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20 setembro, 2013

Despedida de Assembleia Municipal - parte 4 (fim de intervenção)



Não, meus senhores, não é ódio. Estas atitudes não me merecem ódio. Somente desprezo e um pouco de indignação, junto com estupefacção por tanta submissão e indiferença. Pensem o que quiserem da minha modesta posição de “andorinha que, sozinha, não faz a Primavera”. Fico tranquila, pois não tenho a veleidade de convencer ninguém; no entanto, sabemos que inevitavelmente a Primavera chegará, pois os ciclos têm isso de bom: giram ao cabo de pequenas ou grandes mudanças. E para a transformação basta um pequeno impulso! Do meu insignificante papel, apenas opto por não me deixar intimidar, antes exprimir uma discordância frontal, já que o que predomina são atitudes de abuso de poder, que fazem com os que aqui vivem temam o jugo no cachaço, ou então o pau com um fueiro para espetar o coiro. Mas assim, nunca irão a lado nenhum! Fora de Almeida, chega-se a apontar-se algumas atrocidades, alguns criticam o que chamam de “parolices”, mas apenas à distância, porque pela frente não dizem nada e, no fundo, ninguém mexe uma palha, porque “é lá com eles, com os almeidenses” – enquanto Almeida desaparece nesta voragem de interesses e cobardias! Se contam com os de fora, estão bem tramados!

Antes de estar nesta AM, decidi escrever num blogue [Fórum Almeida] aquilo que pensava, acreditando que ajudaria outras pessoas a deixar de ter medo. Isso passou-se há mais de quatro anos e, como se aproximavam eleições, qualquer agitação podia fazer perigar a reeleição para manter a situação. Resultado: assisti impotente como muitos ao encenar de todo o aparato de candidatura à Unesco, que resultou naquele fracasso que todos conhecemos. Em Almeida, vi as pessoas idosas a ser levadas na sua boa fé em procissões e romarias a visitar as Casamatas, que depois de se ter gasto um balúrdio para ficarem impermeabilizadas, continuam com infiltrações, como seria de esperar e como técnicos qualificados advertiram, para não falar naquela esplanada ao relento, com um ridículo elevador de monta-pratos que nunca funcionou, como tantas obras feitas em Almeida, que depois ficam para os cardos e vandalizações. 

Vi também fogos-de-artifícios espectaculares como raramente vejo numa grande cidade, de tão dispendiosos que são. Seguiram-se anos de vacas magras, “por causa da crise”, mas ao que parece, em ano de eleições outra vez, a crise já passou, pois torno a ver festa rija, nos vários quadrantes e durante muitos dias. Ano de eleições, pois então! Não lhes tiro o chapéu, pois governar assim não é difícil: como dizia a cantora: “Demagogia, feita à maneira,/ É como queijo numa ratoeira” – e os ratos atracados somo nós…

Aceitei vir para uma AM na condição de falar claro, já que dizem que os blogues não chegam aos olhos das pessoas. Mas aqui também não parecem chegar, nem aos ouvidos. Por isso, não vou continuar. O jogo está montado para continuar neste levanta-braço e siga, vai de roda, está aprovado, mesmo que ladrem, a caravana passa. O povo quer e é enganado com festas e promessas… e de quatro em quatro anos assiste-se ao mesmo. Mesmo que Almeida esteja a agonizar, porque no dia a seguir às festas vai-se tudo embora e Almeida, sede e concelho voltam a ficar desertos e entregues à sua tristíssima sorte, degradando-se dia após dia, sem condições para a população se fixar, depois de tanto dinheiro gasto.

 Sr. Presidente, meus senhores e senhoras, despeço-me, pedindo desculpa pela morosidade da minha intervenção, mas foram quatro anos para meter nestas miseráveis páginas, escrevinhadas, com muita pena de não conseguir acreditar em condições de poder fazer mais por Almeida, terra de antepassados, que ensinámos filhos e amigos a ter sempre no imaginário e no coração, terra onde nos esforçamos, e bastante, por recuperar um tecto para não nos desprendermos das raízes e darmos se possível algum contributo, mas onde agora nem gosto tanto de estar, por tanta desolação e fantochada. 

Estes anos foram uma experiência dura, mas também madura. Por isso, não guardo ressentimento e reconheço até o seu lado de distanciamento e alargamento de perspectiva. Assimilo-o, e continuo seguindo um caminho, que é diferente deste. Não lamento o passado, nem o tempo aqui investido, pois agi sempre em consciência e lisura. A todas as questões referidas, dispenso resposta, pois foram por mais do que uma vez debatidas, e estou certa que esta AM tem coisas mais urgentes para fazer. Já ouvi diversas vezes nas minhas intervenções, que essa é a minha opinião e que fique com ela. Eu fico. Quero apenas despedir-me com um apelo a todos os presentes que façam também um exame à sua própria consciência e abram bem os olhos ao que está na frente do nariz, de forma bem objectiva para tomarem a decisão que acharem certa no momento certo. Bem-hajam!

16 de Setembro de 2013
Maria Clarinda Moreira

02 abril, 2013

PENTEAR MACACOS!



É evidente que o texto anteriormente publicado faz parte da tradição do 1º de Abril, pois só por brincadeira ou maquiavélica intenção se continua a fazer acreditar que Almeida venha a ser classificada como Património da Humanidade pela Unesco. Está mais que visto que as constantes intervenções que têm sido enxertadas na Vila, além de afrontas ao ambiente histórico coeso que Almeida costumava ter, são um obstáculo a esse reconhecimento. A não ser que os elementos do júri para a classificação tenham bebido da mesma fonte dos técnicos e políticos da Câmara e gostem de toda aquela parafernália de modernices descaracterizadoras que ultimamente têm vindo a ser impostas ao seu vetusto património.

Só quem tem gosto distorcido, ou por qualquer outra inconfessável razão, pode propor e aceitar tamanha afronta construtiva, completamente desintegrada de toda a malha histórica da Vila. A destruição do valioso legado histórico tem sido um ultraje perante a passividade da maioria dos cidadãos com obrigações morais, profissionais e técnicas para se insurgir com tal estado de coisas. Cobardia, indiferença ou ignorância, entre outras, são o terreno fértil  para a acomodação de tamanha fúria construtiva. Gastam-se rios de dinheiro em obras desnecessárias e faraónicas, deixando por fazer o essencial, que seria preservar e revitalizar. E assim se vai varrendo o lixo para debaixo do tapete, pois o que interessa é mostrar obra e, se possível , bem visível, mesmo que desnecessária. 

A conservação das muralhas não tem sido objecto de manutenção, imagina-se bem porquê… enche menos o olho - e os poderes autárquicos escudam-se que o IGespar, ou lá o que é, não autoriza…mas autoriza todos os outros desmandos que se têm feito em toda a muralha, no seu interior e zonas envolventes!
Consequência disso ficou patente pela derrocada  de pedras e terras que acabou por tornar totalmente intransitável a passagem entre as duplas Portas de Santo  António, ocorrida há dias. E tudo seria muito mais fácil e menos oneroso se se tivesse acorrido a tempo. Há muito que era bem visível “ a barriga” que o muro de suporte da passagem fazia ,bem como o afundamento do piso superior! O dinheiro é do Estado, portanto é gastar à vontade, pois de onde esse veio, não custa aos bolsos de quem governa e…, de mais a mais se essa importante intervenção tivesse sido realizada a tempo não era prestigiosa nem objecto a ser mencionada em seminários e revistas de pretenso cunho cultural…

Com tudo isto, e contrastando com a mensagem que ontem enderecei aos decisores e seus consultores  por ser 1º de Abril, hoje a sério, endereçado também a todos os indiferentes ou acomodados,  digo-lhes: Vão pentear macacos!

Rui Brito Fonseca



01 abril, 2013

ALMEIDA-Património da Humanidade pela UNESCO



Um autêntico ovo de Páscoa foi o que Almeida recebeu neste tempo de permanente crise que vai infernizando a nossa vivência. Nem tudo, vá lá, são notícias negativas. Uma agradável surpresa o que a Unesco veio agora confirmar: ALMEIDA vai mesmo ser classificada como PATRIMÓNIO DA HUMANIDADE! 

Eu nem sei como expressar a minha satisfação por tão inesperada novidade. Confesso que, nos primeiros momentos, fiquei sem palavras. A justificação para tão meritória distinção baseia-se (e passo a citar do longo texto justificativo)    “…não só no património histórico de que a Vila de Almeida é detentora por herança, mas particularmente pela qualidade integrativa  das novas construções dentro e fora do Centro Histórico, constituindo uma harmónica linguagem de formas e soluções entre o antigo e o moderno…”  
Mais à frente, enumeram-se mesmo os exemplos que causaram  boa impressão e que terão contribuído para tal distinção: “… a feliz incorporação  das soluções  construtivas  modernas, como os arranjos junto às majestosas Portas da Praça, a inclusão de novos materiais e formas (vidro e aço) no todo abaluartado; a geometria  de  recentes construções  dentro do perímetro urbano numa simbiose construtiva de grande sensibilidade…” 

 Enfim, os encómios são diversos, e até alguns por que, pessoalmente em tempos, não demonstrei total agrado, foram tidos como mais valia, lendo-se que “… constitui um circuito turístico e ecológico, acessibilizando  uma  visão da vila exterior em 360º consubstanciada  numa funcional  e utilíssima ciclovia…” Quem diria!


Bem, meus leitores , eu sempre  advoguei que as obras que a CMA tem andado a fazer ao longo destes últimos anos são de grande alcance, apesar de, poucas vezes, concordar com as soluções propostas. Agora, só me resta dar os parabéns, juntando a minha voz de aplauso aos preclaros decisores e notáveis  académicos  que  secundam a CMA e dizer-lhes publicamente: BEM-HAJAM!

Rui Brito Fonseca

17 outubro, 2012

Será granito?...ou não?


“Desde criança e ao longo das minhas frequentes estadias em Almeida, múltiplas vezes ouvi dizer que a Rainha D. Maria I, perguntava se as muralhas de Almeida eram de pedra/granito ou se eram construídas de ouro, tal o peso que a sua construção representava no tesouro real. Actualmente, começo a pensar que os Almeidenses poderão começar a perguntar se as obras envolventes da velha fortaleza amuralhada são de granito…E que granito ou se são de ouro, tal a sua opulência, para mim exagerada.

Almeida não precisa que a embelezem pois bela já é.
Precisa sim que a conservem e preservem, o que, na realidade, não vejo.

Dou uma volta pelas muralhas e vejo pedras caídas e não vejo que pensem mandar colocá-las no seu devido lugar. Vejo o “cancro vegetal” existente nos muros e pronto a destruir a sua integridade, com alguns pontos já desmoronados.
Não vejo, não “sinto” que haja movimentação política que ajude a obviar esta visível destruição.

Como poderia Almeida ser Património Mundial se algum observador, decisor, percorresse o fosso, no sentido dos ponteiros do relógio, das Portas de S. Francisco às de Sto. António? Diria que é a sua conservação o que mais desejaria ver.

Para finalizar, gostaria de saber onde começa e acaba o Monumento ao 25 de Abril. É que ao ler o autor do projecto – João Antero, o escultor e Paulo Melo Veiga preparação da obra – Revista CEAMA nº 2 – fico confuso. Será que existem mais intervenientes?

Desculpem-me o tempo que vos roubei.
Obrigado a todos.”

Henrique Vilhena
(Deputado da Assembleia Municipal de Almeida, eleito pelo CDS-PP)

Declaração lida e transcrita na Acta nº 14 de 29/06/2012 – Assembleia Municipal de Almeida
P.S. - Já agora...como estará de saúde a coligação PSD/CDS-PP?





 

30 junho, 2012

Elvas...UNESCO classifica Património Mundial

A maior fortificação abaluartada do mundo, em Elvas, foi hoje classificada como Património Mundial, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), revelou à Agência Lusa fonte do município.
As fortificações de Elvas foram classificadas, na categoria de bens culturais, ao início da tarde de hoje na 36.ª sessão do Comité do Património Mundial, que está reunido até 06 de julho, em São Petersburgo, na Rússia.
O conjunto de fortificações de Elvas, cuja fundação remonta ao reinado de D. Sancho II, é o maior do mundo na tipologia de fortificações abaluartadas terrestres, possuindo um perímetro de oito a dez quilómetros e uma área de 300 hectares.
As fortificações de Elvas constituíam o único monumento português entre os 33 candidatos que fazem parte da lista de Património Mundial, elaborada pela Unesco.

A fonte do município explicou à Lusa que foram classificadas todas as fortificações da cidade, os dois fortes, o de Santa Luzia, do século XVII, e o da Graça, do século XVIII, três fortins do século XIX, as três muralhas medievais e a mudalha do século XVII, além do Aqueduto da Amoreira.
Classificado como Património Nacional em 1910, o Forte da Graça, monumento militar do século XVIII situado a dois quilómetros a norte da cidade de Elvas, constitui um dos símbolos máximos das fortalezas abaluartadas em zonas fronteiriças.
O Conselho Internacional dos Monumentos e Sítios (ICOMOS) já tinha dado parecer “decisivo e favorável”, tendo sido provado que as fortificações da cidade alentejana “reúnem o valor universal excecional, que é o principal para que uma candidatura seja aprovada”, segundo a vereadora da Cultura do município de Elvas, Elsa Grilo.



Por Agência Lusa - 30/06/2012




...deixo a minha pergunta...então e...Almeida?...não era presumível ser Património da humanidade também?...então não fomos parceiros de candidatura?...





20 novembro, 2009

ÉVORA PATRIMÓNIO MUNICIPAL?

Pesquisando no tipo de alertas, reclamações, debates, queixas… deixadas na plataforma digital http://www.autarquias.org/, abaixo referida, encontrei referência a um protesto de um cidadão, que por sua vez remetia para um blogue, onde encontrei este pedaço de prosa que transcrevo em boa parte. São notáveis as semelhanças com outras preocupações manifestadas noutros lugares, desta vez por um habitante de uma cidade com um centro histórico, por sinal classificado como Património Mundial.
Vale a pena ler com atenção e tirar algumas conclusões:



“Querem tirar a alma a Évora?Meses atrás, num dos meus passeios nocturnos, deparo, à distância, com o que me pareceu ser uma qualquer festarola de habitantes de bairro, reunidos à volta de uma mesa…chego-me ao grupo e reparo que, sendo festa, que também o era, mais seria a reunião de uma qualquer corte, podendo-lhe também chamar feira de vaidades. Pois lá estava um senhor todo de preto vestido que discursava sobre um excelente projecto de reabilitação, salvo erro daquele bairro, um conjunto de maquetas que se podia “visitar” enquanto outro senhor as descrevia a um grupo de congratulados cortesãos, as forças vivas da noite, embora predominassem as cores claras.Da plebe, pouco ou nada, não se dava por ela. 3 ou 4 circunstantes, eu incluído e de passagem. À pergunta do sr que com prazer e notória autoridade presidia à sessão da corte, se haveria algum comentário, um plebeu demanda-o sobre as suas torneiras e porta do quintal (salvo erro). Foi encaminhado pela majestática figura para o presidente? da câmara que lhe resolveria o problema…espero que tenha sido a contentoOutro circunstante ousou realçar o facto de a populaça não ter sido conveniente e atempadamente chamada à audiência. Foi negado o facto por membros da corte. O ar decadente daquilo tudo…A mim, pareceu mais uma feira de vaidades à velha portuguesa, em que meia dúzia de cavalheiros se reúnem para se auto-congratularem e se darem, mutuamente, ao prazer de coçarem o ego a cada um, saberão eles porquê.Arrepiou-me, isso sim, ouvir duas daquelas personagens comentar o facto de para fazer uma rua por ali, deitar uns prédiozitos abaixo. Sei que é feio ouvir conversa alheia, mas até me deu ideia que seria importante para aquela gente, que alguém sentisse, por um momento, a importância de eles estarem ali e o poder que detinham.E lembrei-me disto porque, não há muito tempo, tive oportunidade de ver outra maqueta. Da CâmaraAcrópole XXISe da outra pouco vi, com esta recreei-me.Acho que é um excelente projecto se retirarem do centro do modernaço, o Templo de Diana. Fica ali perfeitamente deslocado.Se não, vejamos. Há dinheiro para gastar e tem de ser gasto. Obra tem de ser feita. Évora deverá ser a única cidade com rotundas quadradas. Continue o Sr. que sei agora ser importante e chamar-se Ernesto, a ser original. Leve-se a obra até ao fim…deite-se o Templo abaixo, já que se vai subir o pavimento, e cobrir a seu pódio/base/alicerce faz tanto tempo exposto, afinal só quase completo, e depois com aquelas coisas por cima, muito escaqueiradasTenha a coragem de ficar na história. Sugestão para uma Placa/Memorial em sua homenagem:“Aqui Jaz o Templo de Diana, construído por Romanos incógnitos do Séc. I DC, mandado demolir por mim, Ernesto Augusto, Presidente, circa 2010-2011””O templo tem de ir abaixo.Com ele em pé, esse projecto não passará de um aglomerado de clichés arquitectónicos perfeitamente vulgares, datados, ultrapassados, déjá vu, podiam ser empilhados em qualquer lugar, Lego, péssimo projecto em minha opinião, dando forçosamente a ideia de que, havendo um concurso, o júri teria sempre de aprovar qualquer coisa, por muito má que fosse. Bravo júri que tal obra aprova. Deve ter sido mesmo um caso de consciência “noblesse oblige”, sem remorsos, com honra e dignidade. Dinheiro há para ser gasto, obra tem de ser mostrada, mesmo que envergonhe a cidade (La Palisse). Dê por onde der. Aprove-se, sem vergonha ou pesos de consciência. Que durmam sempre descansados.E na mente de iluminados, para evitar apelar à cultura pato bravense, não basta estudar, melhorar o que existe e manter a alma e harmonia de espaços, tentar manter o espírito e traça originais. Substitui-se, por todo o lado, a calçada, por laje de calcário ou granito, coisa modernaça. E quente ao sol de Évora. Abatem-se árvores, acaba-se com um dos dois únicos jardins da cidade. A plebe, a velharia residente vai sentar-se ao sol, em bancos de pedra, poucos, mas quentinhos. (vai ter repuxos?) Terão sempre uma boa, enorme casa de banho, não sei se à dimensão da sua necessidade, (já poucos os velhotes, restarão os turistas em magote a visitar o espaço modernista estilo centro comercial), por certo à medida do ego presidencial/arquitectural.Lindo aquele bar gaiola-de-vidro,-sauna, alcandorado sobre o troço de muralha romana com o tanque para os patinhos, ao lado. Amenizará a temperatura de tanta pedra a reflectir e armazenar calor. Repuxos? Poderemos chegar ao muro e olhar a Norte?Não se entende como desistiram do estacionamento subterrâneo e mantêm a porta romana abaixo, que nem sequer se vê do bar e a malta que passa por lá, não liga.. Desperdício. Gostei da vontade, talvez oculta, mas eu percebi, de promover o ciclo-turismo ou o uso de Segway, ao implementar sentido duplo em algumas das ruas limítrofes. Boa malha. Se não houver Clientes para as bicicletas, que o Povo mandria e está a ficar velho, amanda-se-lhes com os autocarros para rentabilizar os sanitários.Se optam por não melhorar o que está, se optam por acabar com os jardins da cidade, se optam por lajeados, verdadeiros disparates, (aquele em frente da fundação Eugénio Almeida também fica bem se deitarem a Sé abaixo, assim destoa, aquilo é mais entrada de Hipermercado ou monte alentejano de novo rico), estão a roubar a alma de Évora, estão a roubar-lhe a individualidade, personalidade, a sua identidade, estão a roubar o que a torna única. Mas será que ninguém vê que aquilo é um desastre ?.Tenha termos presidente, esta Cidade não é seu quintal para a andar a forrar de mau gosto..Não a mascare, disfarce só um pouco as rugas que lhe dão dignidade. Não torne a Velha Senhora, numa qualquer Lolita.Este projecto Acrópole XXI, só mostra que, mesmo ganhando as eleições, o sr. não gosta, nem merece a cidade.E chamam-lhe progresso? Estranha gente esta
Da Cultura e seus responsáveis locais(…)”

Por António Souto, 28 de Outubro 2009
in http://evorapatrimoniomunicipal.blogspot.com/

17 setembro, 2009

BEM PREGA FREI TOMÁS...



O que é o “património mundial”?

A propósito da candidatura de Almeida a Património Mundial da Humanidade, vale a pena perguntar: saberá uma parte significativa dos cidadãos, e os almeidenses em particular, o que significa pertencer ao património mundial da UNESCO? Alguém lhes explicou o que isso é, as suas vantagens e as suas exigências/obrigações? Houve debate público ANTES do dossier de candidatura ser apresentado? Que eu tenha conhecimento, uma vez mais, a decisão ficou reservada aos denominados “qualificados técnicos”, que elaboraram o referido dossier, e aos políticos do executivo camarário, esquecendo ou achando desnecessário debater em fórum público a decisão e as preocupações da população antes da apresentação oficial do mesmo.

A esmagadora vinda de peritos ao Seminário internacional, há dias promovido nas Portas de Santo António, integrado nas Comemorações do Cerco de Almeida, nada trouxe de novo sobre a importância do assunto, nem sobre os problemas directamente relacionados com esta Fortaleza histórica. Talvez por isso mesmo, a população voltou literalmente as costas a esse encontro de especialistas que ficaram a maior parte do tempo a falar para si próprios. Por outro lado, já se sabia, a sua presença em Portugal não é, só por si, aval positivo ao que se tem realizado em termos de obras locais: os convidados não iam apontar críticas na casa dos generosos anfitriões que os convidaram e suportaram as suas deslocações e estadias. Isso seria uma descortesia. Era interessante ouvir-se, sim, a opinião de peritos verdadeiramente descomprometidos!



Por fim, ainda que muito elogiado pelos apresentadores, o massivo dossier de candidatura é essencialmente uma colectânea de textos técnicos, em grande parte, com abordagens já conhecidas, profusamente ilustrado e luxuosamente apresentado com o objectivo, quiçá, de ser também um aliciante cartão de visita junto da comissão da UNESCO incumbida da análise e aceitação da candidatura a eventual reconhecimento de Património Mundial para Almeida. Até aí, um procedimento expectável e normal. Foi, porém, apresentado com tal carga de discursos inflamados e demagogia (aí sim, já perante uma sala preenchida) que, objectivamente falando, chegou a rondar um pouco a insensatez. Um dos oradores, num rasgo de incontível exaltação retórica, chegou mesmo a rematar que não deveria ser Almeida a almejar ser reconhecida como Património Mundial da UNESCO, mas sim a UNESCO que deveria congratular-se por poder contar com Almeida no seu rol.
Les portugais sont toujours gais!...

Contudo, a ironia das ironias de toda esta agitação mediática, está precisamente patente, ainda que de forma bem mais discreta, no último parágrafo do referido dossier, a pags.364, onde se diz:
“ Pretende-se, exclusivamente, que Almeida cresça, como até aqui, sem prejuízo para a leitura da sua fortaleza, afinal, o seu maior recurso, mesmo que a pressão construtiva aumente como se espera.”


Mas como é possível continuar a haver uma leitura completa e capaz da fortaleza, perante as intervenções construtivas e desintegradas no monumento que têm vindo a ser efectuadas, principalmente nos últimos anos??!!

Será que o edifício tipo caixote junto à Câmara confere uma melhor leitura a uma praça de guerra do Séx-XVII a XIX? As pirâmides de vidro sobre a Porta exterior de Santo António ajudam à leitura do que deve ser um abaluartado à prova de bomba? A azulejaria e granitos semipolidos da porta nova, são uma mais-valia à leitura da fortaleza? Os quartos-de- banho salientes no fosso, as portas em madeira serradas ou feitas de madeira diferente da original, a alteração interior das casamatas e sobretudo do seu exterior, retirando não só as barreiras de terra, a implantação de rodelas de granito sobre os respiradoruros, de bancos em granito polido em redor onde raramente alguém se sentará, um monta-pratos numa esplanada vazia, etc., etc., são elementos que enriquecem a “leitura da fortaleza como o seu maior recurso”?

Ou estamos todos enganados e somos ignorantes, ou somos todos tomados por estúpidos. O que é certo é que nada disto, apesar de património colectivo nacional, e com pretensões a reconhecimento internacional, foi ponderado de forma mais aprofundada e abrangente. Bem prega Frei Tomás… Pior: convive pouco e mal com a recomendação de um dos oradores, Rui Carita que, de forma idónea, deixou a seguinte advertência final: “Almeida está por estudar, falta saber muito sobre esta magnífica fortaleza. E isso não é tarefa para uma ou duas cabeças só…”.

Quanto ao futuro, mais há a temer por este andar: as obras foram apresentadas com elogios de enorme satisfação, seguidas do comentário “mal ou bem, estão feitas. Muito mais há para se fazer!” Aí o peito sofre novo aperto: irá o tal imponente miradouro de betão já projectado, com mais outra esplanada, ser construído sobre outro miradouro natural na zona do castelo? Irão avançar as já aprovadas obras para as Portas de São Francisco, com pedras e repuxos desde o Jardim da Pérgola? Que necessidade de imposição sobre a camada histórica de Almeida é essa? Em que é que valorizam a leitura da Fortaleza? Em que é que aumentam à qualidade de vida dos almeidenses e cidadãos em geral, que amam a História e visitam Almeida à procura dos seus sinais de autenticidade?

As atitudes ficam com quem as tem, e na hora da sua apreciação, esperemos que os almeidenses saibam agir em conformidade.

Rui Brito Fonseca

03 setembro, 2009

À MANEIRA...

Afinal Eles também lêem blogues. É claro que sim! Blogues e críticas impressas. E se mais houvesse, há mais tempo, “Eles” teriam andado de outro jeito… Porque é a contar com a apatia e indiferença dos almeidenses que as coisas chegaram a este ponto!

Se dúvidas havia (para nós, nenhuma!), este ano, o extenso Programa da Recriação do “Cerco” de Almeida com respectivo Seminário, Programa de Inauguração das Casamatas, apresentação pública do Dossier de Candidatura das Fortificações de Almeida a Património Mundial e 2º Simpósio de Artes em Almeida constituiu uma extraordinária oportunidade de constatar isso mesmo.

Aí voltaremos, aos poucos, porque a dose é forte e não vamos ser indigestos. Os almeidenses, pouco unidos mas causticados, habituaram-se a ver neste blogue aquilo que tem a preocupação de ser: um Fórum onde, a par de alguns factos relevantes sobre Almeida, os intervenientes se reservam o direito de exprimir as suas opiniões, sem sequer terem a pretensão de reivindicar a razão toda. Sublinho: apenas o direito de exprimirem as suas opiniões! E isto, com consciência de que falar publicamente responsabiliza os autores pela veracidade do que publicam, não só porque subscrevem o que dizem, mas sobretudo porque estão sempre sujeitos ao contraditório, exigindo simplesmente não serem perseguidos e desfeiteados por velhacarias e distorções de toda a espécie!

No momento em que publiquei o último artigo, aludi a esse clima em Almeida, carregado de penosidade num esforço de manter a sujeição e compadrio a todo o custo e por todos os meios. Só que agora, e como era de prever, tudo indica que cada vez mais os lobos vão pondo farinha nas patas para se simularem de cordeiros, já sem recorrer aos berros, mas a imperceptíveis olhares e ordens segredadas, sempre a farejar sinais de “polémica” para prontamente reagirem ao mínimo sinal de alerta. Afinal sempre serve de alguma coisa seguir os blogues…




Faz precisamente agora um ano que dei início a uma colaboração escrita neste Fórum, como é óbvio, não sem logo também sofrer retaliações por isso. Mas o contraste entre o que agora podemos observar e a arrogância do que então me levou então à decisão de começar aqui a participar também, a par de outros autores, não podia ser mais flagrante!

Vigorava, na altura, o “quero posso e mando” cuja gota de água foi uma série de propostas de intervenção no centro histórico de Almeida (por ora, como é óbvio, quietinhas na gaveta…) com um Presidente da edilidade a bradar aos microfones que “Quem manda aqui sou eu. Eu fui eleito pelos almeidenses, estou legalmente mandatado para decidir. Nem que seja pela diferença de um voto, quem decide sou eu, e por isso, bem ou mal eu decido”. Todos os presentes ouviram, contestaram, ao vivo ou neste Fórum, disseram o que lhes ia na alma. Era esse o objectivo. E continua a ser! Por assim ser é que nestes quase quatro anos não foram poucos os desiludidos a exprimir a sua decepção, e por muito que se tente apagar isso, é tarde demais! Esses e outros sentimentos estão patentes relendo o que está para trás e continua publicado neste blogue desde a sua existência, favorável ou desfavorável a quem quer que seja.

Porém, subitamente, com o aproximar de um período de eleições, sobretudo após tantos deslizes públicos do género vivamente criticados, e possivelmente com aconselhamento de outro aviso à navegação, vale a pena observar a quase perfeita operação de cosmética que o mesmo orador assim tão “omnipotente”, de repente, sofreu. Não só Ele (com a maiúscula reivindicada num cartaz) como Eles (com maiúscula também, apesar de omissos no mesmo cartaz) pelos nós fundamentais na teia que tecem juntos a “cuidar” de Almeida.


Agora, como puderam constatar os presentes, já não batem o pé. Quando usam o microfone, fazem-no com uma voz controlada e quase delicada, medindo palavra a palavra, expressão pausada, crescendo, crescendo, insuflando-se… e só perto mesmo do fim dos discursos, elogiando-se e cumprimentando-se todos uns aos outros, em fileiras cerradas, tudo culmina numa espécie de apoteose final, mandada ao ar, desafiando os aplausos da assistência. De néscios não têm nada: decidiram trilhar um caminho diferente e, desta vez, vade retro com propostas de projectos desenquadrados. Sentindo tremer o chão em tempo de eleições, toca de agradar à população “oferecendo-lhes” o que mais lhes possa agradar: inaugurações, festas, simpatia, oferta de serviços, assinatura de protocolos e, ao que se sabe, até algum apaziguamento de estômagos mais esfaimados.


Aparentemente exultantes com a estratégia, abraçam-se, felicitam-se e sorriem. Tudo parece perfeito. E à primeira vista, sobretudo para os distraídos, até é: alguns olhares chegam mesmo a brilhar de triunfo, não faltam as expressões de regozijo, as luzes feéricas refulgem por todos os lados… e só uma sombra de tristeza, aqui e ali, denuncia a existência de grades na gaiola dourada!


No meio de tanta agitação, ainda há alguém a apelar à “colaboração de todos”, apesar de outros obviamente preferirem continuar a deixar o ferrão. Nem seria de esperar outra coisa. Está na índole. É por isso que por muito que disfarcem, nada é consistente, nada consegue colar os cacos espalhados pelo chão. Quem é que não se recorda do refrão irreverente da canção: “Demagogia, feita à maneira… é como queijo numa ratoeira!”?

Maria Clarinda Moreira