Falo da Aldeia de S. Sebastião, ou melhor, de uma anexa de outra aldeia do concelho, à partida com todas as condições para desaparecer no mapa, não fosse a teimosia dos seus habitantes, cerca de 80, a maioria de idade avançada, no extremo da raia seca, onde as condições de vida nunca foram fáceis!
No entanto, contrariando todas as previsões e condicionantes, esta aldeia não pára de se inovar: como muitos sabem, partindo da dinâmica de uma simples Associação (a ADCS de S. Sebastião), depois da construção de um Centro Cultural e Desportivo, de uma piscina descoberta, atracção de muitos sobretudo na época estival, de um anfiteatro ao ar livre, de um campo polidesportivo, de bungalows permanentemente ocupados por nacionais e estrangeiros, equipadas com conforto tanto para o Verão como o Inverno… lembraram-se (e não se ficando apenas pela lembrança, meteram mesmo mãos à obra) de construir um Lar para idosos, que é um merecido mimo para todos os que levaram uma vida árdua, uma enorme evidência de dignidade, bom gosto e qualidade, além de uma racional e muito esforçada aplicação de recursos, com criação de postos de trabalho onde estes são tão difíceis de encontrar.
Os presentes na inauguração oficial, que teve lugar no dia 4 deste mês, puderam constatar a enorme alegria, azáfama e merecido orgulho de todos os que trabalharam para conseguir esta magnífica infra-estrutura, já a funcionar em pleno, onde os mais velhos agradecem com versos e canções simples, mas cheias de significado, que emocionam e marcam pela sinceridade.
Depois das intervenções dos oradores convidados, um almoço de confraternização, servido por uma empresa que, contando com enorme afluência de pessoas, esperava a postos, assegurando conforto, quantidade e qualidade de serviço. Apesar disso, um pormenor, aparentemente insignificante, não passou despercebido aos mais atentos: os únicos que não se sentavam e giravam de um lado para o outro a providenciar atenções eram os próprios promotores da iniciativa. Antes do fim da festa, ao abandonar o local, um último relance permitiu observar o presidente da Associação que, a par de outros, ainda de gravata mas já sem casaco, giravam de um lado para o outro, sem parar, a chegar pratos, copos e talheres… para que nada faltasse aos presentes naquele momento de convívio.
Talvez mereça essa atitude ser interpretada como um mero um sinal de boas maneiras. Mas eu achei que é muito mais. É um sinal de irrequietude, de prontidão perante qualquer necessidade e sobretudo de responsabilidade social, que merece o nosso reconhecimento e admiração.
- Parabéns ADCS da Aldeia de S. Sebastião! A aldeia, pequena como é, mostra bem como é capaz. Um exemplo e um estímulo muito encorajador para todos os habitantes de Almeida.