, momentos algo conturbados tanto a nível económico como político.
Passados que estão alguns dias, verificamos que começam a aparecer vozes em ambiente de “jarring”.
De facto o Financial Times na versão alemã considerou “duvidosa” a apreciação efectuada pela agência S&P, da notação que nos atribuiu.
As situações financeiras que vivemos recentemente a nível internacional em parte também se devem à actuação por parte dessas agências. Muitos economistas internacionais e de renome, começam a questionar as decisões por elas assumidas nessa altura, quando agora aparecem como as grande salvadoras da economia mundial.
As agências de notação de risco, são também designadas nos meios específicos de agências de rating.
Quando uma empresa ou um estado pretende colocar no mercado um determinado título para angariação de capitais, as agências de rating fornecem aos investidores informação suficiente que os ajude a avaliar os riscos inerentes, contribuindo também para baixar o custo suportado pelos emitentes.
A primeira agência foi fundada nos Estados Unidos em 1909 por John Moody.
Actualmente devem existir aproximadamente entre 120 a 150 em todo o mundo.
As três principais situam-se nos EUA e são elas que praticamente dominam a informação da especialidade. Trata-se da Standard & Poor’s, da Moody’s e da Fitch Ratings. Poderemos ainda dizer que uma quarta agência tem também grande credibilidade no rating, trata-se da canadiana Dominion Bond Ratings.
Em Portugal e em 2007 a única agência que havia era a Companhia Portuguesa de rating.
Nos EUA existem algumas dúvidas sobre a informação produzida por estas agências desde os anos 70, considerando o papel por elas desempenhado num conflito de interesses entre o seu próprio papel de análise de risco e os serviços de aconselhamento aos clientes emitentes.
Considerando a opinião duvidosa de especialistas sobre o trabalho que estas agências estão a desenvolver pergunta-se qual tem sido o papel da União Europeia em toda esta questão?
Será que não estará na hora de nós próprios criarmos uma agência de notação de risco europeia?
Sabemos das divergências existentes nos interesses entre ambos os continentes. Para os EUA, a situação pela qual Europa está a passar só os beneficia. Não admira que depois da Grécia e agora Portugal, também já se tenha falado na Espanha, Itália e se calhar mais dia, menos dia, outros países serão arrastados para a ribalta da notação de risco.
Há que urgentemente encontrar uma solução e certamente a mesma só poderá passar pela União Europeia. Caso contrário e a manter-se este cenário, os mercados continuarão a não acreditar nos diversos países com valor baixo no rating das agências de notação de risco e ao fim ao cabo que terá que pagar uma nova crise, são sempre os mesmos.
A reunião havida entre os líderes dos dois maiores partidos políticos, veio trazer algum sossego ao mercado interno. Mas a decisão governamental de continuar com os grandes investimentos públicos previstos, tais como o novo aeroporto, o TGV, a nova ponte sobre o rio Tejo em Lisboa e os lanços de auto-estradas, não vem dar tranquilidade ao equilíbrio pretendido das contas públicas.
Diz o governo que estes investimentos são fundamentais para a diminuição do desemprego. Aceita-se a opinião podendo concordar ou não com ela.
A considerar o que já foi falado sobre a forte possibilidade de a Espanha ser o próximo país europeu a andar nas bocas do mundo pelo aspecto negativo, o governo espanhol liderado por Zapatero, através da ministra da economia, Elena Salgado, já anunciou um plano para a eliminação de 29 empresas públicas e o corte de 32 altos cargos de responsáveis de vários ministérios, de forma a diminuir o gasto público e poupando uns largos milhões de euros ao erário público, beneficiando assim os bolsos dos contribuintes.
Uma maneira diferente de fazer política, digo eu.

02 maio, 2010

A todas as Mães

Às Mães


- às Mães que apesar das canseiras, dores e trabalhos, sorriem e riem, felizes, com os filhos amados ao peito, ao colo ou em seu redor; e às que choram, doridas e inconsoláveis, a sua perda física, ou os vêem “perder-se” nos perigos inúmeros da sociedade violenta e desumana em que vivemos;

- às Mães ainda meninas, e às menos jovens, que contra ventos e marés, ultrapassando dificuldades de toda a ordem, têm a valentia de assumir uma gravidez - talvez inoportuna e indesejada – por saberem que a Vida é sempre um Bem Maior e um Dom que não se discute e, muito menos, quando se trata de um filho seu, pequeno ser frágil e indefeso que lhe foi confiado;

- às Mães que souberam sacrificar uma talvez brilhante carreira profissional, para darem prioridade à maternidade e à educação dos seus filhos e às que, quantas vezes precisamente por amor aos filhos, souberam ser firmes e educadoras, dizendo um “não” oportuno e salvador a muitos dos caprichos dos seus filhos adolescentes;

- às Mães precocemente envelhecidas, gastas e doentes, tantas vezes esquecidas de si mesmas e que hoje se sentem mais tristes e magoadas, talvez por não terem um filho que se lembre delas, de as abraçar e beijar...;

- às Mães solitárias, paradas no tempo, não visitadas, não desejadas, e hoje abandonadas num qualquer quarto, num qualquer lar, na cidade ou no campo, e que talvez não tenham hoje, nem uma pessoa amiga que lhes leia ao menos uma carta dum filho...;

- também às Mães que não tendo dado à luz fisicamente, são Mães pelo coração e pelo espírito, pela generosidade e abnegação, para tantos que por mil razões não tiveram outra Mãe...e finalmente, também às Mães queridíssimas que já partiram deste mundo e que por certo repousam já num céu merecido e conquistado a pulso e sacrifício...


A todas as Mães, a todas sem excepção, um Abraço e um Beijo cheios de simpatia e de ternura! E Parabéns, mesmo que ninguém mais vos felicite! E Obrigado, mesmo que ninguém mais vos agradeça!

Fonte: APFN - Associação Portuguesa de Famílias Numerosas



...em especial às Mães Almeidenses...do nosso Concelho...este video cheio de ternura, carinho e de muito amor...é a minha homenagem... 






João Neves