12 novembro, 2010

...UMA GERAÇÃO COM UM DANTAS A CAVALO...É UM BURRO IMPOTENTE...


...será oportuno???????...penso que sim...




MANIFESTO ANTI-DANTAS E POR EXTENSO


por José de Almada-Negreiros

POETA D'ORPHEU FUTURISTA e TUDO


BASTA PUM BASTA!


UMA GERAÇÃO, QUE CONSENTE DEIXAR-SE REPRESENTAR POR UM DANTAS É UMA GERAÇÃO QUE NUNCA O FOI! É UM COIO D'INDIGENTES, D'INDIGNOS E DE CEGOS! É UMA RÊSMA DE CHARLATÃES E DE VENDIDOS, E SÓ PODE PARIR ABAIXO DE ZERO!


ABAIXO A GERAÇÃO!

MORRA O DANTAS, MORRA! PIM!


UMA GERAÇÃO COM UM DANTAS A CAVALO É UM BURRO IMPOTENTE!

UMA GERAÇÃO COM UM DANTAS À PROA É UMA CANÔA UNI SECO!


O DANTAS É UM CIGANO!
O DANTAS É MEIO CIGANO!


O DANTAS SABERÁ GRAMMÁTICA, SABERÁ SYNTAXE, SABERÁ MEDICINA, SABERÁ FAZER CEIAS P'RA CARDEAIS SABERÁ TUDO MENOS ESCREVER QUE É A ÚNICA COISA QUE ELLLE FAZ!

O DANTAS PESCA TANTO DE POESIA QUE ATÉ FAZ SONETOS COM LIGAS DE DUQUEZAS!


O DANTAS É UM HABILIDOSO!
O DANTAS VESTE-SE MAL!
O DANTAS USA CEROULAS DE MALHA!
O DANTAS ESPECÚLA E INÓCULA OS CONCUBINOS!

O DANTAS É DANTAS!
O DANTAS É JÚLIO!


MORRA O DANTAS, MORRA! PIM!


O DANTAS FEZ UMA SORÔR MARIANNA QUE TANTO O PODIA SER COMO A SORÔR IGNEZ OU A IGNEZ DE CASTRO, OU A LEONOR TELLES, OU O MESTRE D'AVIZ, OU A DONA CONSTANÇA, OU A NAU CATHRINETA, OU A MARIA RAPAZ!


E O DANTAS TEVE CLÁQUE! E O DANTAS TEVE PALMAS! E O DANTAS AGRADECEU!


O DANTAS É UM CIGANÃO!

NÃO É PRECISO IR P'RÓ ROCIO P'RA SE SER UM PANTOMINEIRO, BASTA SER-SE PANTOMINEIRO!


NÃO É PRECISO DISFARÇAR-SE P'RA SE SER SALTEADOR, BASTA ESCREVER COMO DANTAS! BASTA NÃO TER ESCRÚPULOS NEM MORAES, NEM ARTÍSTICOS, NEM HUMANOS! BASTA ANDAR CO'AS MODAS, CO'AS POLÍTICAS E CO'AS OPINIÕES! BASTA USAR O TAL SORRISINHO, BASTA SER MUITO DELICADO E USAR CÔCO E OLHOS MEIGOS! BASTA SER JUDAS! BASTA SER DANTAS!

MORRA O DANTAS, MORRA! PIM!

O DANTAS NASCEU PARA PROVAR QUE, NEM TODOS OS QUE ESCREVEM SABEM ESCREVER!

O DANTAS É UM AUTOMATO QUE DEITA PR'A FÓRA O QUE A GENTE JÁ SABE QUE VAE SAHIR... MAS É PRECISO DEITAR DINHEIRO!


O DANTAS É UM SONETO D'ELLE-PRÓPRIO!


O DANTAS EM GÉNIO NUNCA CHEGA A PÓLVORA SECCA E EM TALENTO É PIM-PAM-PUM!


O DANTAS NÚ É HORROROSO!
O DANTAS CHEIRA MAL DA BOCA!

MORRA O DANTAS, MORRA! PIM!

O DANTAS É O ESCARNEO DA CONSCIÊNCIA!
SE O DANTAS É PORTUGUEZ EU QUERO SER HESPANHOL!

O DANTAS É A VERGONHA DA INTELLECTUALIDADE PORTUGUEZA! O DANTAS É A META DA DECADÊNCIA MENTAL!


E AINDA HÁ QUEM NÃO CÓRE QUANDO DIZ ADMIRAR O DANTAS!


E AINDA HÁ QUEM LHE ESTENDA A MÃO!
E QUEM LHE LAVE A ROUPA!
E QUEM TENHA DÓ DO DANTAS!
E AINDA HÁ QUEM DUVIDE DE QUE O DANTAS NÃO VALE NADA, E QUE NÃO SABE NADA, E QUE NEM É INTELLIGENTE NEM DECENTE, NEM ZERO!


VOCÊS NÃO SABEM QUEM É A SOROR MARIANNA DO DANTAS? EU VOU-LHES CONTAR:


A PRINCÍPIO, POR CARTAZES, ENTREVISTAS E OUTRAS PREPARAÇÕES COM AS QUAES NADA TEMOS QUE VÊR, PENSEI TRATAR-SE DE SORÔR MARIANNA ALCOFORADO A PSEUDO AUCTORA D'AQUELLAS CARTAS FRANCEZAS QUE DOIS ILLUSTRES SENHORES D'ESTA TERRA NÃO DESCANÇARAM ENQUANTO NÃO ESTRAGARAM P'RA PORTUGUEZ, QUANDO SUBIU O PANNO TAMBÉM NÃO FUI CAPAZ DE DISTINGUIR PORQUE ERA NOITE MUITO ESCURA E SÓ DEPOIS DE MEIO ACTO É QUE DESCOBRI QUE ERA DE MADRUGADA PORQUE O BISPO DE BEJA DISSE QUE TINHA ESTADO À ESPERA DO NASCER DO SOL!


A MARIANNA VEM DESCENDO UMA ESCADA ESTREITÍSSIMA MAS NÃO VEM SÓ. TRAZ TAMBÉM O CHAMILLY QUE EU NÃO CHEGUEI A VER, OUVINDO APENAS UMA VOZ MUITO CONHECIDA AQUI NA BRAZILEIRA DO CHIADO. POUCO DEPOIS O BISPO DE BEJA É QUE ME DISSE QUE ELLE TRAZIA CALÇÕES VERMELHOS. A MARIANNA E O CHAMILLY ESTÃO SÒZINHOS EM SCENA, E ÀS ESCURAS DANDO A ENTENDER PERFEITAMENTE QUE FIZERAM INDECÊNCIAS NO QUARTO. DEPOIS O CHAMILLY, COMPLETAMENTE SATISFEITO DESPEDE-SE E SALTA P'LA JANELLA COM GRANDE MAGUA DA FREIRA LACRIMOSA. E ANDA HOJE OS TURISTES TEEM OCCASIÃO DE OBSERVAR AS GRADES ARROMBADAS DA JANELLA DO QUINTO ANDAR DO CONVENTO DA CONCEIÇÃO DE BEJA NA RUA DO TOURO, POR ONDE SE DIZ QUE FUGIU O CÉLEBRE CAPITÃO DE CAVALOS EM PARIS E DENTISTA EM LISBOA.

A MARIANNA QUE É HISTÉRICA COMEÇA DE CHORAR DESATINADAMENTE NOS BRAÇOS DA SUA CONFDENTE E EXCELLENTE PAU DE CABELEIRA SORÔR IGNEZ.

VEEM DESCENDO P'LA DITA ESTREITÍSSIMA ESCALA, VARIAS MARIANNAS TODAS EGUAES E DE CANDEIAS ACESAS, MENOS UMA QUE USA ÓCULOS E BENGALLA E AINDA  TODA CURVADA P'RÁ FRENTE O QUE QUER DIZER QUE É ABBADESSA.

E SERIA ATÉ UMA EXCELENTE PERSONIFICAÇÃO DAS BRUXAS DE GOYA SE QUANDO FALLASSE NÃO TIVESSE AQUELLA VOZ TÃO FRESCA E MAVIOSA DA TIA FELICIDADE DA VIZINHA DO LADO, E REPARANDO NOS DOIS VULTOS INTERROGA ESPAÇADAMENTE COM CADÊNCIA, AUSTERIDADE E IMMENSA FALTA DE CORDA...


QUEM ESTÁ AHI?... E DE CANDEIAS APAGADAS?


- FOI O VENTO, DIZEM AS POBRES INNOCENTES VARADAS DE TERROR... E A ABADESSA QUE SÓ É VELHA NOS ÓCULOS, NA BENGALA E EM ANDAR CURVADA P'RÁ FRENTE MANDA TOCAR A SINETA QUE É UM DÓ D'ALMA O OUVI-LA ASSIM TÃO DEBILITADA, VÃO TODAS P'RÓ CÔRO, MAS EIS QUE, DE REPENTE BATEM NO PORTÃO E SEM SE ANNUNCIAR NEM LIMPAR-SE DA POEIRA, SOBE A ESCADA E ENTRA P'LO SALÃO UM BISPO DE BEJA QUE QUANDO ERA NOVO FEZ BRÉGEIRICES CO'A MENINA DO CHOCOLATE.

AGORA COMPLETAMENTE EMENDADO REVELA À ABBADESSA QUE SABE POR CARTAS QUE HÁ HOMENS QUE VÃO ÀS MULHERES DO CONVENTO E QUE AINDA HÁ POUCO VIRA UM DE CAVALLOS A SALTAR P'LA JANELLA. A ABADESSA DIZ QUE EFFECTIVAMENTE JÁ HÁ TEMPOS QUE VINHA DANDO P'LA FALTA DE GALLINHAS E TÃO INNOCENTINHA, COITADA, QUE N'AQUELLES OITENTA ANNOS AINDA NÃO TEVE TEMPO P'RA DESCOBRIR A RAZÃO DA HUMANIDADE ESTAR DIVIDIDA EM HOMENS E MULHERES.


DEPOIS DE SÉRIOS EMBARAÇOS DO BISPO É QUE ELLA DEU COM O ATREVIMENTO E MANDOU CHAMAR AS DUAS FREIRAS DE HÁ POUCO CO'AS CANDEIAS APAGADAS. N'ESTA ALTURA ESTA PEÇA POLICIAL TOMA UM PEDAÇO D'INTERESSE PORQUE O BISPO ORA PARECE UM POLÍCIA DE INVESTIGAÇÃO DISFARÇADO EM BISPO, ORA UM BISPO COM A FALTA DE DELICADEZA DE UM POLÍCIA D'INVESTIGAÇÃO, E TÃO PERSPICAZ QUE DESCOBRE EM MENOS DE MEIO MINUTO O QUE O PÚBLICO JÁ ESTÁ FARTO DE SABER - QUE A MARIANNA DORMIU CO'O NOEL. O PEOR É QUE A MARIANNA FOI À SERRA CO'AS INDISCREÇÕES DO BISPO E DESATA A BERRAR, A BERRAR COMO QUEM SE ESTAVA MARIMBANDO P'RA TUDO AQUILLO. ESTEVE MESMO MUITO PERTO DE


SE ESTRElAR COM UM PAR DE MURROS NA CORÔA DO BISPO NO QUE (SE) MOSTROU DE UM ATREVIMENTO, DE UMA INSOLÊNCIA E DE UMA DECISÃO REFILONA QUE EXCEDEU TODAS AS EXPECTATIVAS.


OUVE-SE UMA CORNETA A TOCAR UMA MARCHA DE CLARINS E MARIANNA SENTINDO NAS PATAS DOS CAVALLOS TODA A ALMA DO SEU PREFERIDO FOI QUAL PARDALITO ENGAIOLADO A CORRER ATÉ ÀS GRADES DA JANELLA A GRITAR DESALMADAMENTE P'LO SEU NOEL. GRITA, ASSOBIA E REDOPIA E PIA E RASGA-SE E MAGÓA-SE E CAE DE COSTAS COM UM ACCIDENTE, DO QUE JÁ PREVIAMENTE TINHA AVISADO O PÚBLICO E O PANNO TAMBÉM CAE E O ESPECTADOR TAMBÉM CAE DA PACIÊNCIA ABAIXO E DESATA N'UMA DESTAS PATEADAS TÃO ENORMES E TÃO MONUMENTAES QUE TODOS OS JORNAES DE LISBOA NO DIA SEGUINTE FORAM UNÂNIMES N'AQUELLE ÊXITO TEATRAL DO DANTAS.


A ÚNICA CONSOLAÇÃO QUE OS ESPECTADORES DECENTES TIVERAM FOI A CERTEZA DE QUE AQUILLO NÃO ERA A SORÔR ALCOFORADO MAS SIM UMA MERDARIANNA ALDANTASCUFURADO QUE TINHA CHELIQUES E EXAGEROS SEXUAES.


CONTINUE O SENHOR DANTAS A ESCREVER ASSIM QUE HÁ-DE GANHAR MUITO CO'O ALCUFURADO E HÁ-DE VER, QUE AINDA APANHA UMA ESTÁTUA DE PRATA POR UM OURIVES DO PORTO, E UMA EXPOSIÇÃO DAS MAQUETES P'RÓ SEU MONUMENTO ERECTO POR SUBSCRIÇAO NACIONAL DO SÉCULO A FAVOR DOS FERIDOS DA GUERRA, E A PRAÇA DE CAMÕES MUDADA EM PRAÇA DO DR. JULIO DANTAS, E COM FESTAS DA CIDADE P'LOS ANNIVERSÁRIOS, E SABONETES EM CONTA «JULIO DANTAS» E PASTAS DANTAS P'RÓS DENTES, E GRAXA DANTAS P'RÁS BOTAS, E NIVEINA DANTAS, E COMPRIMIDOS DANTAS E AUTOCLISMOS


DANTAS E DANTAS, DANTAS, DANTAS, DANTAS... E LIMONADAS DANTAS - MAGNESIA.


E FIQUE SABENDO O DANTAS QUE SE UM DIA HOUVER JUSTIÇA EM PORTUGAL TODO O MUNDO SABERÁ QUE O AUTOR DOS LUZÍADAS É O DANTAS QUE N'UM RASGO MEMORÁVEL DE MODÉSTIA SÓ CONSENTIU A GLÓRIA DO SEU PSEUDÓNIMO CAMÕES.


E FIQUE SABENDO O DANTAS QUE SE TODOS FÔSSEM COMO EU, HAVERIA TAES MUNIÇÕES DE MANGUITOS QUE LEVARIAM DOIS SÉCULOS A GASTAR.


MAS JUYGAES QUE N'ISTO SE RESUME A LITTERATURA PORTUGUEZA? NÃÓ! MIL VEZES NÃO!


TEMOS, ALÉM D'ISTO O CHIANCA QUE JÁ FEZ RIMAS P'RA ALUBARROTA QUE DEIXOU DE SER A DERROTA DOS CASTELHANOS P'RA SER A DERROTA DO CHIANCA.


E AS PINOQUICES DE VASCO MENDONÇA ALVES PASSADAS NO TEMPO DA AVÔSINHA! E AS INFELICIDADES DE RAMADA CURTO! E O TALENTO INSÓLITO DE URBANO RODRIGUES! E AS GAITADAS DO BRUN! E AS TRADUCÇÕES SÓ P'RA HOMEM (D) O ILLUSTRÍSSIMO EXCELENTÍSSIMO SENHOR MELLO BARRETO! E O FREI MATTA NUNES MÔXO! E A IGNEZ SYPHILITICA DO FAUSTINO! E AS IMBECILIDADES DO SOUSA COSTA! E MAIS PEDANTICES DO DANTAS! E ALBERTO SOUSA, O DANTAS DO DESENHO! E OS JORNALISTAS DO SECULO E DA CAPITAL E DO NOTICIAS E DO PAIZ E DO DIA E DA NAÇÃO E DA REPUBUCA E DA LUCTA E DE TODOS, TODOS OS JORNAES! E OS ACTORES DE TODOS OS THEATROS! E TODOS OS PINTORES DAS BELLAS ARTES E TODOS OS ARTISTAS DE PORTUGAL QUE EU NÃO GOSTO. E OS DA AGUIA DO PORTO E OS PALERMAS DE COIMBRA! E A ESTUPIDEZ DO OLDEMIRO CESAR E O DOUTOR JOSÉ DE FIGUEIREDO AMANTE DO MUSEU E AH OH OS SOUSA PINTO HU HI E OS BURROS DE CACILHAS E OS MENÚS DO ALFREDO GUISADO! E (O) RACHITICO ALBINO FORJAZ SAMPAIO, CRITICO DA LUCTA A QUEM O FIALHO COM IMMENSA PIADA INTRUJOU DE QUE TINHA TALENTO! E TODOS OS QUE SÃO POLITICOS E ARTISTAS! E AS EXPOSIÇÕES ANNUAES DAS BELLAS ARTE(S)! E TODAS AS MAQUETAS DO MARQUEZ DE POMBAL! E AS DE CAMÕES EM PARIS! E OS VAZ, OS ESTRELLA, OS LACERDA, OS LUCENA, OS ROSA, OS COSTA, OS ALMEIDA, OS CAMACHO, OS CUNHA, OS CARNEIRO, OS BARROS, OS SILVA, OS GOMES, OS VELHOS, OS IDIOTAS, OS ARRANJISTAS, OS IMPOTENTES, OS SCELERADOS, OS VENDIDOS, OS IMBECIS, OS PÁRIAS, OS ASCETAS, OS LOPES, OS PEIXOTOS, OS MOTTA, OS GODINHO, OS TEIXEIRA, OS DIABO QUE OS LEVE, OS CONSTANTINO, OS GRAVE, OS MANTUA, OS BAHIA, OS MENDONÇA, OS BRAZÃO, OS MATTOS, OS ALVES, OS ALBUQUERQUE, OS SOUSAS E TODOS OS DANTAS QUE HOUVER POR AHI!!!!!!

E AS CONVICÇÕES URGENTES DO HOMEM CHRISTO PAE E AS CONVICÇÕES CATITAS DO HOMEM CHRISTO FILHO!

E OS CONCERTOS DO BLANCH! E AS ESTATUAS AO LEME, AO EÇA E AO DESPERTAR E A TUDO! E TUDO O QUE SEJA ARTE EM PORTUGAL! E TUDO! TUDO POR CAUSA DO DANTAS!

MORRA O DANTAS, MORRA! PIM!

PORTUGAL QUE COM TODOS ESTES SENHORES, CONSEGUIU A CLASSIFICAÇÃO DO PAIZ MAIS ATRAZADO DA EUROPA E DE TODO OMUNDO! O PAIZ MAIS SELVAGEM DE TODAS AS ÁFRICAS! O EXILIO DOS DEGRADADOS E DOS INDIFERENTES! A AFRICA RECLUSA DOS EUROPEUS! O ENTULHO DAS DESVANTAGENS E DOS SOBEJOS! PORTUGAL INTEIRO HA-DE ABRIR OS OLHOS UM DIA - SE É QUE A SUA CEGUEIRA NÃO É INCURÁVEL E ENTÃO GRITARÁ COMMIGO, A MEU LADO, A NECESSIDADE QUE PORTUGAL TEM DE SER QUALQUER COISA DE ASSEIADO!

MORRA O DANTAS, MORRA! PIM!

José de Almada-Negreiros



 
                                                                                                  publicado por João Neves
 

28 outubro, 2010

Impasse? Não....

Quando há uns tempos escrevi neste espaço que a situação sócio económica para a maioria dos portugueses seria muito difícil em 2010, estava longe de imaginar que o fosse da forma que está a ser.
Mas pelos vistos ainda não existe uma avaliação exacta do défice que vamos ter no final do ano, apesar do Governo através do Sr. Ministro das Finanças afirmar que o mesmo está controlado, sem especificar o valor concreto.

Toda a encenação que vimos nos últimos dias, relativamente às reuniões havidas entre o Governo do Partido Socialista e o Partido Social Democrata, seria de evitar não dando assim aos mercados internacionais um sinal de caos em que estamos a viver no sector económico.

O Governo sabia que tinha que preparar o Orçamento de Estado para apresentar na Assembleia da República.
O Governo sabe que neste mandato não possui uma maioria absoluta de forma a permitir-lhe a aprovação do OE na Assembleia, só com os seus deputados.
O Governo sempre soube que para aprovar o OE este ano, teria que negociar com alguma força política a votação.

Quando alguém quer algo com muito interesse, deve ter a preocupação em fazer o trabalho de casa nas melhores condições.
Não pretendo com esta minha ideia dar lições a ninguém. Mas acredito que se o Governo antes de elaborar o seu próprio OE, tivesse procurado ouvir com a antecedência necessária dos partidos políticos com representação parlamentar, as sugestões e/ou propostas próprias deles, teria sido muito melhor.
Esta forma de actuação poderia contribuir para evitar as acusações que lhe são feitas. Talvez uma ou outra sugestão deste ou daquele partido a serem inseridas na proposta final, poderia evitar que todos, à excepção do PSD, já afirmassem a sua não aprovação.
Elaborar o OE e depois ir discuti-lo com os partidos é mais difícil. Aliás experiências vividas noutras áreas só demonstram que esta forma é mais fácil de negociar.

Por outro lado a troca de certas afirmações feitas por parte de alguns membros do Governo e do PS para com pessoas do PSD, em nada vieram ajudar à criação de um clima de abertura para o diálogo. Veja-se o que se passou no último debate quinzenal efectuado na AR entre José Sócrates e o líder da bancada do PSD.

Os mercados internacionais estão atentos e nervosos sobre o que se irá passar em Portugal. O Fundo Monetário Internacional também está atento uma vez que o mais provável é que mais cedo ou mais tarde vai ter que intervir.

Afinal todas as medidas que nos foram de uma ou outra maneira “vendidas” pelo Governo do PS, nos chamados PEC, foram insuficientes. Afinal as fortes críticas feitas pelos partidos da oposição, tinham mais que razão de existir. E as críticas feitas pelos mais diversos comentadores políticos e economistas? Tinham razão ou não de existir?
Estas últimas medidas que o Governo acabou por assumir, se tivessem sido feitas há mais de um ou dois anos, hoje certamente estaríamos melhor e evitar-se-ia todo este cenário vergonhoso por que estamos a passar e a levar para o palco internacional.
Nem quero imaginar se o PS tivesse obtido uma nova maioria absoluta, em que situação hoje estaríamos.
Hoje como ontem e mesmo nos próximos dias, o debate as conversas vão versar sobre a aprovação ou não do OE.
Acredito que vai passar. Tenho essa convicção. O PSD pode e deve abster-se na votação da generalidade. Por sua vez o Governo vai ter que ceder em alguns pontos na discussão da especialidade.
Será talvez o ponto mais crítico, uma vez que as alterações propostas podem ser aprovadas pela maioria da oposição. Será que depois o Governo aceita ou não. Se não aceitar só tem um caminho, pedir a demissão ao Sr. Presidente da República, e lá estamos então com o mesmo problema de hoje, mas muito mais grave.

Acredito que à reunião a que o Sr. Primeiro Ministro vai hoje e amanhã, e onde vão estar presentes por exemplo, Angela Dorothea Merkel e Nicolas Sarkozy, estes acabarão por sensibilizá-lo a ouvir de novo a oposição e encontrar a qualquer custo uma solução para o impasse. A ver vamos.

Não podemos sobre qualquer pretexto ficar reféns de políticos. A democracia é algo muito valioso, para que meia dúzia de pessoas a coloque em causa e a transforme em algo vergonhoso. Mais do que nunca me parece que a nossa classe política, a actual, está fora de prazo e rica de mais para que olhem para nós, os pobres.

Que a situação actual que estamos a viver nos servia para reflectir em termos futuros.

18 outubro, 2010

A Lista...

...eu sei que tu ias gostar do Oswaldo Montenegro, Carlos...
...quanto a mim...a nós...quantas canções que tu não cantavas ...hoje assobio pra sobreviver...
...Shalom, Carlos Mota...até...um dia...





 A lista

 

Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais
Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você já desistiu de sonhar!
Quantos amores jurados pra sempre
Quantos você conseguiu preservar
Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora
Hoje é do jeito que achou que seria?
Quantos amigos você jogou fora
Quantos mistérios que você sondava
Quantos você conseguiu entender
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber
Quantas mentiras você condenava
Quantas você teve que cometer
Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você
Quantas canções que você não cantava
Hoje assobia pra sobreviver
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você
Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você


                               Oswaldo Montenegro



26 setembro, 2010

No Rescaldo das Comemorações do Bicentenário

Um mês depois das Comemorações do Bicentenário do Cerco de Almeida, o silêncio deste blogue relativo ao acontecimento, semelhante ao que se verificou noutros espaços digitais, e até no sítio oficial do município, evidencia bem o seu fraco impacto junto da comunidade. O fenómeno não se pode certamente atribuir à época de Verão, que já lá vai. Por outro lado, fossem quais fossem os temas, o histórico deste Fórum mostra reacções bem mais participadas em épocas estivais anteriores. A única conclusão possível é a do desânimo em que Almeida se vê mergulhada de há uns tempos para cá… desmintam-me se estiver errada!

Estive nas Comemorações do Bicentenário do Cerco de Almeida. Não para ver o colorido das fardas e os outros trajes dos recriadores, de que guardo imagens de edições anteriores, além de que a repetição dos certames lhes retirou a novidade, mas para avaliar o que é feito de uma ideia que teve de vencer indiferenças e relutâncias antes de conseguir experimentar-se e implantar-se a tempo de captar e firmar alguma notoriedade para o anunciado Bicentenário. Contudo, a impressão com que fiquei, mesmo com a expressiva presença de participantes, foi que o esforço de ir espremendo a ideia do “evento” sem o inovar, e a fórmula de fundir inaugurações com recriação histórica e com o anúncio de uma candidatura à Unesco, perante uma catadupa de convidados estrangeiros recebidos com o aparato que todos puderam testemunhar em 2009, ano de eleições onde e apesar da crise já instalada não se olhou a meios para tentar impressionar tudo e todos, a postura megalómana parece ter esgotado assim os meios e a capacidade de fazer diferente e especial para este ano de 2010, o ano em verdadeiramente se assinalava o Bicentenário.

Por outro lado, este processo tem a ver com uma distorção progressiva do conteúdo destas comemorações, onde se verifica um acentuar do lado lúdico para distrair os visitantes, com cerimónias oficiais e seminários ignorados por quase todos, ou iniciativas onde a própria organização participa de forma apressada para cumprir programa, como no caso do desfile e homenagem na Praça Alta, este ano despercebida, quase inexistente. Sente-se o desfasamento entre uma vontade de destacar e homenagear os episódios e figuras de relevo histórico, e aquilo que sobra, e em que se vai transformando essa memória, que é sobretudo um mimetismo de episódios históricos, promovido como mais um “evento”. Até porque é essa postura que se sente agora ao ouvir-se da própria boca de um edil ufano perante o troar de canhões e simulação de combates pelos recriadores: “ Isto nasceu de uma brincadeira há 2 ou 3 anos atrás”. Não foi assim. Surgiu de uma vontade mais antiga e autêntica de ajudar Almeida a concretizar iniciativas que a tornassem mais ciosa e zelosa do seu património histórico e mais conhecida no exterior - procurando contribuir para o seu potencial de desenvolvimento. Uma experiência bem sucedida em 2005 e desenvolvida em 2006 demonstrou o seu interesse, o que veio a permitir o acolhimento favorável pela pessoa que viria a ser e é o actual Presidente da Câmara, num trajecto de esperanças promissoras, que rapidamente se desvaneceriam.

Os factos são bem comprováveis. Perduram filmes e fotografias desses momentos, irrepetíveis pela sua mobilização genuína, inclusive na Internet, disponibilizados no YouTube, como aliás o vídeo do anterior Post documenta. Para quem apregoa o princípio de “Falar verdade”… é melhor nem comentar!

Registo a ocorrência salientando o triste espectáculo de quem se exibe por conta das boas-vontades e lamentando o fado de sujeição assim imposto em todos os domínios da sociedade civil em Almeida. Pela nossa parte, ainda que posteriormente alvo de remoques infundados de que a crítica vinha de quem nunca fizera nada por Almeida, restou-nos a liberdade de nos afastarmos, desprezando as retaliações (que se viriam a concretizar) ao vermos o tratamento de desconsideração a que fomos submetidos quando patenteámos discordância relativamente ao mamarracho construído em frente à Câmara: na nossa lógica, tanto rigor nas fardas e armas, incluindo acessórios e até botões, tanta discussão partilhada quanto a detalhes para recriar uma autenticidade, ainda que passageira, era incompatível com pactuar cobardemente com intervenções, essas sim mais permanentes, que nada tinham de preservação e revitalização do centro histórico da vila de Almeida. Sempre incentivámos a que outros continuassem o espírito das recriações, incluindo os filhos. Se optaram pela não participação, não lhes podemos levar a mal. Culpa nossa de lhes termos transmitido a necessidade de coerência com as decisões que se tomam.

Quanto ao Bicentenário propriamente dito, com o colorido que encheu o centro histórico de Almeida, é pena que ao menos uma parte dessa animação não tenha condições de perdurar, favorecendo um quotidiano da vila mais dinâmico e um saudável contágio com outras mentalidades, mais cientes da riqueza e importância do património histórico de Almeida, se bem que explicitamente os de fora pouco façam - ou possam fazer pela sua protecção. Voltam para as suas terras no final, deixando os almeidenses entregues a si mesmos, indiferentes aos sinais deixados – que estes nem reparam ou querem dar-se ao trabalho de interpretar.

A título de exemplo, destaco apenas um, pelo seu profundo significado, que a muitos terá escapado: na homenagem aos mortos no combate do Côa, juntaram-se os recriadores, portugueses e estrangeiros, na antiga ponte para alguns minutos de silêncio. Foi digno de observação: perfilaram-se, apertaram-se para caberem todos, representantes de antigos regimentos, desde as forças aliadas às “invasoras”, unidas no mesmo espírito de homenagear os antigos combatentes de ambas as partes. Eram umas centenas e, pelas manobras que tiveram de fazer, tornou-se bem evidente a sua intenção: totalmente voltados para o rio, sobre a antiga ponte, guardaram a memória dos antepassados simplesmente defronte à antiga cruz em toques de clarinete e em momentos de silêncio. Dispersaram no fim. Não houve dúvidas que ignoraram completamente qualquer outro elemento acrescentado à paisagem agreste do vale. De acordo com essa postura, o essencial estava lá. Descartaram completamente a necessidade de um memorial imponente assinado por dois arquitectos do século XXI e pago por uma edilidade que faz esforços para o promover como tal.

Aliás, nisto de experiências de memoriais, um outro memorial do Bicentenário, supostamente “um estudo”, praticamente ilegível, que deveria ser plantado no alto do castelo, depois de arrasar o cemitério e lá se construir um miradouro em betão, foi ridiculamente inaugurado com coroas de flores em 2008, e repetidamente desde então, levando as entidades convidadas a posarem junto dele para as fotografias, alheias a todo este improviso. Como o projecto (felizmente!) não foi para a frente, nem para cima como previsto, inventou-se outro memorial, desta vez no Côa. E com tudo isto, só não dá para perceber de que estão os almeidenses à espera para defenderem uma outra visão para Almeida, em vez de se limitarem a aninhar-se ou fingirem que acreditam em todas as justificativas ciciadas aos ouvidos ou propaladas aos microfones.


É que pelo seu acatamento indiferente, quando não conivente, não se livrarão no futuro de merecedores da denúncia em verso que fez a poetisa Sophia de Mello Breyner: “Senhor, perdoai-lhes porque eles sabem o que fazem!”.

15 julho, 2010

O nosso Estado...

Temos ultimamente vindo a ser bombardeados com a mais variada informação sobre a situação económica em que este pobre país se encontra.
Ao ouvirmos afirmações de especialistas, nacionais ou internacionais, a nossa preocupação deve aumentar.
Expressões como “Portugal pode entrar em falência”, do reputado economista António Sampaio e Mello à Renascença no seguimento de um comentário feito às declarações de Paul Krugman, Nobel da Economia, a uma entrevista ao jornal espanhol “El País”, “...existe uma elevada probalidade de a Grécia sair da zona euro, e que, por contágio, Portugal, Espanha e Irlanda seriam afectados.”, ou, "Para 2011, os factores de incerteza são maiores, porque é mais difícil prever o que se irá passar num horizonte temporal mais longo", afirmou o ministro da Economia Vieira da Silva, à Lusa, entre outras, que podemos encontrar na imprensa diária da especialidade.
Estas expressões, devem preocupar-nos e muito.
A agência de notação financeira, Moody’s veio agora baixar ainda mais o “rating” da dívida portuguesa em mais dois níveis.
Os bancos não fogem à regra e 8 deles foram objecto de diminuição de “rating”, entre os quais, os mais importantes.


Entretanto ao ouvirmos os responsáveis políticos portugueses nas suas mais variadas declarações públicas em online, temos afirmações para todos os gostos.
O Governo e o Partido Socialista vêm afirmar que está tudo como previsto.
Os partidos da oposição, fartam-se de tecer críticas ao Governo, mas quando é chegada a hora de união para se oporem a certas e determinadas decisões, dividem-se.
Para não ficar de fora, também o senhor Presidente da República vem dizer que é importante dar atenção às classes mais desfavorecidas, isto é, aos novos pobres. Sim porque cada vez há mais, segundo as suas palavras, sendo necessária mais atenção para «...aqueles que sofrem em silêncio, que até há pouco tempo não imaginavam poder hoje encontrar-se na situação em que se encontram, situação em que, nalguns casos, é mesmo de carência alimentar». Estas palavras ditas pelo mais alto representante da Nação, são entendidas por mim, de que já haverá gente neste país a passar fome.
Não me passa pela ideia o que se irá passar com as centenas ou milhares de famílias que daqui a algum tempo irão deixar de receber o subsídio de desemprego, em função das novas directrizes governamentais.
Certamente que os familiares mais directos vão ter que repartir muita coisa com eles. Isso vai torná-los também, mais pobres.


Pelo que nos vai sendo dado observar, verificamos que muita gente ainda não conseguiu interiorizar que o momento que estamos a atravessar é muito complicado. Perdemos muito tempo a discutir situações que não nos levam a lado nenhum e muito menos acrescentam mais valias.

Seja a nível governamental seja a nível caseiro, o que já deveríamos ter começado a fazer, era cortar nas despesas fúteis.


Não me considero um entendido em xilomancia, mas observando com atenção o que se passa à nossa volta, não me parece que venham aí dias melhores. Bem pelo contrário. Vamos ter que continuar a pagar os erros dos incompetentes. E por quanto tempo?


                                                                                    José Augusto Rodrigues Marques

24 junho, 2010

ESTOU REVOLTADO!

“…O Agrupamento de Escolas de Vilar Formoso vai fundir-se com o Agrupamento de escolas de Almeida.

Esta situação já é uma realidade que vai estar em prática a partir de 1 de Julho.
Numa reunião, na última semana, foi dada a conhecer a tomada de decisão “unilateral” por parte da Direcção Regional de Educação do Centro (DREC) aos Directores e Presidentes dos Conselhos Gerais de ambos os agrupamentos.
Como está a acontecer um pouco pelo distrito e pelo país o Ministério de Educação está a fundir Agrupamento, de forma a ter apenas um agrupamento de escolas por concelho.
O que vai mudar com a fusão?
Os menos afectados (por enquanto) serão os alunos, esta mudança é mais estrutural e de gestão.

Com a fusão dos agrupamentos vai existir apenas um Director responsável pelos dois agrupamentos;
Passará existir uma secretaria com maiores responsabilidades e outra com menos funcionários e menos responsabilidades (podendo os funcionários mudar de secretaria ou mesmo estar em excesso);
Os departamentos e Grupos terão os professores de ambas as escolas, passando a haver reuniões de professores dos dois agrupamentos;
Os professores poderão ter que leccionar em ambas as escolas;
…”
(In Rádio Fronteira)

O meu comentário é simples e breve.
A desertificação do Concelho de Almeida, como tenho vindo a alertar, é um facto e está em ritmo acelerado.
A Fusão dos Agrupamentos de escolas de Almeida e de Vilar Formoso, vai originar despedimentos de funcionários e de professores. Este é o drama imediato que esta medida vai originar.
Mas o que mais me admira “nisto tudo”, é a passividade, o assobiar para o ar, os braços caídos com que os habitantes do Concelho estão a receber esta medida dolorosa, e dramática até, para o seu futuro.


Onde está aquela gente toda que se juntou no Centro de Saúde de Almeida, quando começou a correr a noticia que o Governo de Lisboa tinha intenções de encerrar as urgências do mesmo? Onde está a rádio, os jornais e até a televisão chamados a toda a pressa para passar a mensagem de “tal crime”? Então esta medida não merece atitude semelhante? Não merece a revolta do povo deste Concelho? Não merece que façamos o favor de ir para a rua de punhos no ar?


Entre a minha tristeza por ver o definhar, agora de forma mais acelerada, deste concelho onde resido e onde os meus filhos nasceram e crescem, está um misto de revolta e de vontade de mostrar a minha indignação por uma medida injusta e contraproducente. Mais... porquê tanta pressa? Só por motivos económicos e financeiros? Já ninguém pensa em penderação? Já ninguém pensa em ser prudente?...E o futuro ninguém pensa nele? ...e as nossas gentes...ninguém pensa nelas?...talvez já ninguém pense...
Nestas condições como poderemos querer que os nossos filhos aqui permaneçam? Como poderemos pedir aos empresários deste país ou de outro qualquer para investir numa região deserta?


De revolta pela hipocrisia e passividade de certos fazedores de opinião e de alguns intelectuais bacocos da nossa praça. De revolta ainda por sentir que o interesse pessoal de cada um está mais valorizado que o interesse comum. O que tem importância são os meus interesses o resto “que se dane”…e o último que feche a porta…esta é a forma de estar que se “vive” em Almeida.


Assistimos impávidos e serenos à luta intestina pela gestão da escola, uma vez que só vai haver um Director, quando na minha humilde opinião seria a resolução mais simples de tomar: O DIRECTOR DO “NOVO” AGRUPAMENTO ESCOLAR TEM QUE SER A PESSOA MAIS HABILITADA E/OU COM MAIOR OU MELHOR FORMAÇÃO. Escrevo com letras maiúsculas na tentativa que alguém dos serviços competentes da Cidade da Guarda consiga ler.
O melhor e mais habilitado em termos de formação, tem que ser o futuro Director do Agrupamento Escolar de Almeida.
Tão simples quanto isto.
A bem de um ensino melhor e mais eficiente.


Assistimos impávidos e serenos a mais despedimentos e ao afastamento de pessoas da nossa região.
Podem insentivar o investimento no turismo ou no comércio, pois não valerá de nada! Podem "investir" em novos patrimónios culturais pois já ninguém virá cá para os ver. Até quando será possivel irmos continuando a rir e a cantar...?


Enfim, assistimos impávidos e serenos a este jogo de interesses nojento e vergonhoso.


Os senhores políticos ou politiqueiros deste país continuam a tratar o interior de uma forma degradante e até infamante.


Enfim...cada vez somos menos...cada vez temos menos votos…até quando?...até voltarmos aos anos esquecidos em que os filhos do Concelho de Almeida, se quisessem continuar a estudar no ensino secundário, teriam que se deslocar para a Guarda…será que estará muito longe esta medida?...olhem que não!!!
Mas, enquanto os despedimentos forem no quintal do nosso vizinho…está tudo muito bem…infelizmente em Almeida é assim...Almeida está assim...


Para terminar vou lançar mais um alerta, ainda com a esperança de despertar consciências dos tais fazedores de opinião ou intelectuais bacocos: estou plenamente convencido que a próxima medida será o encerramento da Empresa Municipalista. A medida está em curso pois já existe equipe de estudo sobre a matéria, no sentido de reduzir custos ao estado. No entanto…queira Deus que esteja enganado.
E assim vamos (sobre)vivendo em Almeida…



João Neves

10 junho, 2010

As obras já começaram...




O artigo que acima se reproduz foi publicado na edição de 13 Abril 2010 do Jornal Praça Alta. Por achar que muitos, além de mim, pudessem ver-me no seu teor como o alvo dos recados, enderecei ao mensário um texto para publicação, que a seguir se insere:


Ex.mº Senhor Director do mensário
Praça Alta
Almeida

CC/ Chefe da Redacção do Praça Alta


Li, com estupefacção, o apontamento publicado na pág. 2, sob o Editorial da última edição do Jornal Praça Alta intitulado " As obras já começaram...", referindo-se ao começo das obras relativas implantação de um monumento ao 25 de Abril na praça do mesmo nome, o qual se vai situar defronte às Portas de S. Francisco em Almeida.

Não me insurgiria com o teor do texto se o autor (e como não é assinado, será da autoria da Direcção / Redacção desse mensário) apenas desse conhecimento das referidas obras sem comentários de outro foro. No entanto, refere que houve polémica quanto à implantação do monumento usado como "arma de arremesso político" (no original, entre aspas) e, prosseguindo, que tal construção motivou, nas páginas do PA uma certa, (de novo entre aspas e também em itálico), "azia intelectual bacoca", finalizando o período, afirmando ainda que "para alguns que não devem conhecer o ditado popular: "Presunção e água benta, cada qual toma a que quer"” (com aspas e em itálico).
No derradeiro parágrafo, remata com os votos bem expressos, a negrito, de que o resultado final dos trabalhos fique a contento de todos.


Senhor Director, como sabe, o signatário tem vindo a escrever tanto no blogue http://forumalmeida.blogspot.com/ como nas páginas do PA vários artigos, manifestando total discordância com a decisão do actual executivo camarário relativamente ao que pensa ser uma aberração o implante, requalificação ou o que quer que se lhe queira chamar, de uma construção espúria e completamente desfasada da envolvente histórico-patrimonial que são as muralhas da Vila de Almeida, estas sim, classificadas monumento nacional.

Além de mim, apenas a Redacção do Praça Alta publicou, na edição nº 168 de Maio de 2009, uma notícia comentada sobre uma planta e um esquema do que seria o novo percurso de trânsito automóvel a que que tal novo"monumento" iria obrigar, o que logo bastou para que no número seguinte a mesma redacção viesse fazer um acto de contrição público, com um humilde pedido de desculpas, pois o autor ou os autores do projecto se acharam ofendidos, inclusive ameaçando processar a Redacção por abuso e não autorização de publicação dos esquemas, ou peças do projecto em causa. E, depois disso, não mais a redacção do PA publicou qualquer outra notícia alusiva às projectadas obras.

Nesta perspectiva, a publicação em aspas das frases anteriormente mencionadas parecem, no contexto em que que se apresentam, serem uma tomada de posição crítica da Direcção/Redacção do PA, não a si própria e ao seu trabalho publicado, mas antes dirigidas ao signatário, o que é totalmente inaceitável e de modo algum corresponde à verdade, pois nunca referi ser a construção da nova configuração da Praça 25 de Abril, uma "arma de arremesso político", nem referi que tenha sido uma "azia intelectual bacoca" ou que "presunção e água benta, cada qual toma a que quer"...

Portanto, agradeço que seja pela parte da Direcção / Redacção do PA definido o que se pretende dizer com tais afirmações, pois não quero crer que queiram visar um membro de há longos anos, que prezo ser, da Associação dos Amigos de Almeida, da qual fui seu Presidente da Direcção, apenas me movendo o amor que nutro por Almeida, reservando-me simplesmente o direito de me insurgir, como qualquer cidadão de bom-senso e algum conhecimento de História, com as múltiplas intervenções que a estão a descaracterizar um vetusto e insubstituível Património colectivo. Solicito pois, não só a publicação deste meu texto como a já referida definição explicativa do teor do apontamento em causa, se não na mesma página do Editorial, pelo menos com clara indicação nesse local quanto a esta reacção que vai assinada por mim para publicação.
Com os meus cumprimentos,
Rui Brito da Fonseca


No dia 27 de Maio, recebi um mail do Sr. Armindo Pereira informando que "quem neste momento toma decisões” decidiu não publicar o meu texto no PA, conforme eu solicitara, pois o mesmo "estará desprovido de qualquer interesse editorial".

Pode não ter interesse editorial, mas como poderia ser visto como o visado do mencionado apontamento, levando inclusive os leitores a interpretações sobre o que de mim o(s) autor(es) do artigo teria(m) escrito, penso que ao menos merecia ser publicado, assinado como foi, tratando-se do meu ponto de vista. O Sr. Armindo Pereira, contudo, esclarece-me que as várias expressões usadas no artigo nada tinham a ver comigo, não me sendo, portanto, dirigidas, nem reproduzindo, mesmo que eufemisticamente, qualquer posição que eu tomara enquanto discordante da implantação daquela forma do chamado "Monumento ao 25 de Abril" na Praça do mesmo nome, em Almeida. Seriam tais frases dirigidas a outrem...

Não reproduzo o mail que me foi dirigido já que o mesmo foi assinado não pelo director do PA, mas sim pelo Sr. Armindo Pereira, manifestando-me consideração. E como tal, interpreto a missiva como de carácter pessoal, não devendo ser aqui publicamente divulgada. Ao próprio comuniquei a decisão de publicação neste Fórum, salvaguardando a posição que defendo.
Rui Brito da Fonseca

27 maio, 2010

Sessão Ordinária da Assembleia Municipal de 23.04.2010 - fim


Continuando o resumo da última sessão ordinária da AM, o terceiro ponto da Ordem de Trabalhos foi a Apreciação e Votação dos Documentos de Prestação de Contas do Ano de 2009.


Sobre este ponto, pedi a palavra, começando por reconhecer que a quantidade da documentação era pouco convidativa, com papelada e mais papelada, anexos, relatórios e pareceres, exigindo força de vontade para leitura atenta; contudo, conforme a persistência que os almeidenses esperavam de nós, dera-me ao cuidado de procurar algumas respostas para as minhas dúvidas, depois de ter observado em 2009 o teor e dimensão de alguns chamados “investimentos”, o que me levava a fazer as seguintes considerações:


Antes de mais, admitir a ingenuidade com que, desde 2005, mas sobretudo em 2006 e parte de 2007, tinha colaborado empenhadamente com o executivo municipal, aliás o mesmo de hoje, procurando que Almeida conseguisse granjear apoio e envolvimento alargado dos munícipes, a partir de iniciativas culturais que motivassem o brio e consciencialização da importância do seu património histórico, recorrendo à ajuda de conceituados investigadores, toda a família e amigos, sempre preocupada com as despesas, tentando obter as condições económicas mais vantajosas, quando não absolutamente gratuitas, de que sempre dava conhecimento escrito e telefónico, e agora podia constatar que o município, segundo aquelas contas, não parecia revelar qualquer política de poupança, ou pelo menos de contenção nos gastos;


Ao observar as parcelas de algumas despesas, e sobretudo, por contraste com alguns montantes aplicados nas diversas freguesias, associações ou sectores, na generalidade bem mais “magros”, e até “esqueléticos”, via-me forçada a concluir que havia uma atitude não apenas esbanjadora de dinheiros públicos em despesas que pouco ou nada representavam para o bem- estar e desenvolvimento geral do concelho, mas também bastante desequilibrada em relação aos vários destinos.


Que perante um rol de “investimentos” desses, muitas vezes direccionados para o mediatismo e publicidade, por mais compreensão que houvesse pela indignação quanto aos atrasos verificados nas transferências do governo central, tiravam legitimidade para grandes queixas pois, na minha modesta opinião, “quem não tem ovos não faz omeletas como as que via fazer”.




Como calculo que o que digo e escrevo é susceptível de distorções, dei vários exemplos de dívidas liquidadas ou por liquidar em 31 de Dezembro, como agora farei, com os mesmos citados: € 1.434,32 + 280,80, 900,00+2.400,00, 873,48 + 1.548,00 + 1680,00, 5.976,00 + 1920,00… em jornais que, pelo valor não parecem assinaturas anuais; situações análogas para rádios locais (900,00 + 1.050,00 ou 750,00 + 2.250,00, 891,76…), ou televisão (1.920,67), publicidade, serviços e artigos publicitários (6.339,18 + 5.324,76, 2.400,00 + 3.870,00, 2.515,50 + 2.722,75…), pirotecnia (900,00, 13.164,00 + 13.200,00, 18.600,00), multimédia (1.057,50 + 2.160), o que presumo ser de alojamentos, pela empresa envolvida (5.0007,35 + 4.023,00), artes gráficas (1.561,97 + 7.537,78, 2.682,00 + 61.867,50, + 15.300,00, 5.580,00) …



Dos números sublinhados, deixei de fora assessorias e consultorias externas diversas, certamente para delinear e acompanhar os projectos e obras relacionados com as diversas empreitadas que questionam a suficiência e competência do quadro de pessoal municipal, apesar de geralmente ser considerado numeroso, para antes focar casos concretos que pude ir observando, e sobre os quais me manifestei na AM, nomeadamente em Agosto de 2009 aquando da Recriação Histórica e respectivo programa, como o aluguer de écrans gigantes e aparelhagem sonora para mostrar o que se podia observar ao vivo e – num caso bem concreto - se limitar a passar um fundo musical, serviços de tradução simultânea, que se sabem muito dispendiosos, para salas constantemente às moscas, além de edições em quantidades desaproveitadas e conteúdos a que os almeidenses manifestam enorme indiferença, impressas com valores parciais e totais a que nem os grandes municípios se atrevem.



No período de resposta, o Presidente da CMA tentou desmerecer estas observações, alegando que na sua “boa memória” conservava bem presente uma crítica anteriormente feita por mim da não tradução da comunicação do Dr. Ray Bondin - que tive de rectificar, conforme documentos escritos que preservo, já que a mesma se reportava simplesmente à apresentação de uma tradução escrita, policopiada, que deveria ter sido entregue aos presentes que não compreendessem inglês e não uma tradução simultânea, pelos valores que implicaria. Além de uma outra, a partir do italiano, que tinha sido cuidadosa e atempadamente entregue, e nem sequer apareceu no momento… Sobre os valores gastos com jornais, o Presidente chama-lhe promoção de Almeida, que promete continuar, apesar dos nulos resultados na economia local… e, quanto às publicações, refere os elogios recebidos, inclusive de um professor de Coimbra. Certamente. Desde que o município possa comportar e, de preferência, que revertesse em aumento de cultura e conhecimento dos almeidenses, embora eles não pareçam interessar-se nada por isso. Talvez o direccionamento do investimento não esteja a ser o mais acertado…pois tinha perguntado se alguém ali naquela AM lera algum daquele material e, como resposta, apenas obtivera o silêncio.



Depois da minha intervenção um outro membro da AM usou também da palavra para referir a imprecisão da inscrição das rubricas exigindo uma maior clarificação e arrumação das mesmas, a confirmar um debate que tem merecido insistência por parte da oposição, passando-se de seguida à votação. Naturalmente tanto esse ponto como o seguinte, sobre a 1ª Revisão Modificação às Grandes Opções do Plano passaram, apesar dos votos contra.



Não poderia ser diferente a Discussão e votação do Projecto de Regulamento de Atribuição de Bolsas de Estudo a Estudantes do Ensino Superior. Por muito que tivessem sido apresentadas propostas diferentes (como aliás aqui foi dado conhecimento), ou se salientasse que havia discriminação da Associação dos Bombeiros de Almeida em relação a outras Associações do concelho que contavam também com o empenho e voluntariado dos seus membros, alertando para o risco de desmotivação. De nada valeu. O texto final saiu até reforçado quanto à especificação particular dos Bombeiros. A maioria silenciosa – ou silenciada pelas circunstâncias das últimas eleições – é bem expressiva, quando chega a altura de levantar o braço. Funciona a democracia, segundo a própria escolha dos almeidenses.